Cresci, enquanto adepta de futebol, a vê-lo jogar e a tê-lo como um ídolo. Hoje, o coração de todos está ao lado do dele, depois de um susto que poderia ter tido contornos mais graves. Iker Casillas é uma referência para várias gerações e ultrapassará este momento com a força que todos sabemos que tem e como o verdadeiro campeão que é.

O treino desta manhã ficou marcado pelo enfarte agudo do miocárdio que Casillas sofreu. Um susto que acabou por, ao que tudo indica, não passar disso, mas que atirou o guarda-redes para a sala de operações. As notícias foram inundando as redes sociais e rapidamente todos foram sacudidos pelo choque.

Somos habituados a ver nos jogadores de futebol o expoente máximo da força. Lesionam-se e recuperam, caem mas levantam-se, sofrem mas voltam mais fortes. Somos também habituados à ideia de que uma alimentação saudável e a prática de desporto são fundamentais para evitar problemas cardíacos: algo que eles têm todos os dias de todas as semanas. Por isso mesmo, o confronto com um momento destes torna-o ainda mais difícil de aceitar, mais inacreditável.

Nestes momentos, percebemos que também eles são humanos, não os intocáveis que às vezes cremos que são. E percebemos que as rivalidades pouco importam para lá das quatro linhas. Hoje, não foram só os portistas que foram abalados por esta notícia, foram todos os adeptos de futebol, um pouco por todo o mundo. Com 37 anos e a maior parte deles passados nos relvados, Casillas é um ídolo para várias gerações, para adeptos de vários cantos do mundo. E nesta altura, de todos esses cantos do mundo, vão chegando mensagens de força que ele certamente irá ler.

Casillas sofreu esta manhã um enfarte aguda do miocárdio
Fonte: FC Porto

Recordo-o no Real Madrid FC, um dos poucos que admirava no clube, uma vez que a minha preferência sempre recaiu para os lados de Barcelona. Recordo-o ao serviço da Seleção Nacional Espanhola, a ser Campeão Europeu, Campeão do Mundo e novamente Campeão Europeu. E recordo o dia em que soube que o clube que ele sempre amou lhe havia “virado as costas”. Mas recordo ainda mais o dia em que soube que ele ia vestir a camisola do meu FC Porto e, confesso, recordo dessa altura um misto de sensações: a certeza (e tristeza) de que o FC Porto iria fazer a Helton o mesmo que foi feito a Casillas, a incredulidade de poder passar a ver de perto um senhor do futebol, a certeza de que um gigante se ia juntar ao Dragão.

Hoje, ficou comprovado que todos somos falíveis, a qualquer momento, e que o futebol é uma linguagem universal capaz de unir todas as cores, todos os emblemas, nos momentos em que assim é necessário. Dentro de campo, são onze contra onze, fora dele, somos todos por um quando assim é preciso. E a grandeza de Casillas comprovou isso mesmo. Este pode não ser, segundo as últimas informações divulgadas, o fim da carreira de Iker e acredito que isso se venha a verificar. O seu último momento em campo, aquele que recordará como o seu último jogo, não será o empate em Vila do Conde, será mais um momento de triunfo.

Iker Casillas atravessa, por certo, o momento mais difícil dos seus 37 anos, mas vai conseguir também a conquista mais importante da sua vida. E nós vamos cá estar, para o aplaudir de pé.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

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