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Na Terra de Ninguém

Pedro Nuno Silva · 3 min

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tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

Há uma guerra de palavras no futebol português – e não, o Porto não está metido nessa confusão! Não querendo entrar profundamente num assunto que não me diz respeito directamente, parece-me que há razões para alguma indignação da parte do Sporting mas – tal como na guerra (perdoem-me a tendência belicista) – disparando a primeira bala, recebem-se duas em troca e voltam-se a disparar três de seguida.

O facto de o Porto entrar cada vez menos nestes joguinhos de palavras demonstra também uma mudança de estratégia na nossa comunicação: estamos mais tolerantes, o que traz pontos positivos e negativos.

As polémicas que existiram devido ao Apito Dourado sempre serviram de desculpa e de moeda de arremesso para muitas polémicas no putebol português. Serviram ainda para desculpar as fracas prestações e insucessos de alguns adversários. Bastava um rastilho para incendiar as relações entre Porto e Benfica ou Sporting, mas devido a alguns castigos de dirigentes, desgaste pessoal e colectivo (um clube perde também apoio dos adeptos caso esteja em contante revolta) e mudanças estratégicas, a verdade é que estamos mais calmos no que diz respeito às nossas relações inter-clubes e à comunicação social. Não me parece que seja um tratado de paz; apenas uma guerra fria em que há desconfiança.

Desde o tempo de Jesualdo Ferreira que grande parte da nossa defesa pública e indignação tem a voz dos nossos treinadores. Não tem o mesmo efeito do que se fosse um dirigente ou mesmo um comunicado oficial no site do clube, mas é a estratégia adoptada. Um exemplo claro são os erros de arbitragem que têm beneficiado o Benfica esta época. Estes seriam suficientes para uma comunicação mais agressiva e, portanto, para prevenir que ocorressem mais casos polémicos, que teimam em acontecer quando nada se diz. No entanto, tais erros apenas têm sido apontados timidamente por alguma comunicação social e, aqui e ali, por Lopetegui. É notório que algumas respostas a provocações têm sido comunicadas internamente ao treinador basco, que personifica, então, a indignação do clube. Mas o carácter aparentemente pacífico do nosso técnico não tem o impacto que causa um Mourinho, por exemplo.

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Vítor Pereira foi um dos técnicos que defendeu o FC Porto com firmeza
Fonte: Página de Facebook oficial de Vítor Pereira

Hoje em dia, há formas inovadoras de marcar a nossa posição sem ser através da agressividade que caracteriza um comunicado oficial. Estamos presentes nas várias redes sociais e temos de as usar para lançar alguns lembretes e brincadeiras sobre o que se passa nas diversas jornadas. Quem não se lembra da perseguição de que o Porto foi vítima por parte da imprensa sulista durante os anos em que ganhámos diversos campeonatos sucessivos? Quem não se lembra das diversas polémicas lançadas por clubes rivais para minar a nossa credibilidade? De repente, desapareceram. Porquê? Pois, um clube que ganha incomoda e, se para o Porto se faz uma tempestade num copo de água, penso que ultimamente têm sido feitos copos de água de tempestades de forma repetitiva. É demasiado visível que temos uma comunicação social avessa ao nosso clube: estamos sempre sozinhos na defesa do Porto – nada de novo, portanto.

Por enquanto, estamos muito neutros, na terra de ninguém, enquanto alguns adversários gladiam (embora nunca com a agressividade que utilizam para com o Porto; acho até que é um arrufo de amigos). A nossa neutralidade e aparente pacifismo não podem ser entendidos nunca como passividade, sob pena das arbitragens se tornarem ainda mais erróneas. Não quero com isto defender um ambiente podre no nosso futebol; apenas dizer que temos o direito de, por vezes, relembrar o que se tem passado dentro das quatro linhas. Afinal, também temos direito, não temos?!

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

 

Pedro Nuno Silva

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