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FC Porto 3-0 SC Braga: Faça o favor de passar, senhor Dragão!

Ricardo Anselmo · 6 min

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Correu tudo bem a Sérgio Conceição e ao FC Porto. O técnico portista decidiu manter o onze de Tondela, à exceção do guarda redes, e a equipa respondeu de forma sublime. Com os pesos pesados no banco de suplentes para suprir qualquer contrariedade, a equipa portista deu um passo de gigante para estar no Jamor, em maio.

O SC Braga, esforçado, não teve como não sucumbir a um FC Porto compacto, organizado, solidário e eficaz. Alex Telles abriu o programa das festas, de penálti, Soares entrou ao intervalo para dar maior tranquilidade com o segundo golo e Brahimi fechou a noite com uma obra prima. Tudo com o patrocínio do pequeno grande génio, de seu nome Óliver Torres.

Uma passagem rápida pelo banco do FC Porto antes do jogo poderia dar a ideia de que os azuis e brancos não estavam a apostar tudo nesta meia final. Assim de repente, não é muito usual ver, ao mesmo tempo, jogadores como Casillas, Militão, Brahimi, Danilo, Marega e Soares sentados ao lado de Sérgio Conceição. A verdade é que o técnico portista decidiu premiar o bom jogo de Adrián López em Tondela e optou por mantê-lo no onze, juntamente com Fernando, Otávio e Óliver. Militão continua a cumprir ‘castigo’ e, nesse sentido, Pepe voltou a figurar ao lado de Felipe. Casillas, esse, deu lugar ao homem da Taça, Fabiano.

Do outro lado, Abel, privado de Goiano, foi a jogo com Esgaio do lado direito da defesa, ao passo que Palhinha assumiu o meio campo, juntamente com Claudemir, funcionando Fransérgio como segundo avançado.

O sistema em que as duas equipas jogam habitualmente acabou por ser transportado para a cimeira do Dragão e, assim, não admirou que os alinhamentos em 4x4x2 se encaixassem. Sem espaços, ficou difícil dar conta de aproximações às duas balizas. Wilson Eduardo, o mais solicitado no momento atacante do lado arsenalista, testou a defensiva portista, ao rematar cruzado, para desvio de Telles que quase traía Fabiano.

Sem capacidade de penetrar nas muito juntas e compactas linhas do SC Braga, os homens de Conceição tiveram de se socorrer daquilo a que se pode chamar um plano B: as bolas paradas. Aí, Telles é irrepreensível e, dum canto, serviu Pepe para o cabeceamento que Marafona, atento, afastou.

O desbloqueio aconteceu quando Marafona, algo displicente, socou a cabeça de Herrera dentro da área. Dado histórico recente dos portistas da marca dos onze metros isso até poderia não ser uma grande notícia, mas Telles, com frieza, abriu a contagem.

Brasileiro abriu o marcador, na conversão de uma grande penalidade
Fonte: Bola na Rede

Para o segundo tempo, Conceição deixou Fernando no balneário (muito sacrificado com entradas duras) para lançar no jogo Tiquinho Soares que, enfim, poderia dar uma resposta mais efetiva aos inúmeros cruzamentos que Alex, de um lado, e Manafá e Corona do outro, iam tirando.

Se nos primeiros 45 minutos as amarras prevaleceram, a etapa complementar teve bem mais animação, diga-se. Começou logo com um slalom de Adrián que tentou atiram em jeito, mas rasteiro, para as mãos de Marafona. Os homens de Abel logo ripostaram, com o inevitável Wilson a servir Dyego Sousa, na pequena área. O avançado brasileiro tinha tudo, mesmo tudo para empatar, mas Fabiano fez uma mancha incrível e salvou a vantagem.

Era a parada e a resposta de que tanto beneficia o espetáculo. Logo a seguir, Corona deu um nó daqueles a Sequeira, antes de se enquadrar com a baliza de Marafona, mas o internacional português não quis ficar atrás do homólogo portista e, também ele, assinou uma bela defesa. Era apenas o prenúncio para o elevar da contagem azul e branca, depois de um cruzamento milimétrico a que Soares, a beneficiar de um desvio incompleto de Raúl Silva, deu o melhor seguimento.

Fora um golpe duro para os guerreiros, mas a eliminatória não se decidia no Dragão e, por isso, Abel lançou no imediato Ryller, Murillo e mais tarde Paulinho na tentativa de minimizar os estragos e chegar ao golo que deixasse tudo mais facilitado.

