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Moreirense FC 3 X 1 FC Porto: Venha 2017/18…

Francisco Sampaio · 5 min

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fc porto cabeçalho 2Na 34.ª e última jornada da Liga NOS 2016/17 o FC Porto entrou em campo, em Moreira de Cónegos, para defrontar o Moreirense FC. Se para os azuis e brancos este era apenas um jogo “para cumprir calendário”, para a equipa da casa esta era a derradeira oportunidade para garantir a manutenção no principal escalão do futebol português. Assim sendo, se Nuno Espírito Santo apenas promoveu uma alteração na baliza, com a estreia absoluta de José Sá com a camisola do FC Porto na Liga NOS, Petit não poupou qualquer jogador para um jogo no qual a equipa dependia apenas de si para garantir o objetivo da manutenção.

Bancadas bem compostas, sobretudo com adeptos da equipa da casa, e entre os adeptos do FC Porto (hoje menos do que é habitual) podia ler-se uma tarja com a inscrição “A glória dos campeões é feita na última batalha. Por ti, por nós, pelo emblema”. Apito inicial dado por Fábio Veríssimo numa primeira parte pautada por um maior domínio do FC Porto mas por uma atitude sempre lutadora por parte da equipa da casa. Depois de uns primeiros 15 minutos tão sonolentos quanto o interesse demonstrado pelo futebolistas do FC Porto nesta partida, o primeiro lance de perigo acabaria por surgir por intermédio de Brahimi; em resposta a um cruzamento de Otávio a partir da direita o argelino surgiu sozinho ao segundo poste mas o remate saiu ao lado da baliza à guarda de Makaridze.

A partir daí, e mesmo mantendo-se a toada lenta do jogo (muito por culpa da previsibilidade do momento de organização ofensiva do FC Porto), começaram a surgir os golos. Aos 16 minutos Rebocho realizou um excelente cruzamento a partir do corredor esquerdo, Boateng antecipou-se a Marcano e, de cabeça, não deu qualquer hipótese a José Sá. A resposta do FC Porto à desvantagem foi pálida e, cerca de 20 minutos depois, foi a vez de Boateng bater Felipe em velocidade e isolar Frédéric Maciel, que, na cara de José Sá, não teve dificuldades em desviar a bola do guarda-redes português para o fundo das redes. Numa primeira parte dominada ao nível da posse de bola pelo FC Porto mas na qual apenas uma equipa mostrou objetividade na procura do golo, o resultado, apesar de demasiado penalizador, acabou por retratar bem a atitude displicente dos futebolistas da equipa azul e branca face à partida.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Ao intervalo Nuno Espírito Santo optou por retirar do jogo Héctor Herrera e Otávio para dar lugar a André Silva e Jesús Corona. O FC Porto passava a dispor-se num 4x4x2, com Brahimi e Corona bem abertos nos corredores laterais. Porém, como sempre por aqui se tem defendido, mais importante do que mudar as peças ou a estrutura tática são as dinâmicas coletivas, e essas, pese embora a mudança de atitude por parte dos futebolistas, mantiveram-se pobres. Apesar de tudo a equipa azul e branca surgiu mais pressionante na segunda parte, com o Moreirense FC a adotar posicionamentos mais conservadores, ainda que sempre mantendo a procura pelo aproveitamento dos momentos de transição ofensiva.

Acabou por ser sem grande surpresa, ainda que sem que tenha feito muito (em qualidade) por isso, que o FC Porto chegou ao golo aos 66 minutos. Jogada de insistência de Tiquinho Soares, que deixou a bola em Corona; este abriu em André André, que cruzou para Maxi Pereira, e o uruguaio, com um golpe de génio bafejado pela fortuna, conseguiu improvisar um remate que sobrevoou Makaridze e apenas terminaria no fundo das redes do Moreirense FC. Novo fôlego para o FC Porto num momento do jogo que poderia ter mudado por completo o rumo dos acontecimentos; porém, os de Moreira de Cónegos nunca esmoreceram e, por outro lado, os azuis e brancos continuaram a praticar um futebol pouco objetivo e sempre demasiado previsível.

Aos 71 minutos de jogo Nildo ameaçou a baliza à guarda de José Sá com um livre direto que o guardião português afastou para canto mas, aos 83 minutos, o golo da vitória acabaria mesmo por surgir. Felipe falhou o corte na abordagem ao lance, Boateng não desistiu, serviu Alex e este não desperdiçou a oportunidade; 3-1 para o Moreirense FC – a manutenção parecia agora garantida!

O FC Porto ainda teria espaço para um suspiro final, aos 86 minutos de jogo, com Brahimi a receber a bola na área, a desviá-la de Makaridze, mas esta acabaria por passar ao lado da baliza defendida pelo guarda-redes geórgio. Ponto final no encontro e grande festa em Moreira de Cónegos. O Moreirense FC, treinado por Petit, acabava de garantir a permanência na Liga NOS; para o FC Porto o jogo foi o espelho daquilo que tem vindo a ser a fase final da época: uma equipa com um modelo de jogo rudimentar e sem ideias na fase de criação (problema agravado pela ausência de Óliver Torres do 11 inicial). Agora só resta refletir sobre aquilo que falhou e, serenamente, preparar a época 2017/18 com esperança num futuro vitorioso.

 

A FIGURA

Fonte: Emmanuel Boateng
Fonte: Emmanuel Boateng

Emmanuel Boateng – O ganês foi hoje, como quase sempre, uma verdadeira seta apontada à baliza de José Sá. Com apenas 20 anos de idade o avançado de 1,75 metros de altura fez sempre da sua velocidade e da sua imprevisibilidade um quebra-cabeças para a defesa do FC Porto e, por essa via, acabaria por marcar um golo de cabeça e realizar as assistências para os restantes dois golos da equipa de Moreira de Cónegos. Boateng não parece jogador para uma equipa “grande” porque as suas principais qualidades evidenciam-se nos momentos de transição ofensiva; porém, para um clube como o Moreirense FC, o ganês é um verdadeiro “abono de família”. Dez golos marcados ao longo da época e um fantástico jogo realizado hoje fazem de Boateng uma das principais figuras da época 2016/17 do Moreirense FC.

 

O FORA-DE-JOGO

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Felipe – Aquele que é visto por muitos como a melhor contratação do FC Porto nesta época teve em Moreira de Cónegos uma tarde para esquecer. O brasileiro tem algumas culpas nos dois últimos golos do Moreirense FC, mostrando sempre uma tremenda incapacidade para travar Boateng. A garra, como sempre, esteve lá; porém, a qualidade demonstrada ao longo da época, sobretudo nos duelos individuais, esteve hoje muito aquém do habitual. Com três golos sofridos o FC Porto acaba por perder o “título” de melhor defesa da Liga NOS 2016/17 para o SL Benfica.

Foto de Capa: FC Porto

Francisco Sampaio

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