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Desde o princípio da época que o FC Porto tem vindo a apresentar uma qualidade futebolística bastante irregular. Tem vindo a alternar jogos bastante satisfatórios com exibições muito pobres. As consequências dessa irregularidade exibicional foram nefastas para o clube, tendo sido eliminado de forma precoce das duas taças nacionais (Taça de Portugal e Taça da Liga). No entanto, há um fator que tem sido decisivo para que o FC Porto se mantenha bem vivo na luta pelo título de campeão nacional e que lhe permitiu ultrapassar a fase de grupos da mais importante competição de clubes do mundo (Liga dos Campeões) mesmo sem o brilhantismo esperado e exigido dada a teórica facilidade do grupo no qual estava inserido. Falo da consistência defensiva que a equipa tem apresentado. Tem sido a chave e o pilar do sucesso do clube, tal como se comprovou no passado sábado, e será fator determinante numa possível conquista no final da temporada.
Por esta razão, e porque o FC Porto sempre foi uma das melhores escolas de centrais a nível europeu (tanto a formar jovens portugueses, como a moldar estrangeiros contratados), considero pertinente elaborar um Top 10 de jogadores que desempenharam essa função ao serviço do clube. Para uma melhor avaliação e apreciação dos jogadores decidi incluir apenas jogadores que tenham representado o FC Porto no presente século e, como tal, algumas lendas como, por exemplo, Aloísio (estrangeiro com mais jogos pelo clube) não estarão presentes na lista.
10.

Pedro Emanuel – Começamos com uma escolha mais emocional do que racional. Digo-o porque apesar de inúmeras épocas como jogador e capitão do FC Porto nunca se afirmou como titular indiscutível da equipa. Não sendo o mais exuberante dos centrais que passaram pelo clube, era muito competente e particularmente importante na liderança do balneário. Muitos dirão, e porventura com alguma razão, que apesar do carinho que qualquer portista tem por Pedro Emanuel, os seus desempenhos em campo não permitem ou não deveriam permitir a sua inclusão neste Top. No entanto, jamais esquecerei aquele olhar em Tóquio antes da cobrança do penalty decisivo que deu ao FC Porto o seu segundo título de campeão do mundo de clubes, numa final frente aos colombianos do Once Caldas, em Dezembro de 2004. Um simples mas assassino olhar catapultam este símbolo do clube para o 10º lugar deste Top.
Foto de Capa: FC Porto
9.

Felipe – Mais uma escolha discutível. Desta feita não pelo seu desempenho (que tem sido irrepreensível) mas porque, provavelmente, pouco mais de meia dúzia de meses no clube não deveriam ser suficientes para incluir Felipe Monteiro no Top 10 de centrais de um clube que tantos e tão bons jogadores teve para esta posição do terreno. Ainda assim, voltei a ser influenciado por fatores emocionais. Numa altura em que se sonha e tanto se mendiga pela tão proclamada mística, este jogador tem patenteado uma dedicação e devoção ao clube anormais e agradavelmente surpreendentes para um jogador com tão pouco tempo de casa. A nível técnico tem como ponto forte o jogo aéreo, onde é praticamente insuperável e é, também, muito forte na marcação. É um central muito regular que não cede um único milímetro aos avançados. Tem formado, ao lado de Marcano, uma excelente dupla que é a principal responsável pelo reduzido número de golos que o Porto tem sofrido esta época. Está em 9º neste ranking mas acredito que daqui a uns anos, com mais jogos nas pernas, subirá uns lugares nesta tabela.
Foto de Capa: FC Porto
8.

Iván Marcano – Julgando apenas o seu desempenho na presente época, este magnífico defesa central espanhol teria, forçosamente, que estar uns lugares acima neste Top. Ainda assim, devido à sua irregularidade exibicional das últimas 3 temporadas tomei a decisão de o colocar no 8º posto. Impressiona, principalmente, pela sobriedade e calma com que executa todas as suas ações em campo. Tem uma leitura de jogo bastante acima da média que lhe confere uma capacidade invulgar de jogar na antecipação. Praticamente intransponível pelo chão, está sempre no sítio certo. Impecável a dobrar o lateral e o central que joga ao seu lado. Canhoto, joga preferencialmente como central pelo lado esquerdo. Tal como no caso de Felipe, tenho a plena convicção de que, ficando mais uns anos no clube, Marcano poderá perfeitamente escalar alguns lugares neste Top.
Foto de Capa: FC Porto
7.

Rolando – Um dos heróis de Dublin. Central português de origem angolana ganhou o direito ao 7º lugar deste Top pela sua incrível regularidade nas 4 temporadas como titular do FC Porto entre 2008 e 2012. Fez quase 200 jogos pelo clube azul e branco e poucos ou nenhuns se recordarão de um erro que tenha cometido. Fez dupla com vários centrais e apresentou-se sempre a um nível muito alto, tendo chegado envergar a braçadeira de capitão. Não é um central vistoso e, como tal, dá pouco nas vistas. No entanto, desafio aqueles leitores que estarão a estranhar a sua inclusão nesta lista a recordarem um mau jogo que tenha feito ou um erro comprometedor. Muito competente em todos os capítulos do jogo. Não fosse um desentendimento com os dirigentes do clube, poderia ter almejado a voos mais altos.
Foto de Capa: FC Porto
6.

