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Ao longo dos últimos 25 anos, muitos e (alguns) bons treinadores foram passando pelo FC Porto. Como tal, e numa fase em que muito se tem falado, com opiniões algo antagónicas, acerca do trabalho que tem vindo a ser realizado por Nuno Espírito Santo no clube, importa relembrar aqueles que foram, nesse período, os melhores “homens do leme” do clube azul e branco.
Para a elaboração e ordenação desta lista definiram-se, a priori, os seguintes critérios:
1) Exclusão do atual treinador do FC Porto;
2) Ordenação pela influência que se atribui ao treinador na obtenção dos resultados alcançados, e não pelos resultados em si mesmos;
3) Análise exclusiva do trabalho realizado pelo treinador no comando do FC Porto, e não ao longo de toda a sua carreira desportiva.
Foto de Capa: Facebook Oficial de Nuno Espírito Santo
10.

José Couceiro – Couceiro não é um extraordinário treinador de futebol. Porém, é competente no exercício da sua função. Um bom exemplo disso é o atual Vitória FC, um dos planteis mais baratos da Liga NOS 2016/17 que é, simultaneamente, uma das equipas com comportamentos mais bem definidos em todas as fases do jogo. Chegou ao FC Porto num momento delicado, numa época em que Luigi Delneri não chegou sequer a dirigir a equipa em jogos oficiais e em que o seu substituto, Victor Fernández, acabaria por também não terminar a temporada. Com José Couceiro a equipa, num momento anímico de difícil reversão, acabaria por ficar bem longe dos resultados obtidos na época anterior mas, ainda assim, assente numa ideia de jogo ofensivo e procurando sempre a posse de bola, acabaria por ainda conseguir escalar até ao segundo lugar da tabela classificava.
Foto de Capa: Facebook Oficial de Nuno Espírito Santo
9.

Julen Lopetegui – Será sempre, para os adeptos do FC Porto, um mal-amado. A recordação será sempre a do treinador que teve ao seu dispor liberdade para contratar quem quis, com recurso a um orçamento dos melhores que o FC Porto alguma vez teve, e que falhou todos os objetivos para os quais foi contratado. Porém, foi Lopetegui quem trouxe para o FC Porto futebolistas que são atualmente tidos como referência no plantel azul e branco, casos de Iker Casillas, Iván Marcano ou Óliver Torres, sendo também o responsável pela “descoberta” de um dos mais promissores jogadores “da casa”: Rúben Neves.
Sob o ponto de vista futebolístico, é certo que a posse de bola pouco objetiva nunca agradou aos adeptos. É também certo que a saída a jogar, sem qualquer influência do trinco na mesma e com os quatro jogadores da defesa em linha, também não é elogiável. Porém, o que não se pode negar é que Lopetegui trouxe à equipa uma ideia e um modelo de jogo bem definidos, algo que na época anterior (pese embora sejam hoje evidentes as qualidades de Paulo Fonseca) não existia. Porém, em retrospetiva, o treinador espanhol parece ter sido o ponto de partida para a melhoria futebolística da equipa, e não um dos principais responsáveis pelos anos menos bem conseguidos do clube.
Foto de Capa: Facebook Oficial de Nuno Espírito Santo
8.

Fernando Santos – Sempre foi um treinador que, na sua passagem pelo FC Porto, apresentou boas ideias ao nível ofensivo. Porém, a equipa tendia a apresentar pouca proximidade entre setores sendo que as lacunas ao nível da transição defensiva sempre foram por demais evidentes. O “Engenheiro do Penta” entra nesta lista mais pelo significado histórico da conquista do pentacampeonato do que pelo que contribuiu para a qualidade futebolística da equipa.
É certo que Fernando Santos é um bom treinador, embora não possa ser considerado um treinador de topo. As referências individuais que utilizava no processo defensivo eram, já naquela época, algo desatualizadas, e a equipa claramente sofria com isso. O pentacampeonato não foi conquistado com facilidade e os anos seguintes serviram apenas para que a hegemonia do FC Porto a nível interno se fosse diluindo.
Foto de Capa: Facebook Oficial de Nuno Espírito Santo
7.

