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Os deuses do futebol escolheram o território português para enlouquecerem. E o reino do dragão assiste, impávido e sereno, enquanto as comadres se zangam e discutem. Luís Filipe Vieira bem procurou o dedo anelar de Bruno de Carvalho mas o presidente do Sporting já era casado…

Mas deixemos de lado aquele que tem sido o pão nosso de cada dia para falar acerca do pão nosso de cada noite, ou madrugada, se é que lhe posso chamar assim.

Do outro lado do Mundo, a seleção portuguesa de sub-20 disputa o Campeonato do Mundo e já conta, neste momento, com duas vitórias em outros tantos jogos. Triunfos alcançados com sete golos marcados e nenhum golo sofrido.

No meio de tanto futuro, há dois evidentes destaques na frente de ataque da armada lusa. André Silva e Ivo Rodrigues. Cada um deles conta com dois golos e uma assistência, ou seja, estiveram em seis dos sete golos de Portugal.

Muitos são aqueles que podem não se lembrar da frase que dá título a esta crónica. O autor da mesma é o holandês Pepijn Lijnders, antigo treinador da formação do FC Porto que, em Agosto último, trocou o Dragão pelo Liverpool. Pepijn seguia o método Coerver. Este método, marca inegável no mundo futebolístico deixado por Wiel Coerver, foca-se num melhoramento da técnica individual dos jogadores de futebol e prevê a criação de um grupo chamado PJE (Potencial Jogador de Elite) do qual fazem parte os melhores médios e atacantes de cada escalão. O objetivo? Criar um plano de trabalho específico para cada jogador de maneira a corrigir lacunas e a potenciar o que cada um tem de melhor. E, neste momento, muitas são as esperanças depositadas pelos adeptos do FC Porto num avançado que integrou o grupo PJE (Potencial Jogador de Elite). O seu nome? Gonçalo Paciência.

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André Silva e Ivo Rodrigues. Dois diamantes da formação azul e branca.
Fonte: fcporto.pt

Mas depois de Gonçalo ainda há os já referidos André Silva e Ivo Rodrigues. Para além destes, há também um nome colombiano que tem despontado nos sub-19: Leonardo Ruiz. Quatro nomes, quatro jogadores, diferentes características. Sou bastante pragmático naquilo que diz respeito ao futebol. Sei perfeitamente que há jogadores que se adaptam melhor ou pior a cada modelo ou ideia de jogo. E percebo que um jogador possa ser muito fraco num estilo de jogo mas ser de classe mundial noutro completamente distinto.

E em relação à formação também tenho uma opinião bem vincada. Adorava ter uma equipa com onze jogadores da formação. Acreditem que gostava mesmo. Queremos jogadores com mística? A probabilidade de os encontrar na formação é quase certa. Mas a mística não é tudo. Nem o facto de serem formados “em casa” é tudo. Se há algum jogador com um potencial ainda maior lá fora, que se vá buscar esse jogador. Num clube de futebol profissional de topo, o ganhar ainda vem antes do formar. Se pudermos juntar as duas coisas? Excelente! E, acreditem, não é assim tão fácil potenciar jogadores…

Falei-vos em quatro nomes. Quatro nomes que despontam e começam (ou vão começar), aos poucos, a fazer a transição para o futebol sénior. Este passo é crucial na carreira de um jogador de futebol. Quantos foram os jovens talentos que tanto prometeram e, posteriormente, acabaram por se tornar banais no futebol sénior? Lembro-me de um caso muito específico mas bastante elucidativo: Fábio Paim. Um exemplo que dificilmente serve como exemplo mas que esclarece que há muito mais para além do talento.

Quero acreditar que, no mínimo, um destes quatro talentos tem capacidade para ser o timoneiro da nossa frente de ataque nos próximos anos. Para tal, confio no trabalho que Julen Lopetegui veio desenvolver no Futebol Clube do Porto. E se confio em Lopetegui, também confio em Pablo Sanz Iniesta, responsável por coordenar toda a formação do clube.

Mister, Rúben Neves foi o primeiro. Quem é o próximo? Se Pepijn Lijnders afirma que há talento, que não seja o FC Porto a desmenti-lo.

Imagem de capa: fcporto.pt

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