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Ultrapassadas todas as burocracias que foram naturalmente atrasando a confirmação oficial de Sérgio Conceição como o novo treinador do FC Porto, eis que o “homem do leme” chega, finalmente, ao seu “Estádio de sonho”, como afirmou ontem Pinto da Costa, aquando da sua apresentação.
Sérgio, homem de fortes convicções e crença no (bom) trabalho que foi apresentando, dirigiu-se à comunicação social (e ao universo azul e branco em particular) bem ao seu estilo: direto, sem papas na língua, com um discurso autoritário e completamente diferente daquele adotado pelos seus antecessores. O olhar de Sérgio desafia guerra com quem com ele ou com os seus se atrever a “meter”. Isso agrada sobremaneira à exigente massa adepta que sempre viu na cordialidade com que NES enfrentava os “inimigos” uma autêntica ineficácia.

Sérgio Conceição manifestou crença no sucesso
Não querendo entrar no campo das avaliações técnicas, ou seja, naquilo que Sérgio poderá acrescentar ao nível futebolístico, prefiro antes centrar a minha análise naquilo que foram as frases fortes do discurso do treinador. «Em maio os portistas vão estar felizes.» O FC Porto não vive uma fase famosa, bem pelo contrário. A conjuntura do futebol português até prevê o domínio para quem dele se apoderou por via dos seus fortes e longos tentáculos. Nesse sentido, creio que Sérgio se colocou numa posição fragilizada ao fazer uma promessa como esta, que indica claramente a conquista de títulos. Um eventual falhanço nesses objetivos servirão claramente como arma de arremesso por parte da sempre pronta crítica desportiva como forma de diminuir o trabalho do treinador. Qualquer tipo de percalço numa fase inicial da época deixará automaticamente os adeptos de pé atrás.
Por outro lado, SC fez um corte com o passado e assumiu a construção de um novo FC Porto. Isso é uma lufada de ar fresco e, ao mesmo tempo, o resgate de expetativas no seio da massa adepta que está, neste momento, acercada pela descrença. «Nós temos que começar a falar de um FC Porto 2. Uma nova era, um novo treinador, que é diferente dos que estiveram aqui nestes quatro anos. Quero olhar para o presente e para o futuro. Sou portista e foram anos em que não conseguimos ganhar, mas não me compete analisar o trabalho dos meus colegas».
Por fim, mas acima de tudo o que mais gostei de ouvir por parte de Sérgio Conceição, trata de desmistificar a ideia de que o importante é ter um treinador e uma equipa à Porto, com garra e com raça, como se só isso bastasse para trinfar. «É preciso inteligência a ler o jogo, é importante que os jogadores interiorizem a mensagem, que tem a ver com o trabalho. Estamos preparadíssimos para este desafio». Qualidade, esse é um fator determinante. Qualidade dos jogadores e do treinador, qualidade no trabalho e, acima de tudo, ter ideias de jogo de qualidade. Sérgio Conceição ainda não ganhou nada, a não ser o respeito pelo bom trabalho desenvolvido pelos clubes por onde foi passando, mas aos olhos dos adeptos do FC Porto, e de mim em particular, já começou a ganhar na transmissão das ideias que tem para este novo FC Porto, o “seu” FC Porto. À exceção de algumas convicções que o poderão “tramar” (próprias da sua vincada e conhecida personalidade), o discurso do novo timoneiro é uma mensagem de esperança na recuperação do nosso rumo.
Foto de Capa: FC Porto













