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Grito de revolta

Rafael Velho · 3 min

Grito de revolta

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Mas o que vem a ser isto? As palavras proferidas por Jorge Nuno Pinto da Costa na entrevista ao Porto Canal em janeiro não fizeram qualquer sentido ou efeito. Para os mais desligados da atualidade é de notar que uma equipa como o Futebol Clube do Porto ainda não se pronunciou sobre o assunto “treinador”. Numa semana em que até o Manchester United já oficializou Mourinho ou em que já se oficializaram sete mexidas de treinadores na primeira liga, a SAD dos Dragões continua a ser vítima de rumores nos jornais desportivos e continua a oferecer uma dose máxima de preocupação aos seus adeptos.

Confesso que sou uma pessoa paciente. Não me alarmei com o discurso de José Peseiro no final da Taça de Portugal, em que o mesmo disse que já estava a preparar a próxima época há algum tempo, porque acreditei, ingenuamente, que a SAD azul e branca tinha acordado e que já não andava a dormir. Também não me preocupei durante os primeiros dias da semana porque o FC Porto participou num jogo de final de época em que Marega mostrou a qualidade fenomenal que tem (para os mais desatentos esta afirmação é fruto de uma ironia gigantesca). Mas agora, tal como toda a nação portista, preocupo-me. Até o SL Benfica, que foi campeão, já se movimentou no mercado, nomeadamente com a venda de Renato Sanches, e até o Sporting CP já renovou com Jorge Jesus. Estes rivais fizeram uma época melhor que o FC Porto a todos os níveis e já estão a mostrar que estão a preparar a próxima época. Já os Dragões ficam-se pelas palavras de José Peseiro e sem nenhuma atitude da SAD.

Para mim basta. Não me venham com falta de mística quando o FC Porto tem um plantel que, ao ser bem aproveitado, pode transbordar mística e sentimento no que diz respeito àquilo que é ser FC Porto. Não acreditam? André André, Sérgio Oliveira, Rúben Neves, André Silva e futuramente Josué. Será tão difícil construir um plantel em redor destes jogadores? E estou a excluir atletas com uma qualidade enorme como Danilo Pereira, Layún e Maxi Pereira, que já deram provas de que são jogadores que nasceram para jogar à FC Porto: com qualidade, raça e ambição.

A mística está cá. Sempre esteve. Não foi aproveitada Fonte: FC Porto
A mística está cá. Sempre esteve. Não foi aproveitada
Fonte: FC Porto

Não, meus amigos. A SAD é que tem fracassado e Jorge Nuno Pinto da Costa não tem mão para segurar abutres como Antero Henrique ou o seu próprio filho. Neste momento a minha paciência esgotou-se tal como a de toda a nação portista. Será que o problema é irreversível? O problema está para além do treinador. O problema está na liderança. Liderança essa que está amorfa e não tem coragem para dar explicações àqueles que lhes pagam os salários e vivem intensamente o clube.

Sim, o clube precisa de uma dupla de centrais com qualidade. Sim, o clube precisa de um extremo que não esteja a pensar em ir para a Premier League. Sim, o clube precisa de um avançado para render André Silva quando o jovem estiver desinspirado. Mas o resto das soluções está dentro de casa, está em empréstimos ou na equipa B. E é urgente que o plantel seja reconstruído. Afinal de contas já está marcado para Agosto um playoff da Liga dos Campeões que é importantíssimo para as finanças do clube.

É disto que o FC Porto vive. De uma direção que é incapaz de dar tranquilidade à sua massa associativa e que não quer trabalhar. É que já deu para perceber que a preguiça está a reinar nos lados do Dragão. Por último fica este desabafo: se em vez de investirem em publicações sem nexo, como os Dragões Diários, e se soubessem dar a cara à luta dariam um grande passo de reconciliação e de afirmação. Espera-se e ambiciona-se mais, FC Porto.

 

Artigo revisto por: Manuela Baptista Coelho

Rafael Velho

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