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FC Porto 1-0 SC Braga: No construir é que está o ganho

Francisco Sampaio · 7 min

FC Porto 1-0 SC Braga: No construir é que está o ganho

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Num Estádio do Dragão com uma moldura humana aquém daquilo que seria expectável,  decorreu o FC Porto vs SC Braga, jogo a contar para a 12ª Jornada da Liga NOS 2016/17. Do lado do FC Porto entrou em campo o onze teoricamente mais forte (ainda que seja discutível a opção entre Danilo Pereira e Ruben Neves, tendo em conta o que cada um dos futebolistas pode oferecer à equipa na fase inicial de criação) e, do lado do SC Braga, desta feita, José Peseiro optou por uma dupla de ataque menos móvel, composta por Stojiljkovic e Hassan, tendo Rui Fonte sido relegado para o banco de suplentes. Destaque ainda, na equipa do SC Braga, para a titularidade de Xeka, futebolista que, em comparação com Mauro (ausente do jogo por lesão), oferece à equipa uma maior projeção ofensiva.

Após uns primeiros dez minutos de jogo marcadamente “mornos”, a primeira jogada de verdadeiro perigo surge aos vinte minutos, com André Silva a receber a bola de Otávio, a assistir Diogo Jota a partir da esquerda, e com o avançado o FC Porto a falhar o golo perante a baliza deserta do SC Braga. Pouco depois, aos 27 minutos, Marafona protagoniza uma deficiente reposição da bola em jogo deixando Óliver Torres isolado frente ao mesmo. Contudo, o médio espanhol não aproveitou a oportunidade, tendo acabado por rematar fraco e ao lado da baliza à guarda do português. Aos 29, minutos nova jogada de perigo para o FC Porto, com Corona a isolar André Silva que rematou para boa defesa de Marafona (que encurtou significativamente o espaço disponível para o remate do avançado do FC Porto); na recarga Maxi Pereira rematou para o alívio de Baiano.

Nesta fase do jogo, o FC Porto, fruto de um forte trabalho de transição defensiva, encontrava-se claramente por cima e, aos 34 minutos, Óliver faz um grande passe de rutura a isolar André Silva que, na cara de Marafona, é derrubado por Artur Jorge. Carlos Xistra não teve dúvidas e apontou para a marca de grande penalidade, dando ordem de expulsão ao futebolista do SC Braga. Porém, na marcação do penálti, André Silva não conseguiu bater Marafona, especialista nessa matéria, tendo permitido uma boa defesa para canto ao guarda-redes português.

O jogo continuava a dar apenas FC Porto e, aos 39 minutos, Óliver Torres faz um excelente cruzamento a partir da esquerda que encontra André Silva na área. O jovem avançado português cabeceou de cima para baixo permitindo nova defesa de Marafona.

O final da primeira parte fica marcado pela opção conservadora de José Peseiro que, para reequilibrar o setor defensivo, optou por substituir Stojiljković por Rosić. Do lado do FC Porto, Otávio saiu lesionado e deu o seu lugar ao criativo argelino Yacine Brahimi. A primeira parte do jogo não terminaria sem nova jogada de perigo para o FC Porto: cruzamento de Layún a partir da direita com Danilo a cabecear ao poste; na recarga, nova oportunidade para o médio português que acabou por “entregar” a bola sem dificuldades para Marafona.

Os segundos 45 minutos ficaram marcados por um domínio total do jogo pelo FC Porto, que foi acumulando oportunidades desperdiçadas de golo. Logo aos 47 minutos Brahimi protagoniza uma jogada individual pela esquerda que resulta num remate perigoso para a baliza do SC Braga. Aos 55 minutos Maxi Pereira cruzou para a área e Diogo Jota acabou por introduzir a bola no fundo da baliza à guarda de Marafona; porém, o lance já havia sido interrompido por falta do português sobre Baiano.

O FC Porto continuava a carregar e, aos 57 minutos, Óliver Torres faz um grande passe para Corona que, a partir da direita, cruza para André Silva. Sozinho frente a Marafona, rematou por cima da baliza. Esta era uma fase do jogo em que José Peseiro, claramente, apostava em reforçar o setor defensivo e na transição ofensiva para criar problemas à equipa do FC Porto, com Wilson Eduardo a dar o seu lugar a Djavan e Rui Fonte a entrar para o lugar de Hassan.

Entretanto, Marafona continuava o seu festival, tendo realizado duas boas defesas consecutivas a remates de Diogo Jota e de Brahimi. Nuno Espírito Santo abdicava do seu sistema tático habitual e colocava a equipa a jogar apenas com três defesas após as entradas de Rui Pedro e Héctor Herrera para os lugares de Óliver Torres e Miguel Layún, aos 74 minutos de jogo.

