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O caso Aboubakar

Bernardo Lobo Xavier · 3 min

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O FC Porto perdeu este verão aquela que era, para muitos adeptos, a sua jóia da coroa. No meu entender, André Silva foi sempre sobrevalorizado pela opinião pública e publicada mas ficamos a aguardar pelas exibições futuras do jovem português em solo italiano para tirar todas as teimas.

De qualquer forma, levanta-se, agora, o problema da sucessão ou, se quisermos, da sua substituição, visto que apenas um ano na equipa principal do Porto não será suficiente para deixar um legado.

O FC Porto tem nas suas fileiras um jogador que aprecio de sobremaneira: Vincent Aboubakar. Ponta de lança camaronês que chegou ao FC Porto pela mão de Julen Lopetegui e que esteve, no ano passado e após duas épocas a vestir de azul e branco, emprestado aos turcos do Besiktas. Atualmente com 25 anos de idade, vai mais do que a tempo de singrar no FC Porto.

A incorporação deste jogador no plantel principal do FC Porto para a época que se avizinha poderá ser, ainda assim, bastante complicada. Será sempre um processo delicado e a gerir com pinças pela SAD e por Sérgio Conceição. Eu dividiria toda esta questão em três pontos fundamentais: o lado desportivo, o lado financeiro e, ainda, o lado emocional.

Ora vejamos, desportivamente seria a solução ideal para o clube. Há poucos avançados da qualidade de Aboubakar ao alcance do FC Porto no mercado. O camaronês não atingiu, ainda, a plenitude da sua forma dadas todas as características físicas e técnicas que possui. É um jogador de técnica apurada e que sabe ter a bola no pé (goleia na comparação com André Silva neste aspeto). Apesar de um considerável porte físico que lhe permite rivalizar com qualquer central, trata-se de um jogador veloz e muito forte a jogar na profundidade. Aprimorou, nomeadamente na última temporada, a finalização, tanto pelo ar como pelo chão. É, portanto, um ponta de lança muito completo.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Segue-se, então, a questão financeira. Aqui existem prós e contras. Ou melhor: facilitadores e bloqueadores da operação. Aboubakar habituou-se, na Turquia, a um nível salarial incomportável para clubes portugueses, já que naquele país a carga fiscal para remunerações deste tipo é substancialmente inferior à de Portugal (12% contra mais de 50%) e, como tal, não será fácil a renovação de um contrato que termina no próximo verão. No entanto, o Porto apenas detém 37,5% dos direitos económicos do jogador, tornando a alienação do seu passe uma operação pouco lucrativa tendo em conta a qualidade do jogador, a situação de tesouraria do clube e a carência existente no plantel para a posição. Assim, valerá a pena um esforço suplementar para segurar o camisola 10 da seleção dos Camarões.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Por último, e não menos importante, surge a sempre delicada questão emocional e a conexão do jogador com os adeptos. Após uma panóplia de declarações em contrário, o camaronês proferiu, há dias, as primeiras afirmações que sustentam a vontade que terá de permanecer no clube. Como diria o Dr. Pimenta Machado, no futebol o que hoje é verdade amanhã é mentira. A relação com a massa adepta estará, portanto, por um fio e dependente das exibições do jogador. Resta perceber se este terá o estofo necessário para aguentar tal pressão e tamanha cobrança. Tem a palavra Vincent Aboubakar.

Concluir dizendo que acredito muito nas qualidades deste avançado e que considero importante que exista um esforço de todas as pessoas envolvidas no clube (sendo certo que a colaboração do próprio jogador será vital para o sucesso da operação) para que este possa permanecer no plantel e envergar, eventualmente, o dorsal nº 9 do FC Porto. Será, para muitos, quase um sacrilégio afirmar que este jogador é bastante superior a André Silva e que tem potencial para atingir o nível de outros grandes avançados da história recente do clube mas, e como este ainda é um espaço de opinião, não quero deixar de afirmar esta posição.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Pedro Couto

Bernardo Lobo Xavier

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