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Cinco Notas Soltas

André Eusébio · 3 min

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Pronúncia do Norte

1. A vitória sobre o Sporting de Braga. O FC Porto entrou nervoso e periclitante, esbarrando numa defesa subida e organizada, e foi novamente incapaz de ter um fio de jogo ao longo de todo o primeiro tempo. Na segunda parte, tudo mudou. A entrada de Carlos Eduardo ao intervalo e o consequente reposicionamento dos elementos do meio-campo ditaram uma melhoria substancial da produção ofensiva. Quando Paulo Fonseca se decidiu pelo óbvio – reinverter o triângulo e esquecer o duplo pivô -, a equipa soltou-se, cresceu e foi capaz de partir para um triunfo mais do que justo. Os últimos 45 minutos no Dragão parecem ter sido a resposta que o treinador anunciava há demasiadas jornadas. Terá sido o derradeiro “pontapé na crise”?

2. Carlos Eduardo e Kelvin. Os dois brasileiros, apostas frequentes na equipa B, nem sequer estão inscritos na Liga dos Campeões. No entanto, ambos podem aspirar a uma maior utilização na formação principal. Kelvin somou os primeiros minutos no campeonato e, dada a escassez de extremos de qualidade indiscutível no plantel, creio que pode (e deve) entrar mais frequentemente. Carlos Eduardo teve, pela primeira vez, a oportunidade de jogar uma parte inteira. A dinâmica que imprimiu à equipa e os pormenores técnicos que apresentou fizeram-no ganhar pontos importantes na luta por um lugar no meio-campo. Parece pronto para mais.

Carlos Eduardo foi uma das grandes figuras da última partida, frente ao Braga. / Fonte: Record
Carlos Eduardo foi uma das grandes figuras da última partida, frente ao Braga. / Fonte: Record

3. Importante e difícil confronto com o Atlético. O próximo desafio dos azuis e brancos é no Vicente Calderón. Embora não dependa somente de si para passar à fase seguinte, o FC Porto ainda pode chegar aos oitavos-de-final. Tem, nesta última jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões, a obrigação de se superar e de demonstrar cabalmente uma ruptura com o passado recente. Apesar de ter pela frente uma das melhores equipas da Europa, exige-se que vá a Madrid discutir os três pontos. Não é possível ganhar sem apresentar o nível da segunda parte da última partida e não é possível manter a estabilidade com mais uma derrota. Logo, é crucial, do ponto de vista anímico, fazer uma boa exibição e chegar a um bom resultado. Este jogo é a prova dos nove.

4. Regresso de Quaresma. Parece que o retorno do Mustang está praticamente consumado. Apesar da falta de ritmo competitivo (já não joga há mais de meio ano), das dúvidas em torno da sua condição física (foi operado nos últimos meses), das incertezas em relação à sua postura (se a sua carreira não foi mais brilhante foi porque a sua cabeça não o permitiu) e de eventuais dificuldades de entrosamento (não fazer a pré-época e entrar na equipa a meio do ano faz diferença), é inquestionável que Quaresma tem um talento fantástico. Embora esteja um pouco céptico em relação a esta transferência, espero que consiga fazer a diferença. Seria excelente para o FC Porto (e até para a selecção nacional) se Quaresma conseguisse reencontrar-se consigo próprio nestes próximos meses.

5. Renovação com Fernando. Está longe de ser oficial, mas já se gerou algum burburinho – na imprensa e nas redes sociais – em redor da renovação do contrato do “Polvo”. Parece que é provável que fique. Não me canso de o dizer: seria a melhor contratação que o FC Porto poderia fazer. Garantir a permanência de um médio com a qualidade de Fernando é fantástico, mas assegurar que há um jogador com o perfil indicado para envergar a braçadeira de capitão quando Lucho e Helton abandonarem o clube é ainda mais valioso.

André Eusébio

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2 anjos e 2 diabos convertidos | Benfica

O mundo não é transparente, preto e branco ou qualquer outra singularidade imutável. Como diria Bruno Nogueira no Último a Sair, "O mundo é bué cenas". E, fazendo uso da expressão, é a evolução, a mutação e o desenvolvimento dessas cenas o motor para a passagem dos dias não ser apenas isso. A sucessão de acontecimentos do Benfica funciona desta maneira. Nos últimos anos, sucederam-se treinadores, mudanças estruturais e conjunturais e mercados de transferência que, na sua sequência, levaram a que, ao dia de hoje, Andreas Schjelerup e Gianluca Prestianni sejam os grandes dínamos do futebol encarnado. Quando foram contratados, o norueguês em janeiro de 2023, o argentino um ano depois, não era propriamente surpreendente vislumbrar na dupla criativa o futuro das águias. Os meses - mesmo anos - seguintes deixaram algumas dúvidas e hesitações sobre o assunto, quase sempre mais pertinentes pela qualidade da aposta do que pela qualidade dos intérpretes, mas 2026 tem ajudado nos esclarecimentos. Já não é só o futuro que passa pela dupla criativa. O presente também o é. 

Diogo Ribeiro · 7 min de leitura
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