Publicidade

FC Porto 3-1 RB Leipzig: Susto alemão foi o despertador perfeito

Ricardo Anselmo · 4 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

fc porto cabeçalho

Segunda vitória na Liga dos Campões à custa de uma exibição que exigiu espírito de sacrifício, coração e…muita cabeça, que mesmo não parecendo, o FC Porto acabou por ter. Perante um Leipzig pressionante, forte e intenso, os azuis e brancos sentiram as dificuldades esperadas durante o primeiro tempo, apenas disfarçadas pelo golo fortuito de Herrera. A perspicácia de Sérgio Conceição e a inteligência tática da equipa para interpretar a ideia do treinador fizeram a diferença no segundo tempo.

Mudando o chip do campeonato para a Liga dos Campões, o FC Porto voltou a sentir dificuldades perante um adversário que o obrigou a rápidas tomadas de decisão (muitas vezes más) na primeira zona de construção, fruto de um bloco alto que preenchia bem os espaços e pressionava eficazmente a primeira linha dos azuis e brancos.

Aos 12’, surgiu a primeira de algumas contrariedades com que Sérgio Conceição e a equipa tiveram de se deparar. A lesão de Marega, numa fase precoce do jogo, obrigou à entrada de André André que, por sua vez, levou a uma alteração do figurino tático da equipa, que passou a estar disposta num 4-3-3, quando antes se dispusera em 4-4-2. Disso também se ressentiu (e muito) Aboubakar, sempre muito longe dos companheiros e sem soluções de apoio para quando a bola lhe chegava aos pés.

No meio de tudo isto surge, então, o tal golo portista, na sequência de um canto de Alex Telles, que Herrera, beneficiando de uma série de carambolas, aproveitou para inaugurar o marcador. Daí resultou um certo adormecimento da equipa portista que, salvo raras e tímidas tentativas em profundidade, pouco ou nada fez para voltar a incomodar Gulacsi. Do outro lado, morava um Leipzig que testou a evolução de um José Sá que há duas semanas havia comprometido em terras germânicas. E o barbudo estava mesmo evoluído, como o comprova a excelente defesa que aplicou para travar um livre batido com toda a força por Halstenberg.

Sérgio Conceição optou pelo mesmo onze que derrotar o Boavista Fonte: FC Porto
Sérgio Conceição optou pelo mesmo onze que derrotar o Boavista
Fonte: FC Porto

Ao intervalo, Hasenhuttl tirou um coelho da cartola com a entrada de Werner que, com apenas dois minutos em campo, deixou a sua marca bem vincada. Alguém no meio campo portista se esqueceu de Sabitzer e este, com classe, serviu o ponta de lança alemão que, pleno de oportunidade, aplicou uma chapelada a José Sá.

Estava feito o empate, que se revelou um excelente despertador para os azuis e brancos, que se aprontaram a tomar as rédeas da partida e a tomar conta do jogo. Aos 60’, Danilo cabeceou pouco por cima da barra, mas tratava-se apenas de um ensaio, já que um minuto depois, a cabeça do Sr. Comendador teleguiou a bola que saiu redondinha do pé de Alex Telles para o fundo da baliza de Gulacsi. Melhor reação seria impossível, e o dragão estava novamente por cima, pelo menos durante mais alguns minutos, até ao momento em que, do banco, vieram ordens para cerrar os dentes, fechar os punhos e sofrer, até à exaustão, perante as investidas finais de um conjunto alemão a quem um empate serviria na perfeição.

O azar haveria de voltar a bater à porta do FC Porto, não em forma de golo visitante, mas com mais uma lesão que desta feita assolou o mexicano Corona, até então um dos principais soldados na procura da defesa acérrima dos caminhos da baliza de José Sá.

No meio deste infortúnio, eis que a sorte e a perspicácia de Sérgio Conceição trouxeram ao jogo o uruguaio Maxi Pereira, o responsável pela machadada final no resultado, aproveitando da melhor maneira o balanceamento ofensivo dos alemães para, em contra ataque, municiado por Aboubakar, bater pela última vez o guardião alemão. Estava consumada uma vitória muito valiosa, não só pelos milhões que arrasta até aos cofres do Dragão, mas essencialmente pela porta que abriu para que a equipa consiga o apuramento para a próxima fase.

Como jogou o FC Porto:
Titulares – José Sá, Ricardo, Felipe, Marcano e Alex Telles; Danilo, Herrera, Corona e Brahimi; Marega e Aboubakar.
Substituições – Marega por André André aos 12’, Corona por Maxi aos 72’ e Brahimi por Reyes aos 87’.
Suplentes não utilizados – Casillas, Hernâni, Óliver e Sérgio Oliveira.
Golos – Herrera aos 13’, Danilo aos 61’ e Maxi aos 93’.
Cartões – Amarelo a Danilo aos 77’.

Como jogou o Leipzig:
Titulares – Gulacsi, Bernardo, Orban, Upamecano, Halstenberg, Kampl, Keita, Sabitzer, Forsberg, Bruma e Augustin.
Substituições – Bruma por Werner e Halstenberg por Klostermann ao intervalo e Augustin por Poulsen aos 75’.
Suplentes não utilizados – Mvogo, Konaté, Laimer e Demme.
Golos – Werner aos 48’.
Cartões – Amarelos a Halstenberg aos 42’ e Augustin aos 64’.

A FIGURA

Fonte: Wiki FC Porto
Fonte: Wiki FC Porto

Ricardo Pereira –  Mais uma grande exibição do lateral que hoje foi também extremo. Exímio tanto a trás como à frente, o jovem português está a caminhar para o ponto de rebuçado.

O FORA-DE-JOGO

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Brahimi – O argelino parece estar a voltar aos seus piores tempos, já desde a paragem para as seleções. Demasiado errático, com inúmeras perdas de bola, foi quase inconsequente e disso se ressentiu a equipa, em especial Aboubakar, órfão de Marega bem cedo na partida.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

 

 

Ricardo Anselmo

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quando a tática explica tudo e, mesmo assim, passa para 2.º plano | Torreense

Não é que a tática não seja importante. Ela é, aliás, crucial para entender o jogo e o seu caminho. Ainda assim, depois de dois golos dos descontos e de uma nova vitória - a primeira em casa - do Torreense, qualquer pensamento, qualquer sentimento, qualquer nota sobre o jogo tende a lembrar a magia de, não um, mas dois golos anotados nos descontos para mudar completamente o resultado e o apelo de um clube a uma prova. Só a tática, na forma como o Torreense se organizou 11x10, 10x11 e 10x10, explica uma vitória construída com base em pensamento, em estrutura e em alterações constantes, num dinamismo tal que precisa de múltiplos cantos para escrever uma epopeia. Mas também só a emoção ou, pelo menos, a capacidade de a exteriorizar, explica a forma como, quando todos já poderiam deitar a toalha ao chão, um clube da Segunda Liga se consegue superiorizar na Europa e, depois de sofrer uma reviravolta, responder na mesma moeda, depois de, em casa, perder pontos nos descontos, recuperá-los e triplicá-los. 

Diogo Ribeiro · 9 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.