Publicidade

O FC Porto de Conceição: 4-4-2 e Pressing Alto

Francisco Sampaio · 3 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

fc porto cabeçalhoAproxima-se o início da Primeira Liga 2017/18 e, de regresso a Portugal, começa a ser possível perceber um pouco melhor algumas das ideias-chave com que Sérgio Conceição pretende atacar a próxima época. Os resultados do FC Porto no México não foram muito animadores mas, ao nível dos processos, a equipa parece agora aproximar-se mais de um modelo de “clube grande” do que na temporada anterior.

Desde logo, há uma evidência inegável: o 4x4x2 com que se apresentava estruturalmente o FC Nantes é o mesmo que Sérgio Conceição pretende implementar no FC Porto. Três linhas bem definidas em campo com dois homens projetados na frente de ataque. E por aqui se pode, desde logo, tirar uma conclusão: o FC Porto precisa de reforços para a frente de ataque, já que Soares e Aboubakar (com Rui Pedro como alternativa) parecem ser “de menos” para enfrentar uma época que se avizinha longa e um calendário que, provavelmente, terá momentos de grande aperto.

O que mais impressiona nos azuis e brancos, por enquanto, é a sua capacidade de sair rápido e com critério em transição ofensiva. É precisamente neste momento do jogo, pela agressividade com que ataca a profundidade, que Aboubakar vê exponenciadas as suas principais qualidades, pelo que parece quase certo que o camaronês virá a ser um futebolista importante no xadrez de Sérgio Conceição. Em transição ofensiva o portador da bola (habitualmente Óliver Torres) vai progredindo em direção ao corredor central e, em seu redor, os avançados abrem opções de passe.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Em organização ofensiva a equipa ainda não impressiona tanto, mas começa a ser evidente que Sérgio Conceição pretende que se pratique um futebol apoiado, com recurso a tabelas para ultrapassar os adversários. Os defesas têm ainda alguma tendência para esticar o jogo na frente, hábito bem vincado no FC Porto de Nuno Espírito Santo, mas parece haver agora uma maior preocupação em colocar a bola no chão e em procurar os médios (em particular Óliver Torres) para construir e criar a partir do (ou “em direção ao”) corredor central.

Em organização defensiva, e contrariamente ao que acontecia no FC Porto de Nuno Espírito Santo (em que vencer duelos individuais era o lema), a equipa parece agora mais bem trabalhada coletivamente para retirar espaço ao adversário e, com recurso a um pressing alto com momentos bem definidos de aumento da agressividade, recuperar a bola tão cedo quanto possível. Parece haver uma grande preocupação em que o adversário não tenha bola e, como tal, recupera-la rapidamente parece ser uma das principais ideias de Sérgio Conceição. A partir daí, há que jogar o que o jogo dá: se a equipa opositora se encontra desposicionada a opção passa por sair rápido em transição ofensiva; se não há espaços, a opção passa por guardar a bola e começar a construir desde trás.

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Neste novo FC Porto, e daquilo que foi possível observar nos jogos disputados no México, parece haver três individualidades extremamente importantes: Ricardo Pereira, pela sua capacidade de conduzir para dentro e, como tal, assumir-se como definidor dos lances de transição ofensiva da equipa; Óliver Torres, por ser o homem que mais frequentemente conduz a bola em transição ofensiva e por, igualmente, ser aquele pelos pés de quem quase todos os lances em organização ofensiva passam; e Aboubakar, pela sua capacidade de rutura que acaba por oferecer à equipa soluções diferentes na frente de ataque.

Ainda é cedo para tirar ilações, mas por enquanto fica do FC Porto de Sérgio Conceição a ideia de se tratar de uma equipa que quer jogar como um “clube grande”: tirando tempo e espaço ao adversário no início da construção, procurando recuperar rapidamente a posse de bola, e procurando chegar ao golo por via de um futebol apoiado mas objetivo. Crê-se que a chegada de dois ou três reforços selecionados tendo em consideração esta ideia de jogo poderia ajudar a tornar o plantel mais equilibrado em alguns setores e mais capaz de traduzir nas quatro linhas as ideias do seu treinador. Por enquanto, a fase é de adaptação e só o tempo dirá até onde pode chegar este FC Porto com Sérgio Conceição ao leme.

Foto de Capa: FC Porto

Francisco Sampaio

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.