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“As equipas constroem-se de trás para a frente.” Esta é uma das frases mais batidas no futebol e, aparentemente, foi essa a forma de pensar de Nuno Espírito Santo (NES) quando começou a trabalhar na preparação da equipa do FC Porto para a temporada que entra agora na recta final. E, apoiados numa dupla de centrais (Felipe e Marcano) com um nível de entendimento a roçar a perfeição, um Danilo que dá lições sobre como jogar como médio-defensivo no futebol contemporâneo e um grupo de laterais experientes e de elevada qualidade, desde cedo os Dragões mostraram que chegar à baliza de Casillas não seria tarefa para qualquer um.
Experiência na defesa e juventude no ataque foi a fórmula que NES encontrou para enfrentar a primeira fase da época. No entanto, a irreverência que os mais novos dão à equipa traz um custo associado: falta de nervo nos momentos mais difíceis. E, com isto, chego a Novembro, o mês dos zero golos. Este período podia ter comprometido seriamente as aspirações do FC Porto para esta época, mas, por ironia do destino, quando faltavam dois ou três minutos para novo empate a zero, aparece Rui Pedro, o mais inexperiente de todos mas com uma classe de quem anda nisto há anos, e atira os Dragões para a vitória.

Desde esse dia até à data de hoje, várias coisas mudaram. O plantel foi reformulado, o modelo táctico foi ajustado e, não menos importante, o calendário ficou mais aliviado. Apenas uma coisa se manteve inalterada: o apoio incondicional dos adeptos. Mas isso não chega de forma gratuita. Foram os jogadores que, ao terem uma atitude de entrega total jogo após jogo, azar após azar, prejuízo após prejuízo (falo das arbitragens mais infelizes, claro) , fizeram os portistas perceber que 2016/2017 marcava o regresso do Porto “à Porto”.
Essa atitude perante as adversidades é o que mantém o FC Porto na luta pelo primeiro lugar ainda hoje, mas, por si só, isso não valeria de muito. De nada adianta ter vontade quando não há capacidade para fazer as coisas bem. E, talvez com isso em mente, os responsáveis Azuis e Brancos em conjunto com a equipa técnica, optaram por emagrecer o grupo de trabalho no mercado de Inverno. As saídas foram várias e houve apenas a entrada de Soares. E que bela contratação que o brasileiro se está a revelar.
Foto de Capa: FC Porto
Se pararmos para comparar a equipa que iniciou a época com a actual, além de Soares, há um nome que salta à vista: Brahimi. Estes dois jogadores dão, hoje, ao ataque portista, a experiência que Jota e Otávio, por razões óbvias, nunca conseguiram dar. Existe qualidade em todos eles, mas o que cada um pode dar à equipa é completamente diferente. Além disso, NES não parou de trabalhar a parte táctica e parece, finalmente, ter arranjado maneira de fazer Óliver, o melhor médio do campeonato, brilhar.
O sistema híbrido entre o 4-4-2 e o 4-3-3 abre um novo leque de possibilidades de atacar a baliza adversária sem colocar em causa a segurança defensiva, permite conciliar André Silva com Soares, tirando dos ombros do jovem português a responsabilidade de ser o marcador de serviço e dá a Danilo e a Óliver um terceiro companheiro no centro do terreno que, entre outras coisas, aumenta de forma dramática o raio de acção e a influência do pequeno espanhol na manobra ofensiva da equipa. Se a isto juntarmos um banco melhor recheado, com jogadores do nível de Jota, Rúben Neves, Layún, Corona ou Otávio, a receita para o sucesso começa a ficar definida.

O caminho que transformou uma equipa que passou um mês inteiro a empatar 0-0 numa equipa capaz de golear por 7-0 e que, além disso, tem a melhor defesa e o melhor ataque do campeonato, não foi fácil mas é algo que deve orgulhar jogadores, equipa técnica, administração e adeptos. Porque as adversidades foram e continuam a ser muitas, mas vão sendo ultrapassadas com a ajuda de todos, unidos como uma família. E é assim que iremos continuar, jogo a jogo, rumo ao título de campeão.
Foto de Capa: FC Porto
Artigo revisto por: Diana Martins














