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FC Porto 0-0 CD Feirense: De Cruzamento em Cruzamento até ao empate final

Francisco Sampaio · 4 min

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(Quase) obrigado a vencer o CD Feirense para se manter na luta pelo título de campeão nacional, o FC Porto entrou em campo sem Brahimi (suspenso por dois jogos após a expulsão frente ao SC Braga) e Corona (lesionado). Para colmatar estas “baixas”, Nuno Espírito Santo optou por integrar Diogo Jota no 11 inicial, partindo da ala direita do ataque, e André Silva numa posição mais central, mas também com tendência para cair sobre o lado direito do ataque. Assim sendo, o flanco esquerdo ficou mais entregue às (frequentes) incursões ofensivas de Alex Telles, num constante ataque à profundidade, e a ocasionais aparições de Tiquinho Soares nesse mesmo flanco.

Na primeira parte as principais ocasiões de golo foram pertencendo ao FC Porto: primeiro aos 25 minutos de jogo com Danilo a cabecear, após canto marcado por Alex Telles, ao lado da baliza defendida por Vaná; depois aos 38 minutos, com defesa de Vaná a remate de Alex Telles, e na recarga André André deixou a bola em Danilo, que rematou ligeiramente por cima da baliza dos homens de Santa Maria da Feira; e finalmente aos 43 minutos, num lance de transição ofensiva em que Telles desmarcou Soares, com o avançado brasileiro a contornar Vaná e a rematar às malhas laterais. Ao longo da primeira parte houve ainda espaço para um lance de perigo a beneficiar o CD Feirense, com Karamanos, aos 15 minutos, a aproveitar uma má abordagem de Felipe ao lance para ficar perto do golo, impedido por Iker Casillas. Houve igualmente um golo anulado ao FC Porto, aos 33 minutos de jogo, por fora de jogo (bem) assinalado a André Silva.

Sem Brahimi na equipa os azuis e brancos ressentiam-se da falta dos desequilíbrios que apenas o argelino é capaz de provocar nas defesas adversárias. O FC Porto teve mais posse de bola na primeira parte, mas o futebol praticado foi sempre demasiado previsível, com um verdadeiro recital de cruzamentos para a grande área do CD Feirense. A colocação de Diogo Jota na direita tornou a equipa algo “coxa”, com os lances de ataque pelo lado esquerdo a pertencerem, quase invariavelmente, a Alex Telles. As ocasionais aparições de Soares nessa zona do terreno de jogo serviram apenas para comprovar que o brasileiro não tem qualidade técnica nem de tomada de decisão para conseguir criar desequilíbrios a partir de uma ala.

Vaná Alves foi uma barreira na baliza do CD Feirense Fonte: FC Porto
Vaná Alves foi uma barreira na baliza do CD Feirense
Fonte: FC Porto

Início da segunda parte e, com Nuno Espírito Santo a perceber que a equipa se encontrava desequilibrada ao nível do ataque pelos flancos, Óliver Torres saiu da equipa para dar lugar a Otávio, que ocupou a ala esquerda do ataque do FC Porto. Pese embora a alteração realizada, os efeitos práticos foram quase nulos, com uma segunda parte tirada a papel químico da primeira: o FC Porto com mais bola, a dominar o jogo, mas sempre jogando de forma demasiado previsível e com pouca qualidade na circulação de bola.

As oportunidades de golo foram-se sucedendo, primeiro por Otávio, aos 57 minutos, a segurar bem a bola, a rodar, e a rematar para boa defesa de Vaná. Depois, aos 82 minutos, Maxi Pereira cabeceou de cima para baixo mas o guarda-redes do CD Feirense estava absolutamente intransponível. Já nos descontos de tempo as oportunidades surgiram para ambas as equipas, primeiro num remate de Luís Aurélio por cima da baliza à guarda de Iker Casillas e, finalmente, em mais uma grande defesa de Vaná a dar resposta a um cabeceamento de Maxi.

Com este empate mantém-se a distância de três pontos entre o FC Porto e o SL Benfica, sendo que um empate dos encarnados num dos próximos jogos já não é suficiente para que os azuis e brancos possam passar para a liderança da Liga NOS. Do lado do FC Porto, no jogo contra o CD Feirense, fica uma imagem pálida de uma equipa demasiado dependente de Brahimi para criar desequilíbrios junto das defesas adversárias. De cruzamento em cruzamento, frente a uma equipa a jogar em bloco baixo e com muitos homens atrás da linha da bola, o FC Porto foi incapaz de utilizar o espaço entre linhas para criar espaços junto da defesa adversária e, desse modo, voltou a comprometer as contas tendo em vista a conquista do tão almejado título de campeão nacional.

Foto de capa: FC Porto

A FIGURA

Fonte: CD Feirense
Fonte: CD Feirense

Vaná Alves – Não é guarda-redes para uma equipa dita “grande” do campeonato português mas, tal como é habitual em futebolistas que ocupam essa posição em equipas de menor dimensão, Vaná teve uma noite para mais tarde recordar. Sobretudo entre os postes, o guarda-redes do CD Feirense esteve sempre muito seguro, concentrado, a demonstrar bons reflexos e capacidade de dar resposta a todos os problemas que foram sendo causados pelo FC Porto. A equipa azul e branca esteve longe de jogar bem, mas é muito graças a Vaná que os homens de Santa Maria da Feira conseguiram sair do Estádio do Dragão com um ponto na bagagem.

Foto de Capa: FC Porto

O FORA-DE-JOGO

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Nuno Espírito Santo – Em tudo aquilo que o treinador controla, entenda-se, modelo de jogo e estratégia, é confrangedor este FC Porto. Sem os desequilíbrios individuais de Brahimi a equipa nunca apresentou dinâmicas ofensivas que permitissem incomodar, com qualidade, a defesa do CD Feirense. Num jogo marcado por muitos cruzamentos e por uma quase total ausência de exploração do espaço central entre linhas, sempre ficou a ideia de que o empate seria o resultado final. Pese embora a exibição algo apagada de Óliver Torres, é incompreensível que, perante a falta de criatividade apresentada pela equipa e o facto de o CD Feirense tender a abdicar do momento ofensivo do jogo, a opção de Nuno Espírito Santo ao intervalo tenha passado por manter André André em campo em detrimento do jovem prodígio espanhol.

Foto de Capa: FC Porto

Francisco Sampaio

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