Nuno Espírito Santo e a rudimentaridade tática do FC Porto

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Um dos maiores pecados de qualquer adepto de futebol passa por avaliar o trabalho dos treinadores tendo por base os resultados que estes alcançam no final de cada época. Tal avaliação ignora, por completo, que o futebol é jogado por aqueles que estão dentro de campo e que, por muita qualidade que tenha um treinador, “não se fazem omeletas sem ovos” (sendo que o contrário também se aplica). O que habitualmente se verifica é que os resultados são otimizados por uma combinação equilibrada entre a qualidade do treinador e a qualidade individual que este tem ao seu dispor.

Por se acreditar que não são os resultados que ditam a qualidade dos treinadores (caso contrário, na época passada, teria que se assumir algo tão absurdo como “Claudio Ranieri é melhor treinador do que Mauricio Pochettino”), é antes do final da época e independentemente da classificação final da Liga NOS 2016/17 que importa analisar o trabalho de Nuno Espírito Santo no comando do FC Porto. Para esta análise importa considerar, acima de tudo, os únicos dois aspetos que o treinador pode controlar: o modelo de jogo e estratégia.

Os resultados poderão levar a acreditar que o trabalho de Nuno Espírito Santo tem sido muito bom ou, pelo menos, bom. Contudo, olhando atentamente para “o jogar” do FC Porto, pode observar-se que quem faz a diferença, tanto no momento defensivo como no momento ofensivo, são as individualidades e não as dinâmicas coletivas da equipa. Diz-se na gíria que as equipas se constroem de trás para a frente mas, no caso do FC Porto, é essencial analisar primeiramente o momento ofensivo da equipa para que se consiga compreender o sucesso (no que concerne ao número de golos sofridos) do momento defensivo.

Fonte: geralforum
Fonte: geralforum

A organização ofensiva do FC Porto é tão simples que chega a poder considerar-se rudimentar. Traz consigo um aroma ao velho kick and rush britânico (ao jeito do Leicester City FC da temporada transata): bola colocada na lateral e, aí, Maxi Pereira e Alex Telles (ou outro que surja naquela zona) têm ordem para esticar o jogo na frente em busca de Soares ou André Silva. Destes espera-se que, em duelos individuais, sejam capazes (habitualmente em péssimas condições) de receber a bola e dar algum sentido à jogada. Mesmo os movimentos dos avançados sem bola são extremamente redutores: estes raramente surgem entre linhas para permitir à equipa praticar um futebol mais apoiado ou para provocar desequilíbrios a partir do corredor central; a tendência é sempre o ataque à profundidade, para que possam tentar ganhar no choque, no duelo individual, as bolas que lhes são lançadas pelos colegas de equipa que atuam em posições mais recuadas.

Francisco Sampaio
Francisco Sampaiohttp://www.bolanarede.pt
Apaixonado por futebol desde a segunda infância, Francisco Sampaio tem no FC Porto, desde esse período, o seu clube do coração. Apesar de, durante os 90 minutos, torcer fervorosamente pelo seu clube, procura manter algum distanciamento na apreciação ao seu desempenho. Autodidata em matérias futebolísticas, tem vindo recentemente a desenvolver um interesse particular pela análise tática do jogo. Na idade adulta descobriu a sua segunda paixão, o ténis, modalidade que pratica de forma amadora desde 2014.                                                                                                                                                 O Francisco escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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