tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

Já vem sendo tradicional em todos os defesos e inícios de época a hiperbolização das contratações portistas. Quer seja por entusiasmo ou para colocar pressão no Porto, os comentários andam todos à volta das “super” equipas que o Porto compra (note-se que não é constrói). Mas o quão boa é esta equipa? Será melhor que a do ano passado? O que nos mostraram estas primeiras 4 jornadas?

Do onze habitualmente titular do ano passado as mexidas foram muitas, e os atletas contratados para substituir os transferidos ainda deixam algumas reservas.

Na baliza estamos seguros – Casillas dá garantias suficientes e está em melhor forma do que nas últimas épocas no Real Madrid. A contratação do guardião espanhol não só acrescenta responsabilidade, experiência e qualidade como pode garantir aos Dragões outro tipo de retornos resultantes da sua exposição mediática. De resto, é parte absolutamente crucial para as equipas portuguesas como referi anteriormente.

Nas laterais dois sentimentos diferentes – Maxi está à altura de substituir Danilo (no entanto não houve melhoria), enquanto Cissokho/Layún parecem não dar garantias suficientes de estar à altura de Alex Sandro. No entanto é imperativo que um jogador tenha alguma margem de erro no início até se sentir em casa. Cissokho já teve um erro grave, e Layún apareceu muito verde frente ao Arouca. Muito cedo para tirar conclusões firmes sobre a ala esquerda da defesa portista.

Cissokho tem o lugar em perigo no FC Porto Fonte: Facebook Oficial do FC Porto
Cissokho tem o lugar em perigo no FC Porto
Fonte: Facebook Oficial do FC Porto

No meio-campo apenas ficou Herrera, o “elo mais fraco”. A contratação que sempre defendi como mais urgente e imperativa era um médio transportador de bola. E ele chegou sob a forma de 20 milhões de euros – Imbula. Embora tenha pormenores interessantes e uma pujança que Herrera nunca demonstrou, ainda não fez um jogo verdadeiramente esclarecido, sendo recorrente ser substituído por André André (que tem estado bem). Casimiro também parece ter um substituto à altura – Danilo Pereira, um jogador que dá as garantias físicas que Ruben Neves não dá, embora perca para o jovem portuense noutros pontos, como na visão e profundidade de jogo.

O grande lugar vago que ficou por preencher foi o de número 10! Depois de muita especulação, o certo é que não chegou nenhum maestro ao Dragão que se aproximasse da craveira de Oliver Torres. A contratação de Corona antevia a mudança de Brahimi para o centro, mas esta alteração foi sol de pouca dura, talvez vítima do jogo colectivo pouco conseguido ante o Belenenses.

No ataque ganhámos um Varela motivado e um extremo que no primeiro jogo fez dois golos (Corona). Nos extremos parece que estamos bem servidos; já no ataque, a surpresa foi a boa adaptação de Aboubakar à nova responsabilidade. Não tem a qualidade na recepção de bola nem a inteligência na temporização que tinha Jackson mas é mais atrevido, possante e parece mais rápido. A juntar a este novo Aboubakar há um Osvaldo que é uma incógnita. Talento ele tem, mas que versão de Osvaldo veremos no Porto?

Esta equipa de Julen Lopetegui parece mais forte Fonte: Facebook Oficial do FC Porto
Esta equipa de Julen Lopetegui parece mais forte
Fonte: Facebook Oficial do FC Porto

Então, respondendo à pergunta do título, parece (penso que ninguém consegue responder com toda a certeza a esta pergunta) que o Porto está um pouco mais forte. Não nas individualidades que compõem os onze jogadores titulares, mas como equipa e plantel (maior e mais completo). Encontraram-se respostas a alguns problemas que tínhamos, principalmente no meio-campo.

Fica a incógnita do número 10 e um sabor agridoce em relação à defesa, já que tem experiência mas falta capacidade técnica. A facilidade de circulação de bola na defesa é essencial na forma como Lopetegui quer que os azuis e brancos joguem – uma análise para outro texto. Mas no final desta semana vamos ter uma ideia mais claro do que vale este Porto de Lopetegui versão 2.0.

Foto de Capa: Facebook Oficial do FC Porto

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