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Esta segunda-feira confirmou-se a despedida de Óliver Torres do FC Porto. O médio espanhol segue para Sevilha e será orientado pelo mesmo treinador que o trouxe, pela primeira vez, para a cidade invicta, quando este tinha apenas 19 anos.

Quem me conhece e quem vai acompanhando alguns dos “bitaites” que lanço, semanalmente, neste espaço de opinião, sabe que sou um profundo admirador de Óliver e que o considero o jogador mais injustiçado desde que Sérgio Conceição assumiu o comando técnico da equipa. Portanto, é com enorme mágoa, e até revolta, que vejo partir aquele que considerava o melhor médio do futebol português. Sai sem ter mostrado todo o seu potencial e, com exceção da primeira temporada sob o comando de Julen Lopetegui, sai sem nunca se ter assumido o papel de maestro que, na minha ótica, sempre lhe esteve destinado.

Há algumas semanas escrevi neste espaço um artigo de opinião a projetar o futuro do clube sem Herrera. O mexicano estava de malas aviadas para Madrid e era importante encontrar o substituto. Utilizei o nome de Óliver para apregoar ou suplicar uma mudança no estilo que retirasse primazia à vertigem e ao jogo direto e que trouxesse à tona uma ideia de jogo assente na posse e rápida circulação. Queria perfume em vez de músculo. Parece não ser, de todo, essa a ideia dos responsáveis do clube.

Disse-o na altura e repito: “Óliver é um jogador sem igual no plantel e no futebol português. O dínamo espanhol é o melhor no capítulo do passe e a gerir os ritmos de jogo. A falta de oportunidades apenas pode ser justificada pela ideia de jogo de Sérgio Conceição para a equipa porque jamais poderá ser utilizado o argumento da qualidade. Óliver é exímio no controlo, na retenção e transmissão da bola e uma solução ideal para quem prefere privilegiar a circulação em detrimento da incessante procura da profundidade e do transporte de bola.

É, também, importante contrariar o argumento, tantas vezes utilizado para justificar a sua falta de utilização, que se prende com a suposta dificuldade do espanhol no momento defensivo. Para além de ser o melhor no capítulo do passe e a gerir os ritmos de jogo, nunca perde agressividade no momento defensivo.

Óliver já não faz parte da comitiva que seguiu para o Algarve
Fonte: FC Porto

Sérgio Conceição afirmou há meses que o jogador fez trabalho específico no sentido de melhorar esse capítulo do seu jogo, mas eu, como tenho vindo a proclamar, considero que essa nunca terá sido uma lacuna, mas sim mais uma das suas qualidades. Óliver é talentoso, mas operário, e compensa a falta de robustez física com uma inteligente ocupação dos espaços e com uma capacidade de desarme invulgar para um jogador tão tecnicista. Um prodígio.”

A juntar a tudo isto, Óliver demonstrou sempre um enorme carinho e empatia pelo clube, pela cidade, pelos adeptos e pelos portuenses em geral. Mostrou-o enquanto cá esteve e não deixou de o expressar, numa sentida e bonita mensagem à família portista, no momento da despedida. São 12M€ a entrar em caixa por um jogador que custou 20M€ e a quem reconheço potencial para valer muito mais. É mais um ato de gestão que não posso deixar de repudiar e o maior erro de Sérgio Conceição desde que chegou ao clube.

Assim, não obstante a gratidão e reconhecimento que tenho pelo trabalho desenvolvido por Sérgio Conceição no clube e o facto de continuar a ser um acérrimo defensor do seu trabalho e da sua permanência, considero Óliver a grande pedra no sapato da vigência do treinador portista e a página mais triste e negra do legado que Sérgio Conceição deixará quando partir.

Por fim, termino dirigindo-me, agora, a ti, caro Óliver. Apesar do sentimento de tristeza e impotência por te ver partir, não consigo deixar de ficar feliz por ti e por acreditar que vais, finalmente, poder demonstrar todo o teu potencial e espalhar essa qualidade que encanta qualquer verdadeiro apreciador de futebol.

Terás um treinador que, apesar dos seus inúmeros defeitos, vai apostar em ti e que tem uma ideia de jogo que privilegia os teus atributos. Acredito que, não tarda, estarás na seleção espanhola, darás o salto para um clube da tua dimensão futebolística e, acima de tudo, muitos portistas de dentro e fora da estrutura diretiva e técnica se arrependerão de te deixar partir. Boa sorte Oli.

Foto de Capa: FC Porto

Bernardo Lobo Xavier
Bernardo Lobo Xavierhttp://www.bolanarede.pt
Fervoroso adepto do futebol que é, desde o berço, a sua grande paixão. Seja no ecrã de um computador a jogar Football Manager, num sintético a jogar com amigos ou, outrora, como praticante federado ou nos fins-de-semana passados no sofá a ver a Sporttv, anda sempre de braço dado com o desporto rei. Adepto e sócio do FC Porto e presença assídua no Estádio do Dragão. Lá fora sofre, desde tenra idade, pelo FC Barcelona. Guarda, ainda, um carinho muito especial pela Académica de Coimbra, clube do seu pai e da sua terra natal. De entre outros gostos destacam-se o fantástico campeonato norte-americano de basquetebol (NBA) e o circuito mundial de ténis, desporto do qual chegou, também, a ser praticante.

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