Publicidade

FC Porto 4-1 FK Lokomotiv Moscovo: Estou sim, oitavos? Estamos quase a chegar!

Ricardo Anselmo · 6 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Ao 200.º jogo na Liga dos Campeões, os dragões somaram uma vitória que lhes permite praticamente a passagem aos oitavos de final da prova milionária. Herrera, Marega e Corona repetiram a dose da primeira volta, num jogo em que Otávio também faturou e Óliver foi mais uma vez o maestro que a equipa precisava.

Muita chuva e muito frio, com igual quantidade de vento à mistura, destoaram uma noite europeia de grande qualidade, igual às muitas que o Dragão, um pouco despido como se esperava, se habituou a testemunhar. Sérgio Conceição fez regressar a fórmula ‘champions’, reforçando o meio-campo com a única novidade da equipa, Herrera, e atribuindo a Marega as despesas do ataque.

Curiosamente, foi a esta dupla que o anfiteatro portista se vergou nos 45 minutos iniciais. Numa verdadeira entrada à campeão, ainda não estavam concluídos dois minutos nos placards do estádio e já as redes de um desamparado Guilherme abanavam pela primeira vez… e não era do imenso vento que se fez sentir. Numa combinação pela direita, Maxi serve Marega (o maliano faz um movimento esplêndido e vai buscar à linha de fundo) e este deixa atrás para Herrera, que sem ninguém na baliza só teve de encostar para o primeiro. Deu para aquecer, dirão uns, mas sobretudo foi o verdadeiro arrepiar de caminho rumo aos oitavos da prova maior dos clubes europeus.

Os russos jogavam perante condições climatéricas bastante aceitáveis para aquilo a que estão habituados e, sem nada a perder, iam aproveitando alguma lentidão que os portistas demonstravam nas transições defensivas para criar algum perigo.

Os irmãos Miranchuk tiveram uma boa oportunidade cada um deles. Primeiro Aleksei tirou tinta ao poste direito de Casillas, depois foi a vez de Anton rematar em jeito, mas o espanhol estava a controlar. O Porto sentia dificuldades em criar real perigo quando recuperava a bola em zonas adiantadas do terrenos, fruto da pouca largura que Corona e Brahimi ofereciam. Ainda assim, a caminho para o intervalo, Herrera tirou o ticket na portagem para que Marega percorresse toda uma auto estrada sem que brigada alguma o pudesse parar. Pois é, estava feito o segundo, depois de a bola passar por entre as pernas do guardião brasileiro do Lokomotiv. A primeira parte não terminaria sem que Maxi tentasse a sorte, de longe, mas sem sucesso.

A dupla mexicana esteve em destaque esta noite
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Para o segundo tempo, Semin decidiu-se pelo lançamento no jogo de Farfán, deixando Manuel Fernandes no balneário. A verdade é que o campeão russo entrou decido a dar uma outra imagem e, em apenas cinco minutos, fez soar os sinais de alerta junto da baliza de Casillas. Os dragões, algo surpreendidos, conseguiram contudo, afastar a pressão, depois de Herrera abrir na direita em Maxi, com o uruguaio a cruzar para o mergulho de Corona, que atirou ao poste.

Mas do outro lado estava mesmo uma equipa completamente transfigurada. Após um canto, Farfán, completamente solto, cabeceou sem hipóteses para Casillas. Tínhamos jogo para a última meia hora. O FC Porto sentia dificuldades, mas aí emergiu o mar Azul, a puxar pela equipa, a levantá-la e a conduzi-la a um triunfo importantíssimo nas contas azuis e brancas do grupo D. Óliver, que é de facto o maestro desta orquestra que está cada vez mais afinada, descobriu um corredor vazio onde deixar a bola, sempre redondinha, nos pés de Corona.

O mexicano, à imagem do que fizera há duas semanas na Rússia, abriu o livro. Tirou Idowu do caminho com classe e depois foi só fuzilar Guilherme. Parecia ter sido dada uma machadada nas aspirações dos homens de Yuri Semin, que veriam depois um momento bonito ao minuto 71, quando o Dragão aplaudiu de pé o compatriota Éder, que deu o lugar a Smolov. Até ao fim, de destaques apenas a chuva, que caía cada vez com mais intensidade e deixava o relvado do Dragão cada vez mais empapado. Ainda assim, Hernâni esteve perto de ampliar a vantagem para números que, se calhar, os russos já não mereciam. Mas Otávio não estava para complacências e fechou o resultado à bomba. Grande golo do brasileiro.

