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Depois de um jogo destes – em que é por demais evidente o destaque de Cristian Tello, que fez os três golos -, o mais fácil seria dar todos os louvores da vitória portista ao extremo espanhol. Contudo, e como tive o prazer de assistir ao clássico desta noite em pleno Estádio do Dragão, permita-me, caro leitor, que destaque uma exibição que para mim foi maior do que todas as outras – falo de Jackson Martinez. As assistências para os dois primeiros golos portistas poderiam ser motivo suficiente para este destaque ao avançado colombiano; mas, mais do que esses dois momentos, a exibição de Jackson teve diversos momentos de luxo que nos fazem perceber o porquê de ser atualmente um dos melhores avançados do futebol europeu.

Mas vamos por partes: o jogo desta noite era completamente determinante para FC Porto e Sporting. Por um lado, tínhamos uma equipa portista que havia visto, na véspera, o Benfica “despachar” o Estoril Praia com um cabaz dos antigas. Por essa razão, e para manter intactas as esperanças em ainda chegar ao título, a vitória era o único resultado possível para a equipa de Lopetegui. Do lado leonino – e depois de uma eliminação precoce da Liga Europa, frente ao Wolfsburgo -, o jogo desta noite podia funcionar como um verdadeiro catalisador para que a época sportinguista tivesse ainda motivos para sorrir esta época. Por isso, não foi de estranhar, ao contrário do que já se viu noutros clássicos esta temporada, a postura ofensiva de ambas as equipas. A primeira meia hora da partida foi um verdadeiro “jogo de sombras” no meio campo, com o Sporting a levar a melhor nos primeiros duelos nessa zona do terreno. Durante os primeiros 30 minutos, William, Adrien Silva e João Mário foram conseguindo superiorizar-se ao trio portista composto por Casemiro, Herrera e Evandro, que tiveram inúmeras dificuldades para construir jogo ofensivo.

Nesse primeiro terço da partida, apenas dois remates perigosos de Jackson e Herrera foram as exceções ao duelo tático que FC Porto e Sporting protagonizam. Contudo, e como acontece frequentemente em clássicos, um momento de génio fez pender de forma decisiva os pratos da balança. Com uma disputa de bola ganha por Herrera no meio campo, um domínio de peito e um passe de calcanhar de Jackson Martinez que permitiu isolar Cristian Tello, o FC Porto conseguiu chegar à vantagem no marcador. O golo do extremo espanhol acabou por alterar de forma decisiva a partida, levando a que o jogo se tenha tornado mais intenso e agitado. A vantagem no marcador fez o FC Porto crescer na partida até ao final do primeiro tempo – aproximando-se diversas vezes com perigo da baliza de Rui Patrício -, sendo que o Sporting acabou por acusar bastante o golo sofrido, nunca conseguindo reagir à desvantagem.

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Uma noite para Tello jamais esquecer
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

A segunda parte começou como havia terminado a primeira: com o FC Porto completamente por cima do Sporting. A equipa de Marco Silva entrou completamente irreconhecível, com os setores muito afastados entre si e com o trio ofensivo sem bola e sem ideias para criar perigo junto da baliza de Fabiano Freitas. Ao contrário do que havia acontecido no primeiro tempo, em que a equipa de Lopetegui havia entrado apática, o segundo tempo portista foi de uma classe como há já algum tempo não se via no Estádio do Dragão. Por isso, não foi de estranhar o acumular de situações perigosas junto da baliza de Rui Patrício, que acabou por ser o menor culpado do completo desacerto defensivo da equipa leonina.

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O segundo golo portista acabou por surgir com toda a naturalidade e com um desenho em tudo semelhante ao do primeiro tento azul e branco. Após ter feito o passe que isolou o extremo espanhol no lance do primeiro golo, a aliança Jackson/Tello voltou a funcionar de forma perfeita, com o colombiano a fazer um passe que rasgou a defesa leonina e que permitiu a Tello voltar a encarar Rui Patrício. Tal como havia acontecido no primeiro tempo, o espanhol ganhou o duelo ao português e o FC Porto dava assim a estocada decisiva no clássico.

O 2-0 foi um duro golpe para o Sporting, até porque, quando o golo surgiu, Marco Silva preparava-se para lançar Slimani e Capel no jogo. As substituições mantiveram-se mas o objetivo que se pretendia com as mesmas não foi conseguido. Do lado portista, a entrada de Quaresma para o lugar de Brahimi deu estabilidade ao jogo ofensivo dos dragões, que nunca mais deixaram de controlar a partida a seu bel-prazer. Com a gestão do resultado, o FC Porto foi conseguindo estar cada vez mais à vontade no clássico. Com Herrera e Evandro a secarem completamente o meio campo sportinguista e com Jackson Martinez a banalizar os centrais sportinguistas, a última meia hora portista teve rasgos de génio que, somente por mera infelicidade e eficácia, não levaram a um resultado completamente histórico esta noite.

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O Dragão engalanou-se para assistir um clássico português
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Ainda assim, no meio do domínio portista, ainda houve tempo para que Tello escrevesse o seu terceiro capítulo dourado neste jogo. Desta vez, o passe não foi de Jackson, mas sim de Herrera. Contudo, o resultado foi o mesmo: Tello isolado perante um desemparado Patrício que se limitou a ir buscar a bola pela terceira vez ao fundo das suas redes.

Numa noite em que Tello e Jackson foram as figuras maiores do clássico, o FC Porto conseguiu um resultado importantíssimo para a sua luta pelo título. Faltam 11 batalhas e só com a atitude desta noite será possível sonhar até ao último minuto deste campeonato. O futuro não será fácil mas, pelo que se viu neste clássico, penso que é óbvio que os adeptos portistas saíram do Dragão com confiança reforçada no futuro desta equipa. Uma equipa que tem crescido de forma sustentada e que se apresenta na fase decisiva da época no seu melhor momento. Agora, resta continuar a mostrar isso em campo. Só assim poderemos sonhar.

 

A Figura
Jackson/Tello – A santa aliança entre colombiano e espanhol decidiu o clássico. Relativamente ao avançado colombiano, a assistência para o primeiro golo portista é um momento de génio só possível pela capacidade enorme de Jackson e que ilustra bem o momento que o ponta de lança portista vive. Para Tello, este clássico foi um verdadeiro jogo de sonho, com o hat-trick a Rui Patrício a ser decisivo para a vitória portista.

O Fora-de-Jogo
Montero – A nacionalidade até é a mesma de Jackson Martinez, mas a exibição de Montero foi uma completa nulidade comparativamente à do seu adversário de setor. O avançado leonino nunca conseguiu criar perigo para a defesa contrária e não foi de estranhar ter sido substituído por Slimani. Exibição medíocre do colombiano.

Foto de capa: Página de Facebook de Tello