A CRÓNICA: O COELHO SAIU DA CARTOLA E O GIL VICENTE SAIU DA TAÇA

O último jogo dos quartos-de final da Taça de Portugal teve lugar no Estádio Cidade de Barcelos e opôs o Gil Vicente FC e o FC Porto. Os portistas tiveram de contar com alguns jogadores indisponíveis para o encontro, dado os procedimentos relativos à COVID-19. Já do lado do Gil Vicente, tudo parecia sereno e tranquilos nos comandados de Ricardo Soares. A nível estatístico, o recorde de confrontos entre as duas equipas na competição era totalmente favorável aos dragões, mas Ricardo Soares e os seus gilistas queriam o volte-face.

Os minutos iniciais, a contas com o dilúvio sentido, foram de pressão ofensiva do Gil Vicente. O FC Porto encontrou, durante os primeiros dez minutos, o contra-ataque como solução para conseguir chegar à área adversária com perigo. Na primeira ocasião, depois de um contra-ataque que necessitou apenas de três toque para a equipa portista chegar à área adversária, foi Luis Díaz que teve nos pés a oportunidade de inaugurar o marcador, mas o lance acabou invalidado por fora de jogo.

No entanto, nem foi preciso uma terceira porque, à segunda foi de vez. Aos dez minutos, Díaz conseguiu cortar a bola num duelo com Joel, perto da linha de meio-campo. O colombiano levou a bola até à grande área do Gil Vicente e apenas lhe bastou passar a Corona, que encostou, de forma vistosa, para o primeiro golo dos dragões.

Depois da inauguração do marcador, o jogo acabou por ficar algo partido no meio-campo. Deixaram de existir oportunidades flagrantes para qualquer um dos lados, apenas aproximações às áreas. Aos 35 minutos, a melhor oportunidade dos gilistas na primeira parte surgiu por Claude Gonçalves. O médio do Gil Vicente puxou a bola para o pé esquerdo, trocando as voltas a Pepe, mas Diogo Costa acabou a defender o remate que podia igualar o marcador (caso não tivesse sido invalidado por fora de jogo igualmente).

Com o recolher aos balneários para o tempo de intervalo, quem não se recolheu de maneira alguma foi a chuva que veio dificultar ainda mais o trabalho dos jogadores em campo. Quem pareceu indiferente ao dilúvio foi Luis Díaz que, logo no início da segunda parte, criou dois lances de perigo dentro da área gilista.

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Os dragões entraram com tudo na segunda metade, com uma transparência total da vontade de deixar o jogo resolvido o mais cedo possível. Mas como o futebol é o que é e a bola é redonda, a primeira oportunidade mais que flagrante de golo na segunda parte veio do Gil Vicente. Numa jogada entre a mais recente contratação gilista, Pedrinho, e Samuel Lino, que fizeram chegar a bola a Lucas Mineiro, a bola bateu com grande estrondo no poste esquerdo da baliza de Diogo Costa. Aos 54 minutos, a turma de Barcelos mostrou que não estava morta no encontro.

Nem cinco minutos foram precisos para o Gil Vicente mostrar perigo novamente. Fujimoto entrou na partida para fazer mossa. Assistiu para Samuel Lino que esteve a centímetros de igualar o marcador.

A 15 minutos do final da partida, o FC Porto tornou-se algo passivo e o Gil Vicente começou a subir no terreno. Ricardo Soares já tinha feito todas as substituições permitidas até então, apesar de ser de senso comum que os dragões, mesmo em desvantagem no terreno, não deixaram de estar em vantagem no marcador e podiam, a qualquer momento, “tirar o coelho da cartola”.

E esse mesmo coelho acabou mesmo por sair da cartola. Ou possivelmente o contrário, dado que foi Taremi a puxar do chapéu por cima de Bernardeau aos 88 minutos. Uma finalização de qualidade que valeu um aumentar de vantagem no marcador para o FC Porto que vencia, e venceu, por 2-0.

 

A FIGURA

Quem pareceu indiferente ao dilúvio foi Luis Díaz que, logo no início da segunda parte, criou dois lances de perigo dentro da área gilista.
Com a velocidade e a profundidade sempre em mente, Luis Díaz é a principal fonte de irreverência portista
Fonte: Bola na Rede

Luis Díaz – O avançado colombiano do FC Porto foi uma figura incontornável no encontro. Esteve presente em, praticamente, todos os momentos de decisão da ofensiva portista. Tudo o considerado como oportunidade de golo teve, algures, uma passagem nos pés de Luís Diaz. O “sete” do FC Porto fez definitivamente a diferença na equipa de Sérgio Conceição.

