Os opostos atraem-se. Com o decorrer do tempo, esta pequena frase tem ganho o rótulo de “verdade absoluta”. Bom, até o pode ser quando o assunto são relações humanas contudo, se decidirmos adicionar o futebol a esta discussão, este dogma perde totalmente a sua veracidade.

Aliás este dogma acaba por dar lugar a um outro dogma, um totalmente oposto àquele primeiramente mencionado. Os opostos não se atraem nesta área, na verdade, os idênticos, os semelhantes, esses sim, acabam por atrair-se mutuamente. Querem um exemplo? A relação já quase que umbilical entre FC Porto e a seleção brasileira. A relação entre a maior seleção do planeta, pentacampeã mundial e um dos mais históricos clubes europeus, pentacampeão nacional.

E em que consiste esta relação? Bom, imaginem que o Brasil é uma enorme mina de diamantes. Escavações diárias são realizadas com o objetivo de extrair o maior número possível de pedras preciosas. Essas escavações, frequentemente, resultam na coleta de vários diamantes, contudo, acabados de retirar do solo, ainda não estão prontos para fazer parte de um anel luxuoso, por exemplo. Surge, então, a necessidade de lapidá-los. É nesse ponto do processo que o FC Porto entra: na lapidação, no aperfeiçoamento daquilo que tem potencial para ser perfeito. Artesanalmente, com o máximo dos cuidados, os diamantes são polidos tendo em conta a exigência deste minucioso cliente. Terminada esta etapa do processo, o diamante está pronto para vestir de amarelo, está pronto para ostentar aquelas cinco estrelas verdes.

Casemiro foi um dos que mereceu a confiança do selecionador brasileiro
Fonte: FC Porto

Resumindo a metáfora: muitos dos talentos da seleção brasileira, em algum momento das suas carreiras, sofreram o toque do FC Porto, toque esse que, na maioria dos casos, catapulta o atleta para o estrelato do futebol.

E não, não é um exagero. O FC Porto é peça fundamental na formação da seleção agora comandada por Tite. Olhemos para alguns dos 23 nomes que pisaram o relvado do Dragão no sábado: Casemiro, Alex Telles, Alex Sandro, Danilo, Éder Militão, enfim, são muitos os dragões presentes nesta convocatória da “canarinha” ou, como eu gosto de chamá-los, os “dragões dourados”.

E, grande parte destas convocatórias de “dragões dourados”, acabam por ter uma origem comum: a tal recolha de diamantes em bruto. E se o FC Porto pretende diamantes em bruto, não há nenhum país melhor para procurar do que o Brasil: um país rico em talentos, muitas vezes a preços acessíveis aos nossos cofres. Seria incompreensível, a meu ver, se o nosso scouting menosprezasse um mercado onde, a cada esquina, encontram-se talentos.

Talentos estes que são, atualmente, absolutamente imprescindíveis no nosso plantel. Sinceramente, já nem consigo imaginar um FC Porto sem os sotaques de Felipe, Alex Telles, Soares ou Militão. Por outro lado, os brasileiros também não conseguirão imaginar uma seleção sem nomes azuis e brancos. Um autêntico amor do mais puro que pode existir: um já nem consegue viver sem o outro.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

 

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