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Desde logo, há uma evidência inegável: o 4x4x2 com que se apresentava estruturalmente o FC Nantes é o mesmo que Sérgio Conceição pretende implementar no FC Porto. Três linhas bem definidas em campo com dois homens projetados na frente de ataque. E por aqui se pode, desde logo, tirar uma conclusão: o FC Porto precisa de reforços para a frente de ataque, já que Soares e Aboubakar (com Rui Pedro como alternativa) parecem ser “de menos” para enfrentar uma época que se avizinha longa e um calendário que, provavelmente, terá momentos de grande aperto.
O que mais impressiona nos azuis e brancos, por enquanto, é a sua capacidade de sair rápido e com critério em transição ofensiva. É precisamente neste momento do jogo, pela agressividade com que ataca a profundidade, que Aboubakar vê exponenciadas as suas principais qualidades, pelo que parece quase certo que o camaronês virá a ser um futebolista importante no xadrez de Sérgio Conceição. Em transição ofensiva o portador da bola (habitualmente Óliver Torres) vai progredindo em direção ao corredor central e, em seu redor, os avançados abrem opções de passe.

Em organização ofensiva a equipa ainda não impressiona tanto, mas começa a ser evidente que Sérgio Conceição pretende que se pratique um futebol apoiado, com recurso a tabelas para ultrapassar os adversários. Os defesas têm ainda alguma tendência para esticar o jogo na frente, hábito bem vincado no FC Porto de Nuno Espírito Santo, mas parece haver agora uma maior preocupação em colocar a bola no chão e em procurar os médios (em particular Óliver Torres) para construir e criar a partir do (ou “em direção ao”) corredor central.
Em organização defensiva, e contrariamente ao que acontecia no FC Porto de Nuno Espírito Santo (em que vencer duelos individuais era o lema), a equipa parece agora mais bem trabalhada coletivamente para retirar espaço ao adversário e, com recurso a um pressing alto com momentos bem definidos de aumento da agressividade, recuperar a bola tão cedo quanto possível. Parece haver uma grande preocupação em que o adversário não tenha bola e, como tal, recupera-la rapidamente parece ser uma das principais ideias de Sérgio Conceição. A partir daí, há que jogar o que o jogo dá: se a equipa opositora se encontra desposicionada a opção passa por sair rápido em transição ofensiva; se não há espaços, a opção passa por guardar a bola e começar a construir desde trás.

Neste novo FC Porto, e daquilo que foi possível observar nos jogos disputados no México, parece haver três individualidades extremamente importantes: Ricardo Pereira, pela sua capacidade de conduzir para dentro e, como tal, assumir-se como definidor dos lances de transição ofensiva da equipa; Óliver Torres, por ser o homem que mais frequentemente conduz a bola em transição ofensiva e por, igualmente, ser aquele pelos pés de quem quase todos os lances em organização ofensiva passam; e Aboubakar, pela sua capacidade de rutura que acaba por oferecer à equipa soluções diferentes na frente de ataque.
Ainda é cedo para tirar ilações, mas por enquanto fica do FC Porto de Sérgio Conceição a ideia de se tratar de uma equipa que quer jogar como um “clube grande”: tirando tempo e espaço ao adversário no início da construção, procurando recuperar rapidamente a posse de bola, e procurando chegar ao golo por via de um futebol apoiado mas objetivo. Crê-se que a chegada de dois ou três reforços selecionados tendo em consideração esta ideia de jogo poderia ajudar a tornar o plantel mais equilibrado em alguns setores e mais capaz de traduzir nas quatro linhas as ideias do seu treinador. Por enquanto, a fase é de adaptação e só o tempo dirá até onde pode chegar este FC Porto com Sérgio Conceição ao leme.
Foto de Capa: FC Porto









