FC Porto 1-2 FC Arouca: Nem cabeça, nem coração

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Quem esperava um jogo fácil no Dragão enganou-se. Redondamente. O FC Porto era, à partida, o grande favorito à conquista dos três pontos na receção ao Arouca, ora por jogar em casa, ora por ser teoricamente superior ao adversário. Mas o futebol, como é sabido, não é uma ciência exata e a teoria nem sempre anda de mãos dadas com a prática. Nesse campo, o da prática, o Arouca foi melhor e com muito mérito do seu treinador, Lito Vidigal.

A estratégia montada pelo técnico, que passava pela constante exploração do lado esquerdo da defesa do FC Porto e por saídas rápidas de contra-ataque, deu frutos. A falta de apoio frequente de Brahimi a Angel, a transição defensiva lenta dos dragões e os erros infantis dos centrais portistas foram falhas aproveitadas pelos comandados de Lito. No fundo, o Arouca dotou o seu futebol de muito pragmatismo, algo que falhou do lado do FC Porto.

Ainda que alguns processos de José Peseiro pareçam já assimilados pelos jogadores azuis e brancos, nomeadamente a colocação de mais homens na zona de finalização e uma posse de bola mais acutilante, é inegável que existem ainda muitos aspetos a trabalhar e a corrigir. E com a máxima urgência, se a prioridade for manter o sonho do título vivo.

Isto porque esta derrota complica as contas do FC Porto e acontece no momento menos oportuno da temporada – se é que existe um. Não só porque a equipa azul e branca dava mostras de melhoria de rendimento, mas também porque é nas vésperas da visita à Luz. Os Dragões irão defrontar o rival Benfica com seis pontos de atraso e, em caso de derrota, podem mesmo dizer adeus ao título. Não matematicamente, como é óbvio, mas realisticamente.

Walter foi o héroi da noite Fonte: FC Arouca
Walter foi o herói da noite
Fonte: FC Arouca

E a partida de hoje não augura nada de bom para o embate da Luz, não só pelo resultado. Acima de tudo, pela postura dos jogadores do FC Porto, que parecem estar a jogar sobre brasas. É certo que o golo sofrido aos nove segundos, da autoria de Walter González, não estava nos planos dos Dragões, mas a ansiedade demonstrada mesmo depois do empate – Aboubakar, aos 14 minutos – traz à memória a era Lopetegui, em que as reviravoltas eram um mito e a ansiedade palavra de ordem.

Depois do golo de Aboubakar, o Porto criou algumas oportunidades e acabou por ir para o intervalo por cima da partida. Posto isto, era expectável que regressasse do balneário a todo o gás, de maneira a consumar a reviravolta, mas isso não se verificou. Alguma atrapalhação, fruto da pressa e da ânsia de chegar ao segundo golo, foi tornando o jogo fácil para o Arouca, que apenas teve de se fechar na retaguarda, na expectativa e à procura do erro, que acabou por aparecer.

Maicon, numa noite para esquecer, perdeu a bola à entrada da área portista, e Walter González aproveitou para bisar e fechar as contas aos 67 minutos. Os dragões ainda tentaram o empate, mas sem sucesso. Quando faltou a cabeça para fazer melhor, também não se viu coração. Viu-se, sim, alguma apatia. E, numa fase tão preponderante da temporada, é preciso mudar ou o sonho do título vai por água abaixo já para a semana.

A Figura:

Layun – Não teve culpa em nenhum dos lances de golo adversários e fez a assistência – mais uma – para o golo de Aboubakar. Voltou a demonstrar uma grande disponibilidade física e foi um dos motores ofensivos do FC Porto.

O Fora-de-Jogo:

Maicon – É o fora de jogo e foi, ao mesmo tempo, figura do jogo por estar ligado aos dois golos do Arouca, principalmente o segundo. A sua exibição deixou patente que não merece ser titular e muito menos ser capitão. Aliás, foi protagonista de um dos momentos mais caricatos enquanto portador da braçadeira. Depois de errar no segundo golo, lesionou-se e virou as costas ao jogo, deixando a equipa com menos um.

Redação BnR
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