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«Em Maio os portistas vão estar felizes».

Ricardo Anselmo · 3 min

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Ultrapassadas todas as burocracias que foram naturalmente atrasando a confirmação oficial de Sérgio Conceição como o novo treinador do FC Porto, eis que o “homem do leme” chega, finalmente, ao seu “Estádio de sonho”, como afirmou ontem Pinto da Costa, aquando da sua apresentação.

Sérgio, homem de fortes convicções e crença no (bom) trabalho que foi apresentando, dirigiu-se à comunicação social (e ao universo azul e branco em particular) bem ao seu estilo: direto, sem papas na língua, com um discurso autoritário e completamente diferente daquele adotado pelos seus antecessores. O olhar de Sérgio desafia guerra com quem com ele ou com os seus se atrever a “meter”. Isso agrada sobremaneira à exigente massa adepta que sempre viu na cordialidade com que NES enfrentava os “inimigos” uma autêntica ineficácia.

Fonte: FC Porto Sérgio Conceição manifestou crença no sucesso
Fonte: FC Porto
Sérgio Conceição manifestou crença no sucesso

Não querendo entrar no campo das avaliações técnicas, ou seja, naquilo que Sérgio poderá acrescentar ao nível futebolístico, prefiro antes centrar a minha análise naquilo que foram as frases fortes do discurso do treinador. «Em maio os portistas vão estar felizes.» O FC Porto não vive uma fase famosa, bem pelo contrário. A conjuntura do futebol português até prevê o domínio para quem dele se apoderou por via dos seus fortes e longos tentáculos. Nesse sentido, creio que Sérgio se colocou numa posição fragilizada ao fazer uma promessa como esta, que indica claramente a conquista de títulos. Um eventual falhanço nesses objetivos servirão claramente como arma de arremesso por parte da sempre pronta crítica desportiva como forma de diminuir o trabalho do treinador. Qualquer tipo de percalço numa fase inicial da época deixará automaticamente os adeptos de pé atrás.

Por outro lado, SC fez um corte com o passado e assumiu a construção de um novo FC Porto. Isso é uma lufada de ar fresco e, ao mesmo tempo, o resgate de expetativas no seio da massa adepta que está, neste momento, acercada pela descrença. «Nós temos que começar a falar de um FC Porto 2. Uma nova era, um novo treinador, que é diferente dos que estiveram aqui nestes quatro anos. Quero olhar para o presente e para o futuro. Sou portista e foram anos em que não conseguimos ganhar, mas não me compete analisar o trabalho dos meus colegas».

Por fim, mas acima de tudo o que mais gostei de ouvir por parte de Sérgio Conceição, trata de desmistificar a ideia de que o importante é ter um treinador e uma equipa à Porto, com garra e com raça, como se só isso bastasse para trinfar. «É preciso inteligência a ler o jogo, é importante que os jogadores interiorizem a mensagem, que tem a ver com o trabalho. Estamos preparadíssimos para este desafio». Qualidade, esse é um fator determinante. Qualidade dos jogadores e do treinador, qualidade no trabalho e, acima de tudo, ter ideias de jogo de qualidade. Sérgio Conceição ainda não ganhou nada, a não ser o respeito pelo bom trabalho desenvolvido pelos clubes por onde foi passando, mas aos olhos dos adeptos do FC Porto, e de mim em particular, já começou a ganhar na transmissão das ideias que tem para este novo FC Porto, o “seu” FC Porto. À exceção de algumas convicções que o poderão “tramar” (próprias da sua vincada e conhecida personalidade), o discurso do novo timoneiro é uma mensagem de esperança na recuperação do nosso rumo.

Foto de Capa: FC Porto

Ricardo Anselmo

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