Onzes iniciais:

FC Porto: Casillas, Maxi, Felipe, Militão, Alex Telles, Danilo, Herrera, Óliver (Sérgio Oliveira, 84’), Corona (Hernâni, 77m), Brahimi (Otávio, 68’) e Marega.

Lokomotiv: Guilherme, Ignatyev, Howedes, Corluka, Idowu, Anton Miranchuk, Denisov, Krychowiak, Manuel Fernandes (Farfán, 46’), Aleksei Miranchuk e Éder (Somolov, 71’).

A FIGURA

Fonte: FC Porto

Óliver – Se o leitor ainda não o viu ao vivo, aconselho vivamente. É a personificação da classe em campo. A bola sai dos seus pés sempre com um laço em cima, e chega aos dos colegas com um perfume tal que é impossível não se render ao futebol deste prodígio espanhol. Marega, com um golo, uma assistência e um sem número de arrancadas que deixavam os russos de cabelos em pé, merece também uma menção honrosa.

O FORA DE JOGO

Fonte: Lokomotiv Moscovo

Manuel Fernandes – Saiu ao intervalo e não foi apenas por birra do treinador. O português esteve pouco consequente no ataque e a defender quase nunca foi uma ajuda para Idowu, que teve imensos problemas para segurar a dupla Maxi-Corona.

BnR na Conferência de Imprensa

Sérgio Conceição (FC Porto)

– Há sempre coisas a corrigir, cada jogo tem as suas dificuldades. Jogamos contra um adversário de qualidade que nos criou problemas. Nós queríamos dominar cem por cento mas não é possível. O Lokomotiv criou duas ou três situações, o que me perturbou foi a falta de comunicação entre os centrais, que é fundamental. E por vezes não foi boa. Nesse equilíbrio defensivo não estivemos tão bem. Permitimos ao adversário sair em transição e aí não gostei tanto. Foi uma boa exibição hoje perante condições de tempo não aconselháveis, na segunda parte o terreno estava muito pesado, mas demos uma excelente resposta e os jogadores estão de parabéns.

– Nós não pensamos e dois jogos ao mesmo tempo. É importante entrar forte e isso é uma imagem de marca. Entrar comprometido e cada um perceber o que tem de fazer. Conseguimos marcar de início e o que mais me agradou foi não abrandar e ir à procura do segundo.

– Nós fizemos um jogo contra o Feirense muito consistente e ninguém falou disso. Mesmo no último jogo na Madeira também estivemos sempre muito atentos e hoje, à imagem do que foi na Rússia, em alguns momentos, perdemos o equilíbrio. Andamos sempre à procura da perfeição, mas por vezes permitimos algo ao adversário.

– Optei por dar a titularidade neste jogo ao Herrera, faz parte da gestão. Eu tenho relatórios do médico, do adversário, da unidade de treino e depois decido em função disso. O Herrera treinou condicionado e tem vindo a ter alguma dificuldade.

– Não ligo muito a estatísticas. A porta não está aberta, está entreaberta. Falta um ponto. Eu lembro-me de uma época com Lopetegui em que, com dez pontos, não se passou. Temos de estar alerta e fazer um bom jogo aqui com o Schalke. O grupo é muito equilibrado. Disseram, quando fomos empatar à Alemanha, que o Schalke era mais fraco que o Qarabag, por exemplo, e isso deu-me vontade de rir.

 

Yuri Semin (FK Lokomotiv Moscva)

– Gostaria de parabenizar o FC Porto, em primeiro lugar. Os erros impediram-nos de levar os três pontos. Faltou-nos velocidade na defesa. O Porto tem jogadores rápidos como Marega, Brahimi e Corona que nos ultrapassaram em velocidade. Eles contra atacaram muito rapidamente.

– O Manuel Fernandes foi substituído porque jogou abaixo do nível dele.

– Naturalmente vamos continuar a lutar para conseguir o terceiro lugar, sei que ainda vamos pontuar e cada ponto vai ajudar-nos no ranking da UEFA e vamo-nos esforçar ao máximo para nos qualificarmos para a Liga Europa.

– A Liga dos Campeões é um torneio de altíssimo nível que não perdoa os erros. Se cometes erros não podes corrigir porque os adversários não admitem. Tivemos bastantes ocasiões mas faltou-nos equilíbrio entre a defesa e o ataque. Para nós é uma experiência.

artigo revisto por: Ana Ferreira

Ricardo Anselmo

Redação Bola na Rede · ver artigos