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Para problemas, já bastam os adversários

Redação BnR · 4 min

Para problemas, já bastam os adversários

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As últimas três jornadas do campeonato português trouxeram três empates ao FC Porto. E mais do que os 6 pontos perdidos e a desvantagem de quatro pontos para o Benfica, as últimas partidas trouxeram avisos sérios para os comandados de Lopetegui. Em primeiro lugar, é preciso não colocar os três jogos no “mesmo saco”, porque apesar de pontualmente os resultados terem sido iguais, os duelos contra V. Guimarães, Boavista e Sporting provocaram reações diferentes nos portistas.

Contra os vimaranenses, a arbitragem de Paulo Baptista, com um golo mal anulado e dois penalties por assinalar a favor do FC Porto, acabou por ter papel fulcral na primeira perda de pontos. Contra os boavisteiros, a expulsão de Maicon não ajudou, mas a falta de finalização portista foi por demais evidente perante um adversário que raramente incomodou a balizas azul e branca. Na última sexta-feira, o primeiro clássico da época, no Estádio de Alvalade, trouxe uma equipa de duas caras: após uma primeira parte cinzenta, com os primeiros 15 minutos do Sporting a sufocarem os portistas, o segundo tempo trouxe um FC Porto muito mais afoito e consciente de que com o plantel que tem não pode dar tanto tempo de avanço como tem dado nos últimos jogos. De facto, apesar de todos os erros que possam ter prejudicado o FC Porto nos últimos três encontros, a verdade é que, entre estes seis pontos perdidos, a impressão que me fica é a de que há muito mais demérito portista que mérito adversário. Bem vistas as coisas, o empate em Alvalade é o único que se aceita e compreende, pois quer contra Boavista, quer contra Vitória de Guimarães, os portistas tinham a obrigação, mesmo contra as contrariedades do apito, de fazerem mais e melhor e vencerem os jogos.

Por terem sido três jogos distintos, não se pode apontar apenas uma causa para que neste momento a equipa não esteja na liderança do campeonato. Entre a falta de eficácia e as dificuldades em criar desequilíbrios no meio-campo, permita-me que aponte aquilo que, para mim, é uma das causas principais para que o FC Porto já tenha deixado três empates pelo caminho: a falta de rotinas entre os jogadores. Ao longo dos últimos dias, a rotatividade feita por Lopetegui tem estado no centro das atenções de toda a gente. De facto, não é normal que de uma goleada na Champions para um jogo no campeonato se mudem seis jogadores, mas a qualidade evidente do plantel portista faz com que para o técnico espanhol esta seja uma prática por demais evidente. Como já referi no Bola na Rede, é óbvio que a gestão do plantel deve ser feita, porque a época é longa e as quatro competições que figuram no calendário portista são razão suficiente para que toda a gente no plantel tenha a sua oportunidade. Ainda assim, e porque as primeiras jornadas do campeonato assim o demonstraram, a Liga Portuguesa será tudo menos um passeio para o FC Porto.

Brahimi tem sido um dos poucos indiscutíveis no onze de Lopetegui  Fonte: pt.newshub.org
Brahimi tem sido um dos poucos indiscutíveis no onze de Lopetegui
Fonte: pt.newshub.org

Entre a motivação dos adversários, os campos pesados e as contrariedades do apito, está mais do que visto que o FC Porto terá de ser muito melhor do que os adversários se os quiser ultrapassar jornada após jornada. Por isso mesmo, considero fundamental que as rotinas comecem a ser bem mais consolidadas: enquanto no quarteto defensivo já não há grande dúvida quanto aos elementos que o compõem, do meio-campo para a frente tem sido quase impossível fazer uma aposta para o onze inicial, o que se revela um problema, na minha maneira de analisar o jogo. Com o calendário a apertar, entre jogos difíceis no campeonato e partidas decisivas na Champions, parece-me de todo essencial que Danilo saiba quem será o extremo à sua frente e que Alex Sandro comece a fazer uma dupla imparável com o ala do seu lado. No meio-campo, Rúben Neves já parece a mais num tridente em que Casemiro (lesionado), Herrera e Óliver parecem ser as opções mais naturais e que se apresentam como mais acertadas.

Bem sei que Marcano, José Angel, Evandro, Quintero, Quaresma, Adrián ou Aboubakar terão o seu espaço ao longo da época. Mas numa fase tão prematura do campeonato, onde nada se ganha mas tudo se pode perder, Lopetegui terá de perceber que é necessário que as rotinas apareçam, para assim a equipa poder crescer de forma sustentada. Por muito que em 90% dos jogos o FC Porto seja superior aos adversários, isso só por si não chega. Vitória de Guimarães e Boavista mostraram-no e os quatro pontos de atraso no campeonato já limitam ao mínimo a margem de erro. Por isso, acredito que é tempo de reduzir substancialmente as experiências e dar consistência a uma equipa que tem tudo para crescer e sobretudo mostrar que pode ganhar muito esta época.

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Tiago Campos · 4 min de leitura
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