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Frente a frente: Estará o FC Porto ao nível dos tubarões europeus?

José Mário Fernandes · 6 min

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Antes de dizer adeus a 2018, qualquer adepto de futebol de respeito acaba sempre por dar uma vista de olhos nas classificações dos principais campeonatos europeus, de modo a verificar a composição das tabelas classificativas dos diversos países. De entre as informações que mais se procuram, destaca-se o líder do campeonato: todos queremos saber quem lidera internamente e em que condições o faz. Partindo desse princípio, não há nada mais justo do que colocar os líderes dos principais campeonatos europeus (incluído o “nosso” líder FC Porto) frente a frente, com o objetivo de responder a duas questões: estará o FC Porto no mesmo patamar dos restantes líderes europeus?  E quem é o melhor primeiro classificado na Europa?

FC Porto

Fonte: FC Porto

Bom, comecemos pelo que é nosso, o líder da Liga NOS: FC Porto. Nas 14 jornadas decorridas até à data, a turma de Sérgio Conceição conseguiu alcançar a marca de 36 pontos, resultantes do registo de 12 vitórias e 2 derrotas dos dragões. Esses tais 36 pontos revelam um aproveitamento pontual de 86%, aproximadamente, e permitiram ao FC Porto estabelecer uma diferença de 4 pontos para o Benfica, segundo classificado. A nível de golos, os azuis e brancos são a melhor defesa portuguesa com 9 golos sofridos (0.6 por jogo, em média); relativamente à “outra baliza”, o FC Porto conseguiu esticar as redes do adversário em 30 ocasiões, evidenciando uma média de 2.1 golos por jogo.

Ainda internamente, está vivo em todas as restantes competições (Taça de Portugal e Taça da Liga) e, a nível europeu, conseguiu a qualificação em primeiro lugar para os oitavos de final da Liga dos Campeões, onde irá defrontar a Roma.

FC Barcelona

Fonte: FC Barcelona

Viajamos agora para o país vizinho. Na La Liga, apesar de algumas surpresas ocorridas no início da prova, o Barcelona conseguiu sedimentar o seu lugar na liderança do campeonato através dos seus 11 triunfos, 4 empates e 2 derrotas, num total de 17 jornadas. Apesar de um Real Madrid numa fase conturbada, os catalães não conseguiram fazer um início de campeonato brilhante (apesar de longe de ser mau), com um aproveitamento de “apenas” 73%.

Mas, se os pontos não traduziram o poderio dos blaugrana, os golos traduzem: 48 golos marcados (2.8 por jogo) revelam uma propensão ofensiva enorme da parte dos comandados de Ernesto Valverde. Contudo, se olharmos para o outro lado, para a vertente defensiva, o Barcelona não transmite um brilhantismo semelhante: 19 golos sofridos em 17 golos, isto é, uma média superior a 1 golo sofrido por jogo. São números, portanto, que fazem com que o líder esteja em quinto lugar no quesito “defesa menos batida”. Fora de portas, o Barcelona conseguiu qualificar-se também para os oitavos da Champions e, internamente, encontra-se na liderança do campeonato com uma margem de 3 pontos para o segundo classificado (Atlético de Madrid) e nos oitavos da Taça do Rei.

Liverpool FC

Fonte: Liverpool FC

Viremos atenções, desta vez, para a Premier League. Indiscutivelmente um dos campeonatos mais disputados do mundo, a Premier League tinha assistido na última temporada a um “passeio” por parte do Manchester City que muitos perspetivavam que voltasse a acontecer na época 2018/19.

Contudo, o Liverpool conseguiu provar que esses analistas estavam equivocados com uns impressionantes 51 pontos em 57 possíveis (89% de aproveitamento pontual) e com uma invencibilidade que já dura há 19 jornadas; a nível defensivo é uma das referências a nível europeu pela sua média inferior a 0.5 golos sofridos por jogo (7 no total). Todavia, o registo atacante não fica atrás: 43 golos marcados em 19 jogos (2.3 golos por jogo), sendo, portanto, em números absolutos, o segundo melhor ataque internamente. Tudo isto contribuiu para a vantagem de 6 pontos que os Reds conseguiram abrir sobre o Tottenham, atual segundo classificado.