Eliaquim Mangala – Uma força da natureza. Francês que passou pelo clube entre 2011 e 2014 antes de se tornar no defesa central mais caro da história do futebol português, tendo sido transferido para os ingleses do Manchester City a troco de uma verba a rondar os 40M€. Impressionava pela velocidade e pela estampa física. Era quase insuperável. Todos os portistas se recordarão dos sprints e das bolas no ar ganhas com uma facilidade incrível. Ao nível da capacidade física é, talvez, o melhor central da história do clube. No entanto, cometia alguns erros infantis que comprometiam a equipa (muito faltoso e por vezes excessivamente agressivo) e que o impediram de triunfar em Terras de Sua Majestade e de estar mais acima neste ranking.
Foto de Capa: FC Porto
5.

Nico Otamendi – Classe. Talvez o central que mais prazer me deu ver jogar no FC Porto. Central argentino que representou o FC Porto durante duas temporadas e meia e que, tal como Rolando, também venceu a Liga Europa em 2011. Abaixo da média no que diz respeito à altura (tendo em conta que é defesa central) compensava esse défice com uma enorme qualidade técnica e um poder de antecipação ímpar. Tinha uma leitura de jogo perfeita e tudo o que fazia fazia-o com uma elegância apenas ao nível dos melhores da Europa. Mais um jogador que se desentendeu com a estrutura e treinador e que acabou por sair pela porta pequena transferido para os espanhóis do Valência por 12M€. Hoje em dia joga no City de Guardiola. O facto de aparecer em 5º na lista diz muito sobre a qualidade dos centrais que o FC Porto tem tido ao longo dos anos.
Foto de Capa: FC Porto
4.

Jorge Costa – “O Bicho”. A sua alcunha diz tudo. Eterno capitão das conquistas do FC Porto em 2003 e 2004. Diz, quem partilhou balneário com ele, que bastava um simples olhar para colocar os colegas em sentido. Não havia medo, havia respeito. Depois de um desentendimento com a estrutura e de um empréstimo aos ingleses do Charlton, Mourinho resgatou-o e fez dele a pedra basilar das suas conquistas. Pouco importa falar das suas competências técnicas pois não foram elas que o tornaram grande e um dos mais carismáticos capitães do clube. É verdade que não era, nesse capítulo, um fora de série mas compensava com crer, raça e ambição qualquer possível falta de talento. Líder nato.
Foto de Capa: FC Porto
3.

Bruno Alves – Possivelmente, o último grande líder que o FC Porto teve naquela posição e o último na linhagem de grandes capitão do clube. É verdade que tinha excessos, que via cartões desnecessários e que tinha, não raras vezes, atitudes irrefletidas. Não é menos verdade que era o primeiro a dar a cara pelo grupo e que dava tudo o que tinha pela equipa. Nunca vi, até hoje, central com maior impulsão que ele. Na retina fica um golo em Madrid, frente ao Atlético, no qual me atrevo a dizer que atingiu, com a cabeça, um ponto ao qual nem as maiores estrelas da NBA chegam com as mãos. Nunca teve uma imprensa favorável em Portugal mas reúne uma unanimidade entre os adeptos portistas que tudo diz sobre o seu desempenho no clube e o carinho e respeito que merece pela forma como sempre o defendeu.
Foto de Capa: FC Porto
2.

Pepe – Képler Lima de seu nome, um dos melhores centrais a nível mundial nos últimos anos. Este brasileiro naturalizado português foi, porventura, o melhor jogador do último Campeonato da Europa de seleções ganho por Portugal. Chegou ao FC Porto depois da vitória na Liga dos Campeões em 2004 e não teve um início fácil. Com a chegada de Co Adriaanse e depois com Jesualdo Ferreira, afirmou-se como um dos melhores. Excecional. Muito rápido e ágil, é praticamente intransponível. Domina com igual facilidade o ar e a profundidade e é insuperável no um para um. Depois de duas temporadas a jogar a um nível pornográfico, transferiu-se, em 2007, para o gigante Real Madrid por 30M€, onde rapidamente se afirmou como titular. Grandíssimo jogador.
Foto de Capa: FC Porto
1.

Ricardo Carvalho – Pepe chegou no verão de 2004. Na mesma altura partia Ricardo Carvalho para o Chelsea de Inglaterra para seguir Mourinho no seu novo projeto. 30M€ foi o preço na altura. Se fosse hoje arrisco-me a dizer que sairia pelo menos pelo dobro. Para mim, que sou um jovem, é o melhor defesa central da história do FC Porto e da Seleção Nacional. Era perfeito. Não tinha pontos fracos. Forte no ar, no chão, a defender e a atacar (imagine-se). E depois, fazia tudo com a classe de um predestinado. Foi, no seu tempo, o melhor central do mundo. Aposentou-se no último verão (não sem antes ajudar a seleção a sagrar-se campeã da Europa) aos 38 anos de idade. Lado a lado com “O Bicho” ajudaram a escrever a página mais dourada da história do clube com as conquistas de 2003 e 2004. A tudo isto junta o facto de ser um produto da formação do clube. Uma palavra: Sublime.
Foto de Capa: FC Porto












