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Fibra de campeão

Bernardo Lobo Xavier · 4 min

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O FC Porto podia, nesta altura, ser líder isolado da Liga NOS. O FC Porto devia, ao dia de hoje, ser líder isolado da Liga NOS.

O que sucedeu ontem no Estádio do Dragão foi uma lição para toda a Nação Portista e uma prova de que aquela fibra de campeão, que sempre caracterizou o clube, já não mora na Invicta. Foram largas jornadas consecutivas numa caminhada triunfal, vitória após vitória, na expectativa de que o líder escorregasse. Aconteceu no passado sábado e o Porto tinha, num jogo em casa perante 50 mil adeptos, uma oportunidade de ouro de consumar a subida “ao lugar onde quer estar”. Não conseguiu e é necessário perceber o porquê, aprender a lição e “levantar a cabeça o mais rápido possível”.

Era um jogo fundamental para o clube e o clima que se viveu ontem à tarde no Dragão foi mais de nervos e tensão do que de apoio e festa. Os jogadores entraram nervosos e a bancada não ajudou. O FC Porto não fez um mau jogo e, porventura, terá feito mais do que suficiente em campo para levar de vencido o Vitória FC mas esteve errático no passe e na finalização e o discernimento dos jogadores foi afetado pelo nervosismo que se vivia na bancada. Desde já quero fazer um mea culpa.

Eu fui um dos milhares dos que lotaram o Estádio do Dragão e que transmitiu mais ansiedade à equipa do que apoio e confiança. Os adeptos desesperavam por golos e acabaram por prejudicar a equipa no seu processo. Na noite em que mais era necessária, faltou a paciência.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Não consigo deixar de olhar para tal situação como um sinal dos tempos. Podemos (os portistas) continuar a viver do passado e pensar que o Porto continua a ser o clube hegemónico que outrora mostrou ser mas a verdade é que a seca de títulos começa a pesar no sub consciente de todos os portistas e essa ânsia de vencer, pela primeira vez esta época, prejudicou o clube. Também tem sido ela a alavancar a equipa para a recuperação na tabela classificativa mas quando se tratava de ascender ao primeiro lugar a equipa e adeptos soçobraram.

Há que tirar ilações, há que ter a humildade de reconhecer que depois de três anos de fracassos não soubemos (clube e adeptos) lidar com a pressão de poder assumir aquele lugar que chegou a ser nosso por direito. E voltamos à estaca zero. Continuamos a correr atrás do prejuízo.

Foto de Capa: FC Porto

Pode dizer-se que não estamos pior agora do que estávamos há 48 horas mas é pura ilusão. Estamos substancialmente pior porque falhámos, porque quebrámos a onda positiva, porque juntos fomos mais fracos do que fortes e porque não soubemos lidar com a pressão. Faltou fibra de campeão e isso só pode preocupar. O nosso rival estava moribundo e nós demos-lhe oxigénio, o nosso rival estava deitado e nós levantamo-lo, nós estávamos a um passo do céu e permitimo-nos, num jogo em casa, a descer às profundezas do inferno.

Todo este cenário apocalítico terá forçosamente que ter o condão de tocar no orgulho de cada portista. Porque ontem, mais do que nunca, cada um de nós foi culpado do que se passou e deve assumir as suas responsabilidades. Nada está perdido, pelo contrário. Hoje, cada portista está mais forte, cada portista está mais preparado e todos os portistas devem estar mais unidos. Não podemos e não voltaremos a falhar.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Em suma, o que se passou ontem foi um falhanço coletivo de um clube, de uma cidade, de uma “nação”. Temos agora a palavra, todos nós. Dirigentes, treinadores, jogadores e adeptos. Todos serão necessários e fundamentais nas 8 batalhas que restam. Unidos, fortes, confiantes e pacientes. No estádio da Luz só um resultado interessa e se cada portista fizer o seu papel, no dia 1 de abril assumiremos o primeiro posto e não mais o largaremos. Um por todos e todos por um.

Nota final: Não posso deixar de condenar o comportamento do Vitória FC no jogo de ontem. Sei e compreendo que, por vezes, as equipas de menor dimensão se veem forçadas a usar o anti-jogo como arma até para que se possam reorganizar e suster a pressão a que estão a ser sujeitos. No entanto, o comportamento anti-desportivo dos jogadores setubalenses foi exagerado e só pode ser apelidado de vergonhoso. Julgo que a estes factos não será alheia a ligação de alguns dos seus jogadores ao rival direto do FC Porto na luta pelo título. Dizer, ainda, que o árbitro esteve bem a penalizar (com um total de 12 minutos de descontos) este tipo de comportamentos. Já não esteve tão bem a avaliar certos lances dentro da área do Vitória. Mas hoje não utilizarei desculpas de mau pagador ou, neste caso, mau perdedor.

Somos Porto.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Diana Martins

 

Bernardo Lobo Xavier

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