Pouco depois, Marafona voltou a protagonizar uma grande defesa a remate de Maxi Pereira, após uma excelente iniciativa individual de Brahimi na esquerda. Aos 78 minutos, e novamente com os mesmos protagonistas na jogada, Marafona fez bem a mancha a Brahimi e impediu que o argelino assistisse Rui Pedro para o golo.

A resistência do SC Braga parecia para vez mais frágil e, aos 88 minutos, o remate de Diogo Jota vai parar aos pés de Herrera que, isolado frente a Marafona, remata para golo. Porém, a jogada já havia sido anulada por fora de jogo assinalado ao mexicano. Já dentro dos sete minutos de compensação dados por Carlos Xistra, aos 93 minutos de jogo, Brahimi marcou um livre direto perigoso, levando a bola a passar ligeiramente por cima da baliza à guarda de Marafona.

Foi aos 94 minutos de jogo que o FC Porto conseguiu, finalmente, quebrar a resistência do SC Braga e marcar o golo com o qual a equipa haveria de vencer o jogo. Diogo Jota, de costas para a baliza, realizou um fabuloso passe de rutura e o jovem Rui Pedro, frente a frente com Marafona, teve a frieza para colocar a bola no fundo da baliza, dando assim os três pontos ao FC Porto.

A equipa portista, desta feita, não se precipitou em tentativas vãs de esticar o jogo na frente e optou por colocar um maior foco na construção. Mesmo nos momentos finais do jogo, a equipa soube manter a calma e continuar a procurar chegar junto da baliza do SC Braga por via de um futebol mais apoiado. Ainda que seja incompreensível a retirada de Óliver Torres do jogo quando este estava a ser o melhor jogador da equipa, importa dar mérito a Nuno Espírito Santo pela opção de levar a jogo Rui Pedro em detrimento de Depoitre (que neste jogo ficou na bancada), permitindo que a equipa não se precipitasse em busca de um futebol direto que, tal como tem ficado claro nos últimos jogos, em nada favorece o FC Porto e os seus futebolistas. Este é um caso em que pode, apropriadamente, dizer-se: no construir é que está o ganho!

A FIGURA

Fonte: Sporting Clube de Braga
Fonte: Sporting Clube de Braga

Óliver Torres e Marafona – Óliver Torres protagonizou hoje, em pleno Estádio do Dragão, uma das melhores exibições individuais da Liga NOS na presente época futebolística. O pequeno médio espanhol construiu e criou ataques prometedores em quantidade impressionante, e foi sempre o motor ofensivo da equipa do FC Porto.

O critério de Óliver na tomada de decisão e a sua qualidade de passe, que permite ligar todas as fases do jogo e todos os corredores, é absolutamente inqualificável. Sempre que a bola saiu dos pés de Óliver, a equipa do FC Porto encontrava-se mais perto do golo. Sob o ponto de vista posicional (ocupação de espaços), o médio espanhol esteve sempre irrepreensível. Sempre que o FC Porto sentiu dificuldades na organização ofensiva, teve em Óliver Torres um pêndulo que permitiu à equipa criar oportunidades de golo em número suficiente para, desta feita, conseguir finalmente vencer.

Do outro lado, Marafona foi sendo assombroso na baliza do SC Braga e permitiu à equipa bracarense manter o nulo no marcador até aos 94 minutos de jogo. Após uma deficiente reposição de bola em jogo aos 27 minutos, que até poderia ter resultado em golo para o FC Porto, Marafona arrancou para uma exibição soberba numa noite em que parecia ser totalmente imbatível.

Esteve bem a jogar com os pés (salvo raras exceções), no controlo do jogo aéreo, entre os postes, e a defender a grande penalidade apontada por André Silva aos 36 minutos de jogo naquela que é, claramente, uma das suas maiores especialidades.

O FORA DE JOGO

Fonte: Facebook de Artur Jorge
Fonte: Facebook de Artur Jorge

Artur Jorge – Artur Jorge, o jovem defesa central de 22 anos de idade do SC Braga, até se encontra a realizar, até ao momento, uma época positiva. Trata-se de um jogador com algum talento e que tem, acima de tudo, a virtude de ter conseguido fazer esquecer a ausência de Ricardo Ferreira, provavelmente um dos melhores defesas centrais da Liga NOS.

Porém, no jogo de hoje, e pese embora seja discutível a existência de falta sobre André Silva aos 34 minutos de jogo, a abordagem de Artur Jorge ao lance é imprudente e acaba por resultar em penálti assinalado a favor do FC Porto e consequente expulsão do defesa central do SC Braga. A partir desse momento do jogo a equipa bracarensenão mais conseguiu impor o seu jogo e remeteu-se a jogar unicamente no momento defensivo do jogo (muito por culpa da forte capacidade do FC Porto), algo que poderia ter sido evitável caso a abordagem de Artur Jorge ao lance fosse mais cautelosa.

Foto de capa: Futebol Clube do Porto

 

 

 

Francisco Sampaio

Redação Bola na Rede · ver artigos