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FC Porto | Como tudo mudou

Rui Gonçalves · 4 min

FC Porto Jogadores
Foto: Carlos Silva / Bola na Rede

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Parece-me que esta direção do FC Porto tem uma ideia clara de como quer que a equipa jogue futebol

De há um ano para cá, tudo mudou na cidade Invicta. Hoje, o FC Porto chega à paragem para jogos internacionais isolado no primeiro lugar com sete pontos de avanço sob o segundo classificado (que tem um jogo a menos) e com apenas sete jogos por disputar até ao fim do campeonato. Não quero invocar as forças do oculto e ofender o adepto mais supersticioso, mas até o mesmo concordaria que o FC Porto está a um passo de ser campeão… pelo menos, só depende de si próprio.

Há que reconhecer mérito onde o há. André Villas-Boas está a completar a sua segunda época desportiva enquanto presidente do FC Porto e há uma clara visão para o futuro. Na temporada transata, a oportunidade dada a Vítor Bruno e a escolha de Martín Anselmi provaram-se insuficientes perante o estatuto do clube nortenho, diferente de Francesco Farioli, atual treinador do FC Porto. Não obstante, há pontos importantes a tirar desta panóplia de treinadores, e que vão para lá de ganhar ou perder.

Martín Anselmi e Francesco Farioli divergem em variados pontos no que toca a táticas e sistemas, mas são mais próximos do que parecem, pelo menos do ponto de vista ideológico: partem da mesma filosofia e têm por base a mesma escola, procurando aplicar os mesmos conceitos nas suas equipas. Desde já, através da forma como querem que as suas equipas construam desde a sua própria área e sejam capazes de descobrir as brechas na equipa adversária de forma livre e espontânea.

Aplicam-no, no entanto, de formas completamente diferentes e Farioli é mais rígido taticamente do que o argentino. Além disso, a experiência também o tornou mais pragmático e paciente, enquanto Anselmi expressa-se enquanto romântico e vertical. Mas a escola é a mesma. As ideias base são semelhantes.

Não será então por acaso que foram ambos contratados por André Villas-Boas. Parece-me que esta direção do FC Porto tem uma ideia clara de como quer que a equipa jogue futebol, e é consistente nela, o que tem colhido frutos na presente época.

Francesco Farioli FC Porto
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

É certo que apostar num treinador e não lhe dar condições para aplicar da melhor forma possível o seu estilo de jogo é o mesmo que nada, e também foi aqui que a estrutura do FC Porto demonstrou consistência e crença. O mercado de verão portista foi irrepreensível para efeitos de autêntica revolução no plantel, tornando-o apto e capaz de desempenhar um estilo de jogo intensivo baseado na pressão alta, tal como Farioli idealiza.

Claro também é que o mercado do verão não tornou o plantel portista perfeito, e havia falta de profundidade no mesmo. Talvez também por isso vimos um decréscimo de qualidade exibicional ao longo da época, uma vez que o cansaço acumulado se juntava ao facto de que o modelo de jogo do treinador italiano já não ser uma surpresa – como todos os outros, não é imbatível e as equipas foram percebendo como podem defender o FC Porto. Perante tal, além dos ajustes táticos que Farioli vai proporcionando, numa tentativa de encontrar soluções para os inúmeros blocos baixos que fazem oposição à sua turma, o mercado de janeiro do FC Porto foi perto do excecional, conferindo opções válidas para o plantel.

Oskar Pietuszewski FC Porto
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Oskar Pietuszewski, por exemplo, parece-me claramente o melhor reforço de inverno do campeonato português e é um jogador que mostra não só potencial tremendo, mas capacidade para ajudar a equipa no momento atual. No meio-campo, a chegada de Fofana trouxe a possibilidade de fazer descansar Froholdt e, ao mesmo tempo, não beliscar a qualidade individual e coletiva do FC Porto – o cenário é semelhante com a contratação de Thiago Silva. Por último, fui até crítico da contratação a título de empréstimo de Terem Moffi, mas com as lesões de Samu e Luuk de Jong, o clube foi obrigado a reforçar-se.

É também certo que é difícil Moffi, Fofana e Thiago Silva ficarem no plantel portista para o próximo ano, por diferentes razões, no entanto, o critério da estrutura do FC Porto para este mercado foi claro: reforçar a equipa no imediato. A estratégia resultou, neste momento o FC Porto dá-se ao luxo de poder rodar oito jogadores a cada jogo e não sentirmos diferença na qualidade exibicional.

Às vezes, o futebol não é tão complexo como os entendidos querem que seja, nem tão simples como o público gosta que seja. Eu não sei se o FC Porto vai fazer uma época histórica e ganhar o campeonato, Taça de Portugal e Liga Europa, se vai ganhar apenas um ou dois destes troféus, ou até mesmo se não vai ganhar nenhum. Entendo, contudo, que há uma ideia, um treinador que acredita nela, e esforços para acomodar o treinador.

Quando assim é, vai-se sempre estar mais perto de ganhar do que perder.

Rui Gonçalves

Redação Bola na Rede · ver artigos

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