Para os dragões, à medida que o jogo se ia encaminhando para o final, uma outra preocupação saltou à vista de todos: o clássico com o SL Benfica. Se para Marega o regresso à competição ficou adiado, Danilo e Brahimi já foram aquecendo os motores. O argelino, de resto, ainda foi a tempo de levantar o estádio, com um golo de enorme classe, depois de um trabalho formidável de Óliver, que cruzou ao segundo poste onde Brahimi, depois de ajeitar a bola, a colocou em jeito ao poste mais distante de Marafona. Fim de festa!

Onze inicial e substituições

FC Porto: Fabiano, Manafá, Felipe, Pepe, Alex Telles, Corona, Óliver, Herrera, Otávio (Danilo, 79′), Adrián (Brahimi, 82′) e Fernando Andrade (Soares, 45′)

SC Braga: Marafona, Sequeira, Raul Silva, Bruno Viana, Esgaio, Ricardo Horta (Ryller, 68′), Claudemir, Palhinha (Murilo, 68′), Wilson Eduardo, Fransérgio e Dyego Sousa (Paulinho, 74′)

A FIGURA
Fonte: FC Porto

Óliver – É momento de magia sempre que a bola vai parar aos pés do espanhol. É ele a figura maior de um FC Porto de duas caras. Com Óliver em campo, a fluidez de jogo acontece e o futebol azul e branco ganha o perfume que não tem quando faz da força e da profundidade a sua principal arma. Atenção, as duas fórmulas são absolutamente válidas e mérito para Conceição por ter uma equipa capaz de responder ao que o jogo e as contrariedades lhe pedem.

O FORA DE JOGO
Fonte: SC Braga

Dyego Sousa – Raramente teve oportunidade de fazer sobressair o seu instinto matador. Quando teve espaço na área, não foi capaz de aproveitar a escorregadela de Felipe e, no cara a cara com Fabiano, permitiu a defesa do compatriota. No restante do jogo, perdeu sempre para a defensiva portista nas tentativas de um para um.

BnR na Conferência de Imprensa

FC Porto

Sérgio Conceição

Outras respostas: “É preciso ter respeito pelo clube que está a disputar esta meia final connosco. É verdade que é uma vantagem que nos deixa contentes, mas faltam noventa minutos. Hoje deixou-me contente a prestação dos jogadores. Era importante dar seguimento ao que fizemos em Tondela e os jogadores interpretaram bem. Houve uma ou outra nuance diferente do jogo de Tondela, nomeadamente nas zonas de pressão. Estamos de parabéns, pela vitória contra uma equipa bem orientada”

“Não dou prémios a ninguém, jogam porque merecem. Dei sequência a um bom momento dos jogadores que me davam garantias para formar o onze mais forte para hoje. Depois começamos a analisar os jogadores que tínhamos no banco e a ver o que o jogo nos pedia. Somos um grupo competitivo mas há um respeito muito grande entre todos”

“O Danilo entrou e não o Marega porque era o que o jogo estava a pedir. Eu acho que era importante por causa das bolas paradas e do futebol direto do Braga. Ele deu estabilidade ao meio campo. O Brahimi entrou num momento que eu achei importante e o Tiquinho foi porque nos faltava um matador para responder aos cruzamentos”

“Gestão dos centrais? De acordo com o que é a estratégia para cada jogo. Até pode acontecer jogar com os três”

“O público está sempre connosco, há uma empatia muito grade. Sei que a casa já está esgotada para o clássico e isso deixa-me contente porque é uma mais valia, sem dúvida”

SC Braga

Abel Ferreira

Outras respostas: “Foi uma entrada equilibrada, mas a verdade é que o FC Porto criou duas oportunidades, num canto e num penálti. Fomos para o intervalo a perder e neste tipo de jogos, contra equipas experientes temos que aproveitar todas a oportunidade que temos. Tivemos oportunidade de reentrar no jogo com o 1-1, era uma oportunidade flagrante. Não está em causa o domínio do FC Porto. No resumo, foi demasiado penalizador o 3-0, porque poderíamos ter feito golos. Temos de perceber contra quem é que perdemos e como perdemos e dar já uma resposta no próximo jogo”

“Jogamos com uma equipa altamente competente e eficaz. É difícil, temos de admitir. É demasiado penalizador. O FC Porto teve mais domínio, é verdade. Optamos por dar iniciativa ao FC Porto na construção, depois não controlamos a profundidade na segunda parte. Já tentamos de tudo contra estas equipas. Mas em pormenores se vê a diferença. Os meus jogadores lutaram e quiseram e quando podíamos ter entrado no jogo não tivemos competência. Depois fomos muito fustigados com o ultimo golo”

Foto de Capa: Bola na Rede

artigo revisto por: Ana Ferreira

Ricardo Anselmo

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