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Os 5 melhores centrais da última década do FC Porto (2008-2018)

Bernardo Lobo Xavier · 5 min

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fc porto cabeçalhoÀ boleia das recentes boas exibições de Pepe no Mundial da Rússia (para mim o melhor jogador da nossa seleção) mas, principalmente, depois dos abandonos livres de encargos de Diego Reyes e Iván Marcano, que, pese embora a qualidade evidente de jovens formados no clube,  como Diogo Leite, Diogo Queiroz ou Chidozie, levam a uma urgente necessidade de ir ao mercado contratar pelo menos um (dois será o ideal) defesa-central para a próxima época, o Top desta semana foca-se, precisamente, nos jogadores desta posição.

Por estas razões, e porque o FC Porto sempre foi uma das melhores escolas de centrais a nível europeu (tanto a formar jovens portugueses, como a moldar estrangeiros contratados), considero pertinente elaborar um Top 5 de jogadores que desempenharam essa função ao serviço do clube. Para uma melhor avaliação e apreciação dos jogadores decidi incluir apenas jogadores que tenham representado o FC Porto na última década (2008-2018) e, como tal, algumas lendas como, por exemplo, Aloísio (estrangeiro com mais jogos pelo clube), Jorge Costa, Ricardo Carvalho ou o próprio Pepe não estarão presentes na lista.

Antes de iniciar o top propriamente dito, deixar uma palavra a Felipe que, não estando presente nos eleitos, tem demonstrado uma qualidade e um carinho pelo clube que, acredito eu, com mais anos de casa e mais jogos nas pernas, lhe abrirão as portas de exercícios semelhantes a este no futuro.

Feita a ressalva, aqui fica o meu Top:

5.

Fonte: FC Porto

Iván Marcano- Julgando apenas o seu desempenho nas duas últimas épocas, este magnífico defesa central espanhol teria, forçosamente, que estar uns lugares acima neste Top. Ainda assim, devido à sua irregularidade exibicional na fase inicial da sua passagem pelo clube, tomei a decisão de o colocar no 5º posto. Impressiona, principalmente, pela sobriedade e calma com que executa todas as suas ações em campo. Tem uma leitura de jogo bastante acima da média que lhe confere uma capacidade invulgar de jogar na antecipação. Praticamente intransponível pelo chão, está sempre no sítio certo. Impecável a dobrar o lateral e o central que joga ao seu lado. Canhoto, joga preferencialmente como central pelo lado esquerdo. Assumiu, ainda, o papel de sub-capitão de equipa nas duas últimas temporadas e foi pedra basilar da conquista do título nacional 2017/2018. Tenho a plena convicção de que, se ficasse mais uns anos no clube, Marcano poderia perfeitamente escalar alguns lugares neste Top.

4.

Fonte: FC Porto

Rolando- Um dos heróis de Dublin. Central português de origem cabo-verdiana ganhou o direito ao 4º lugar deste Top pela sua incrível regularidade nas 4 temporadas como titular do FC Porto entre 2008 e 2012. Fez quase 200 jogos pelo clube azul e branco e poucos ou nenhuns se recordarão de um erro que tenha cometido. Fez dupla com vários centrais e apresentou-se sempre a um nível muito alto, tendo chegado envergar a braçadeira de capitão. Não é um central vistoso e, como tal, dá pouco nas vistas. No entanto, desafio aqueles leitores que estarão a estranhar a sua inclusão nesta lista a recordarem um mau jogo que tenha feito ou um erro comprometedor. Muito competente em todos os capítulos do jogo. Não fosse um desentendimento com os dirigentes do clube, poderia ter almejado a voos mais altos. Esteve nos pré-eleitos para o Mundial da Rússia tendo sido preterido aquando da elaboração da lista dos 23.

3.

Fonte: FC Porto

Eliaquim Mangala- Uma força da natureza. Francês que passou pelo clube entre 2011 e 2014 antes de se tornar no defesa central mais caro da história do futebol português, tendo sido transferido para os ingleses do Manchester City a troco de uma verba a rondar os 40M€. Impressionava pela velocidade e pela estampa física. Era quase insuperável. Todos os portistas se recordarão dos sprints e das bolas no ar ganhas com uma facilidade incrível. Ao nível da capacidade física é, talvez, o melhor central da história do clube. No entanto, cometia alguns erros infantis que comprometiam a equipa (muito faltoso e por vezes excessivamente agressivo) e que o impediram de triunfar em Terras de Sua Majestade e de estar mais acima neste ranking.

2.

Fonte: FC Porto

Nicolás Otamendi- Classe. Talvez o central que mais prazer me deu ver jogar no FC Porto. Central argentino que representou o FC Porto durante duas temporadas e meia e que, tal como Rolando, também venceu a Liga Europa em 2011. Abaixo da média no que diz respeito à altura (tendo em conta que é defesa central) compensava esse défice com uma enorme qualidade técnica e um poder de antecipação ímpar. Tinha uma leitura de jogo perfeita e tudo o que fazia fazia-o com uma elegância apenas ao nível dos melhores da Europa. Mais um jogador que se desentendeu com a estrutura e treinador e que acabou por sair pela porta pequena transferido para os espanhóis do Valência por 12M€. Hoje em dia joga no City de Guardiola e acaba de ser eliminado do Mundial aos pés da França.

1.

Fonte: FC Porto

Bruno Alves- Possivelmente, o último grande líder que o FC Porto teve naquela posição e o último na linhagem de grandes capitães do clube. E é essa mesmo capacidade de liderança e o seu coração de Dragão que me fazem colocá-lo no primeiro lugar do pódio. É verdade que tinha excessos, que via cartões desnecessários e que tinha, não raras vezes, atitudes irrefletidas. Não é menos verdade que era o primeiro a dar a cara pelo grupo e que dava tudo o que tinha pela equipa. Nunca vi, até hoje, central com maior impulsão do que ele. Na retina fica um golo em Madrid, frente ao Atlético, no qual me atrevo a dizer que atingiu, com a cabeça, um ponto ao qual nem as maiores estrelas da NBA chegam com as mãos. Nunca teve uma imprensa favorável em Portugal mas reúne uma unanimidade entre os adeptos portistas que tudo diz sobre o seu desempenho no clube e o carinho e respeito que merece pela forma como sempre o defendeu. Aos 36 anos deverá ter cumprido, na Rússia, a última grande competição de seleções da sua carreira.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Bernardo Lobo Xavier

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