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O que se pretende colocar em discussão não é a qualidade de ambos os futebolistas, mas antes as diferenças entre eles e a forma como essas mesmas diferenças se podem traduzir na dinâmica coletiva da equipa. Assim, se com Danilo Pereira a ocupar a posição de trinco o foco é colocado nos duelos individuais e na transição defensiva, com Rúben Neves este volta-se para a construção e para a transição e/ou organização ofensiva.
Perante este dado importa, desde logo, colocar uma questão para reflexão: na grande maioria dos encontros uma equipa com a dimensão do FC Porto passa mais tempo a disputar o momento defensivo ou o momento ofensivo do jogo?

Até há relativamente pouco tempo Danilo Pereira parecia tratar-se de um dos jogadores mais sobrevalorizados do FC Porto e do futebol português. Tratava-se de um futebolista que na dimensão física do jogo se destacava dos demais mas que apresentava problemas significativos mesmo ao nível do posicionamento. Porém, e sobretudo desde que Nuno Espírito Santo se encontra ao leme da equipa, Danilo ganhou agressividade na reação à perda da bola e, principalmente, uma maior capacidade de ocupação de espaços (sendo agora muito eficaz, por exemplo, a fechar os espaços interiores à progressão da equipa adversária). Contudo, e pese embora o facto de ser um futebolista que, pela sua velocidade, consegue progredir rapidamente com bola em transição ofensiva, este apresenta lacunas ao nível da tomada de decisão e da técnica de passe que limitam a ligação do jogo entre linhas.
Foto de Capa: Facebook Oficial de Rúben Neves
Por outro lado, Rúben Neves é quase a antítese de Danilo Pereira. O jovem futebolista formado no FC Porto tem défices ao nível do posicionamento defensivo que limitam o seu desempenho na posição de trinco. Porém, é alguém que decide quase sempre bem (pese embora o facto de cometer ainda alguns erros, que são compreensíveis tendo em conta a sua juventude) e que executa ainda melhor.
Com Rúben Neves em campo o FC Porto tem duas garantias: 1) haverá qualidade na ligação entre a construção e a criação; 2) Óliver Torres não terá de pegar na bola junto dos centrais para iniciar a construção, ficando liberto para aparecer mais adiantado no terreno, entre linhas, onde pode ser mais decisivo na manobra ofensiva da equipa. Também é certo que a equipa perderá qualidade na reação à perda da bola, podendo tal traduzir-se numa redução da percentagem média de posse de bola (ainda que, provavelmente, se venha a verificar uma melhoria na qualidade dessa mesma posse).

A decisão caberá sempre ao treinador, e a ideia de Nuno Espírito Santo tem sido bastante clara: numa equipa tendencialmente tão balanceada para o ataque como é o FC Porto, a opção tem sido a de alinhar um futebolista que se desposicione menos e que garanta uma maior segurança ao setor defensivo. Porém, é também evidente que as dificuldades atuais do FC Porto se prendem mais com os golos que a equipa não marca do que com os golos que esta não sofre.
Desde há alguns anos a esta parte que os melhores trincos do futebol mundial (como Andrea Pirlo, Xabi Alonso, Sergio Busquets ou Julian Weigl) não são futebolistas que se destacam pela sua capacidade física e de ganhar duelos individuais. É assumido que uma equipa de dimensão europeia passa grande parte dos encontros a jogar o momento ofensivo dos mesmos e, como tal, mais importante do que as preocupações defensivas é a qualidade do processo ofensivo, qualidade essa que deve estar presente desde a primeira fase de construção.
Perante esta evidência, e perante a evidência (constatada por Julen Lopetegui) de que o rendimento de Rúben Neves é significativamente inferior quando este ocupa a posição “8”, cabe a Nuno Espírito Santo decidir em prol daquela que é a sua ideia de jogo: Danilo Pereira ou Rúben Neves?
Foto de Capa: Facebook Oficial de Rúben Neves