 

O FORA DE JOGO

Quem pareceu indiferente ao dilúvio foi Luis Díaz que, logo no início da segunda parte, criou dois lances de perigo dentro da área gilista.
Carlos Silva / Bola na Rede

Joel Pereira – O lateral do Gil Vicente causou problemas, e podiam ter sido mais. Foi ele quem perdeu a bola que deu origem ao golo do FC Porto, após um erro algo grosseiro perante os jogadores portistas. Para além disso, arriscou demasiado com a bola em zona proibida. A manutenção da bola em posse e os passes tardios perto da área de Bernardeau podiam ter custado ainda mais ao Gil Vicente.

 

ANÁLISE TÁTICA – GIL VICENTE FC

Ricardo Soares construiu a base do onze inicial dentro de um 4-3-3. Bernardeau ocupou o lugar de Denis na baliza e Ygor Nogueira ocupou a zona central da defesa a par de Rodrigo. Joel Pereira e Henrique Gomes foram os laterais de serviço.

João Afonso, Lucas Mineiro e Claude Gonçalves continuaram a comandar o meio-campo, com a missão de ajudar os homens da frente, Baraye e Lourency (que tiveram a vida dificultada à custa dos laterais azuis e brancos) a servir Samuel Lino.

 

ONZE INICIAL E PONTUAÇÕES 

Bernardeau (6)

Joel (4)

Rodrigo (5)

João Afonso (5)

Lourency (5)

Claude Gonçalves (6)

Baraye (5)

Lucas Mineiro (6)

Samuel Lino (6)

Ygor Nogueira (6)

Henrique Gomes (6)

 

SUBS UTILIZADOS

Pedrinho (6)

Ruben Fernandes (6)

Fujimoto (6)

Talocha (5)

Abbas (6)

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

Sérgio Conceição alinhou a equipa num 4-4-2. Diogo Costa segurou as redes da baliza, com a linha defensiva construída por Pepe e Mbemba na zona central e Zaidu com Manafá nas laterais. Os laterais do FC Porto encontravam-se bastante projetados no terreno, o que comprometeu a jogabilidade dos gilistas Baraye e Lourency.

A zona central do meio-campo foi ocupada por Grujic e Uribe. Corona e Otávio atuaram como extremos bastante chegados às linhas, num jogo em que o FC Porto optou por jogar bastante pelo flanco esquerdo de Otávio. Os homens-alvo de serviço foram Taremi e Luis Diaz, num jogo em que o habitual Marega nem no banco de suplentes se encontrou.

 

ONZE INICIAL E PONTUAÇÕES

Diogo Costa (6)

Pepe (6)

Luís Diaz (7)

Uribe (6)

Taremi (5)

Zaidu (6)

Grujic (6)

Corona (6)

Manafá (6)

Mbemba (6)

Otávio (6)

SUBS UTILIZADOS

Sérgio Oliveira (6)

Fábio Vieira (-)

Felipe Anderson (-)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

 

Gil Vicente FC

Questão: A projeção dos laterais do FC Porto dificultou a vida a Baraye e a Lourency. Acha que essa função dos jogadores portistas acabou por “estragar” os planos que tinha para o encontro e para os seus jogadores?

Ricardo Soares:  Já estávamos à espera dessa situação. Sabemos que o Manafá é um jogador que quebra muito bem as linhas, não só pela sua envolvência no ataque como pela sua velocidade. É um jogador muito rápido, um jogador que, vindo de trás, tem uma velocidade enorme para chegar à frente. E o Zaidu é precisamente a mesma coisa. São dois jogadores que quebram muito bem as linhas e têm uma enorme qualidade. Nós não fomos surpreendidos por aí. O FC Porto não nos criou assim muito pelos corredores. Criou mais problemas quando tínhamos bola e eles reagiam à perda de bola de uma forma brutal e agressiva. Eles conquistavam a bola na altura em que nós estávamos preparados para atacar. Esse momento foi determinante para o FC Porto nos criar instabilidade, fruto dessa zona pressionante que eles definiram. Nos momentos em que ganhavam bola, a minha equipa estava mal posicionada e foi isso que fez com que o FC porto nos criasse dificuldades.

 

FC Porto

Não foi possível colocar questões ao técnico do FC Porto, Sérgio Conceição.