António Oliveira – É, hoje em dia, um nome improvável para treinar qualquer equipa de futebol. Na verdade, este nunca foi um treinador de topo. As suas ideias de jogo sempre foram bastante rudimentares, assentes quase invariavelmente num 4x3x3 com procura rápidas dos extremos que, em lances individuais, deveriam procurar ultrapassar a oposição e colocar a bola na área por via de cruzamentos.
Ideias simples, resultados interessantes. O motivo é simples: um dos extremos dava pelo nome de Ljubinko Drulovic, tremendo ao nível do cruzamento, e o ponta de lança era Mário Jardel, um dos jogadores com melhor capacidade de movimentação na área, técnica de cabeceamento e finalização da história do futebol. Ao nível individual o FC Porto era também, claramente, a equipa mais forte do campeonato português e, como tal, as vitórias foram-se somando e o caminho para o pentacampeonato foi sendo trilhado tranquilamente.
Foto de Capa: Facebook Oficial de Nuno Espírito Santo
6.

Co Adriaanse – Não era, de modo algum, um bom gestor de recursos humanos. Sempre foram por demais evidentes os conflitos com alguns jogadores (Vítor Baía, Lisandro López, etc.) e, quando as coisas não corriam bem, o treinador holandês esteve sempre longe de ser o primeiro a apoiar os seus futebolistas. Porém, este trouxe para Portugal o melhor do futebol ofensivo (e quase “louco”) que se pratica na Holanda.
É inegável que Co Adriaanse era, taticamente, um treinador com conhecimentos acima da média e com capacidade para os colocar em prática. Foi com ele que se conseguiu colocar “ordem na casa” após a instabilidade que se havia vivido na época anterior. Sendo um apreciador de defesas a três, Co Adriaanse desde cedo percebeu que teria dificuldade em implementar em Portugal essa sua ideia de jogo e…soube adaptar-se. Montou a equipa num 4x3x3 extremamente ofensivo, com recurso frequente aos extremos e colocou o FC Porto novamente na rota do bom futebol e dos títulos.
Foto de Capa: Facebook Oficial de Nuno Espírito Santo
5.

Jesualdo Ferreira – É, provavelmente, um dos treinadores portugueses mais capazes de potenciar as qualidades futebolísticas dos jogadores com os quais trabalha. Mais do que pelos títulos que conquistou, pese embora com campanhas europeias menos bem conseguidas, o trabalho de Jesualdo Ferreira no FC Porto destaca-se pela tremenda evolução tática de alguns futebolistas e, consequentemente, pelos encaixes financeiros para o clube resultantes da venda dos mesmos.
O exemplo mais evidente do trabalho de Jesualdo Ferreira dá pelo nome de Ricardo Quaresma, futebolista que conheceu os seus melhores anos futebolísticos no FC Porto sob o comando do treinador português. Nunca deixando de ser um jogador demasiado individualista, Jesualdo Ferreira foi até hoje o treinador mais capaz de colocar as qualidades de Quaresma ao serviço do coletivo. Apesar do excelente trabalho realizado a este nível, Jesualdo sempre pecou pelo facto de valorizar excessivamente o estatuto dos seus jogadores, colocando muitas vezes os currículos e valor pago pelos mesmos à frente da sua real qualidade futebolística.
Foto de Capa: Facebook Oficial de Nuno Espírito Santo
4.

Sir Bobby Robson – Treinador inglês intimamente ligado ao início da hegemonia interna do FC Porto, era mais do que um treinador de futebol; era um cavalheiro, alguém com uma ética desportiva inabalável, um verdadeiro “líder tranquilo”. Apesar das suas origens, o que Bobby Robson trazia na bagagem era bem mais do que um futebol de “kick and rush”. A ideia sempre foi a de um futebol apoiado, embora com uma excessiva verticalidade.
Pausar o jogo, algo tão importante e uma ideia que tanto cresceu na “Era Guardiola”, era algo que para Bobby Robson (quase) não existia. O jogo deveria ser marcadamente ofensivo, com procura de passes verticais e com a chegada tão rápida quanto possível ao golo. Na época a concorrência não era particularmente forte, mas a verdade é que o FC Porto tinha, a nível interno, qualidade mais do que suficiente (individual e coletiva) para bater os seus adversários mais diretos.
Foto de Capa: Facebook Oficial de Nuno Espírito Santo
3.