Na liga milionária, apesar das dificuldades vividas, os ingleses conseguiram o segundo lugar no grupo C e, consequentemente, estarão presentes na fase a eliminar da competição, onde enfrentarão o Bayern de Munique. Internamente, está atualmente presente numa das duas taças que disputou, devido à eliminação precoce na EFL Cup, frente ao Chelsea, nos dezasseis-avos.

Juventus FC

Fonte: Juventus FC

Em Itália, nenhuma surpresa. A Juventus continua a monopolizar por completo o primeiro lugar na Serie A. Desta vez, com o contributo de Cristiano Ronaldo, a formação de Turim conseguiu atingir a marca de 18 jogos sem conhecer o sabor da derrota (16 vitórias e 2 empates), atingindo um aproveitamento exorbitante de 93%. Quer a nível ofensivo, quer a nível defensivo, a formação bianconeri é o destaque em Itália, possuindo os melhores registos em ambos os quesitos (36 golos marcados e 10 sofridos).

Devido a esse começo fulgurante da Juve, a equipa comandada por Massimiliano Allegri abriu uma vantagem de 9 pontos para o segundo classificado, o Nápoles. Da mesma forma que os outros líderes se qualificaram para os oitavos de final da Champions, a Juve também garantiu lugar no mata-mata da prova milionária ao vencer o grupo H.

Borussia Dortmund

Fonte: Borussia Dortmud

Se em Itália a Juventus conseguiu segurar o monopólio, na Alemanha o Bayern deixou escapar o seu. E quem aproveitou esse deslize foi o Borussia Dortmund, que conseguiu “capturar” o primeiro lugar depois de 13 vitórias e 3 empates em 17 jornadas, obtendo, inclusive, uma vantagem de 6 pontos para os rivais de Munique.

Com um aproveitamento de 82%, a turma de Lucien Favre destaca-se também no registo ofensivo, com uma média de 2.6 golos por jogo (44 no total). Defensivamente é a segunda melhor defesa da prova com 18 golos sofridos em 17 jornadas. Na Liga dos Campeões repete-se o clichê: o Borussia jogará contra o Tottenham na próxima fase desta competição. Conseguiu atingir também os oitavos de final na taça interna.

PSG

Fonte: PSG

Acabamos esta viagem em França, mais precisamente em Paris, para falar do PSG. A equipa de Neymar, Cavani, Mbappé e companhia é mais uma equipa, juntamente com a Juventus, que consegue um aproveitamento pontual absolutamente fantástica: 92%; 47 pontos de 51 possíveis é este o resultado da invencibilidade dos parisienses na Ligue 1, que já levam 15 vitórias nos primeiros 17 jogos do campeonato.

A nível de golos, o PSG obtém também um lugar de destaque de entre os líderes dos principais campeonatos europeus: com um extraordinário registo de 50 golos marcados e apenas 10 sofridos, a equipa de Thomas Tuchel é também líder defensiva e ofensivamente da Ligue 1. E, só para fechar com chave de ouro, apesar de ter menos dois jogos que o segundo classificado, a equipa da capital francesa conseguiu distanciar-se (e muito) do Lille: são 13 pontos que separam ambas as formações. Na Champions, venceu o grupo C, onde também estava o Liverpool, e jogará frente ao Manchester United em 2019, na fase a eliminar da prova.

Veredito

Após esta análise é possível atribuir um estrondoso “sim” à pergunta “Estará o FC Porto ao nível dos restantes líderes europeus?”. Apesar de o FC Porto não ser claramente o líder que mais brilhou neste segundo semestre de 2018, acaba por não ter também um registo inferior ao Barcelona, por exemplo. Portanto, podemos afirmar que, sem qualquer margem para dúvidas, sim, o FC Porto pertence ao grupo dos “gigantes”.

Quanto ao posto de melhor líder europeu, a disputa, a meu ver, fica entre Liverpool, Juventus e PSG. Porquê? Devido ao seu aproveitamento pontual a rondar os 90%, os seus registos relativos a golos extremamente positivos e a distância considerável que possuem para os segundos classificados. Contudo, sendo forçado a escolher apenas um deles, ficaria com o representante francês, não só pela média de 3 golos marcados por jogo, aproximadamente, como também pelo facto de ter uma vantagem pontual para o segundo classificado muito dilatada (apesar de ter menos jogos) e pelo facto de ter conseguido o primeiro lugar no chamado “grupo da morte” da Champions. Portanto, todos estes fatores culminam na conclusão de que o PSG é o melhor líder europeu.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Ana Ferreira

José Mário Fernandes

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