“Podes perder, depende é da forma como perdes”

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Sérgio Conceição celebrou, há dias, o 44.° aniversário e seria de muito bom grado que quem pudesse continuar a receber prendas fosse a nação portista. Por prenda, entenda-se o facto de continuar no Dragão por muitos e bons anos. Isso é altamente improvável, portanto, o importante agora é que se usufrua do que o mister tem para ‘nos’ dar.

Todas as montanhas que teve de escalar para levar a equipa a bom porto na temporada passada já deixava indiciar de que estávamos perante um caso sério de liderança. Não se ganham jogos no ‘grito’, disse quando chegou. E, por isso, tratou de mostrar o que é necessário para formar, a partir de um conjunto de jogadores, uma verdadeira equipa/família, que personifica em campo os valores que o treinador lhes vem incutindo.

Sim, Sérgio Conceição trouxe ao dragão o clique que faltava para que qualidade, competência e comprometimento andassem de mãos dadas. Mas por trás do homem frontal há toda uma bagagem de conhecimentos e uma humildade ao ponto de reconhecer o erro, trabalhar sobre ele e melhorar todos os dias, só ao alcance dos melhores. Sérgio foi capaz de errar clamorosamente por duas vezes ao longo do ano e meio que leva na liderança da equipa. A primeira falha terá ocorrido com o Besiktas na época passada e, já este ano, com o SL Benfica. O certo é que, na altura como agora, o discurso fora o de puxar para si a grande fatia da culpa e de que, dali em diante, nada seria igual.

Sérgio Conceição felicitou os atletas do FC Porto com Síndrome de Down que foram campeões europeus
Fonte: FC Porto

Pois bem, se o ano passado o título foi alcançado na meta e na Champions, pese o desaire com os turcos, ainda se foi a tempo de fazer reset e atingir a passagem, já este ano, na Luz, SC estava convicto de que aquela poderia ter sido a última derrota da equipa no campeonato, quando ainda faltavam 27 jogos para o mesmo terminar. E não se trata de uma mera coincidência. Seguiram-se sete jogos de diferentes níveis de exigência e, com melhores ou piores exibições, todos terminaram com uma vitória. É indesmentível que o nível está a reaproximar-se daquele a que os adeptos se habituaram, mas o que impressiona mesmo é a crença que cada jogador tem no colega do lado e que, por exemplo com CD Tondela e SC Braga, permitiram alcançar vitórias suadas nos últimos minutos.

A juntar a isto há o tal lado mais técnico da coisa. Sérgio lê o jogo a partir do banco de uma forma brilhante. Veja-se que nos últimos sete jogos, cinco deles foram ganhos depois de o treinador mexer na equipa. Já não se ganham jogos preparando-os bem, agarrando-se a uma ideia inicial e dela não abdicar nunca. Sérgio tem, e muito bem, esse jogo de cintura que lhe permite com um simples ‘berro’ transfigurar o jogo da sua equipa. Vemos hoje um FC Porto capaz de pôr em prática no mesmo jogo dois ou três sistemas com variantes e dinâmicas adequadas para aquilo que os diferentes adversários exigem. E isso, meus amigos, não tem só a ver com as fintas ludibriantes de Brahimi ou das arrancadas temíveis de Marega, nem tão pouco com a magia que sai dos pés de Óliver. Temos um treinador de altíssimo nível, ponto. E não perceber isso…

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves

Ricardo Anselmo
Ricardo Anselmohttp://www.bolanarede.pt
O azul e o branco é parte fundamental da vida do Ricardo. O amor pelo FC Porto faz dele um adepto ferrenho dos 'dragões'. Tem na escrita um amor quase tão grande como o que tem pelo clube, sendo sobre futebol que incide a maior parte das suas escrituras. No futuro, espera encontrar no jornalismo a sua ocupação profissional.                                                                                                                                                 O Ricardo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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