Vítor Pereira – É, seguramente, um dos cinco melhores treinadores portugueses da atualidade. Foi mal-amado pelos adeptos do FC Porto mas, como diria o ditado, “atrás de mim virá quem de mim bom fará”. Os adeptos do FC Porto estavam (mal) habituados a vencer campeonatos com relativa facilidade, mas demoraram a perceber que em Lisboa morava uma equipa com um plantel repleto de bons jogadores, comandado por um excelente treinador: Jorge Jesus.
Sempre privilegiou um futebol ofensivo, de posse, com pausa, com foco na qualidade da tomada de decisão. Para o treinador português, mais importante do que correr muito era correr bem, mais importante do que chegar rápido ao golo era criar, coletivamente, oportunidades claras para chegar ao mesmo. A nível europeu o FC Porto acabou por apresentar algumas dificuldades que ajudaram a ditar o final (precoce) da passagem de Vítor Pereira pelo clube. Porém, sempre ficou a ideia que com um meio-campo composto por jogadores mais criativos (que, à data, não existiam no plantel do clube), o técnico poderia ainda hoje ser recordado como um dos treinadores mais bem-sucedidos do FC Porto.
Foto de Capa: Facebook Oficial de Nuno Espírito Santo
2.

André Villas Boas – Chegou ao FC Porto como um “homem da casa”, mas também como um jovem acerca de quem pouco se sabia enquanto treinador de futebol. Chegado à sua “cadeira de sonho”, André Villas Boas dispôs daquele que foi, possivelmente, o melhor plantel da história do clube. É certo que as condições eram próximas do ideal: um plantel que contava com nomes como Hélton, Fernando, João Moutinho, James Rodríguez, Hulk ou Radamel Falcão e, não menos importante…Vítor Pereira como treinador adjunto. Contudo, há muito mérito de Villas Boas na forma como a equipa se organizava.
O pressing do FC Porto era sempre alto, sufocante, e bem organizado. O bloqueio às saídas para o ataque do adversário roçavam a perfeição. Com bola, a circulação era rápida e tinha muita qualidade. Trocas de bola constantes e exploração de todos os espaços, tanto no corredor central como nos laterais, eram imagens de marca da equipa de Villas Boas. Resultado: uma Liga Europa ganha e um treinador que, pese embora já tenha amplamente demonstrado que as suas qualidades não são tantas quanto aquilo que deu a entender na sua passagem pelo FC Porto, continua a deixar saudades aos adeptos do clube azul e branco.
Foto de Capa: Facebook Oficial de Nuno Espírito Santo
1.

José Mourinho – O topo desta lista teria que pertencer, necessariamente, ao Special One… quando ainda não o era. José Mourinho não revolucionou a ideia do jogo como o fez, por exemplo, Pep Guardiola, mas trouxe para o mesmo os mind games, o estudo aprofundado do adversário e, sobretudo, o foco na otimização dos processos coletivos. Com Mourinho o futebol deixou de ser apenas arte, e passou a ser também ciência. Com um trabalho de scouting genial, com pouco conseguiu fazer-se muito: conquistar a Liga dos Campeões.
O FC Porto de José Mourinho apresentava um modelo de jogo distinto, brilhante pela sua consistência. A organização coletiva roçava a perfeição em todos os momentos do jogo. Defensivamente as zonas de pressão eram magníficas. Em transição ofensiva os comportamentos estavam perfeitamente mecanizados e a qualidade ao nível da tomada de decisão era de tal forma elevada que a equipa tendia a ser letal. Em organização ofensiva o foco era na posse de bola e na qualidade dessa mesma posse. Havia criatividade, havia inteligência, havia técnica, havia um modelo de jogo tremendamente superior ao de qualquer outra equipa do mundo.
Ao longo da sua carreira Mourinho não se limitou a estagnar e a ir sendo ultrapassado por outros treinadores; Mourinho regrediu na sua ideia de jogo, tornou-se tão resultadista que…começou a apresentar piores resultados. Contudo, na sua passagem pelo FC Porto o Special One era mesmo especial e deixou uma marca inapagável no clube e no futebol português.
Foto de Capa: Facebook Oficial de Nuno Espírito Santo
Artigo revisto por: Francisca Carvalho








