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Portistas nas seleções: O predomínio da normalidade

Francisco Sampaio · 4 min

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A Taça das Confederações da FIFA, a decorrer na Rússia, é a competição na qual se têm centrado as maiores atenções por parte dos amantes de futebol. Pese embora a não muito significativa relevância da competição, a entrada de seleções nacionais em campo num torneio oficial desperta sempre o interesse dos amantes da modalidade, particularmente daqueles oriundos dos países que se encontram em competição. De igual modo, o Campeonato da Europa de Sub-21 tem atraído atenções, sobretudo num momento em que a seleção portuguesa se encontrava sem perder qualquer jogo, no tempo regulamentar, desde 2011.

No que ao FC Porto diz respeito, o clube “cedeu” às competições em causa diversos atletas. José Sá e Danilo Pereira (Portugal), Miguel Layún, Diego Reyes e Héctor Herrera (México), e Vincent Aboubakar (Camarões) encontram-se a jogar a Taça das Confederações, ao passo que Fernando Fonseca, Rúben Neves e Francisco Ramos (Portugal) disputaram o Campeonato da Europa de Sub-21. Analisando de forma global o desempenho dos futebolistas pode dizer-se, sumariamente, que estes foram “iguais a si próprios”, ou seja, que nada demonstraram de positivo ou negativo relativamente ao que deles já era conhecido e expectável.

Fonte: Instagram Oficial de Danilo Pereira
Fonte: Instagram Oficial de Danilo Pereira

Na seleção portuguesa de futebol José Sá não somou ainda qualquer minuto de jogo. Já Danilo Pereira disputou até ao momento 98 minutos, tendo grande parte dos mesmos sido jogados frente ao México. Da sua exibição destacou-se, como é habitual, a consistência defensiva (sobretudo pela sua velocidade e agressividade nos duelos individuais), tendo este sido uma verdadeira âncora que otimizou o processo de transição defensiva da seleção portuguesa. Por outro lado, Danilo não dá à equipa a mesma qualidade de William Carvalho em organização ofensiva, já que a sua capacidade de leitura de jogo e técnica de passe não estão ao nível das apresentadas pelo médio defensivo do Sporting CP.

Fonte: Zimbio
Fonte: Zimbio

Na seleção mexicana Miguel Layún soma, até ao momento 180 minutos de jogo, correspondentes ao tempo que esteve em campo frente a Portugal e à Rússia (já que, frente à Nova Zelândia, o selecionador Juan Osorio claramente optou por dar minutos a algumas das “segundas linhas” da equipa). Ofensivamente Layún mostrou as qualidades que lhe são conhecidas, isto é, um constante apoio ao ataque pelo flanco e boa técnica de remate e cruzamento. A tomada de decisão nem sempre é a melhor e, defensivamente, as lacunas são também evidentes; porém, nada disto apaga a evidência de que o lateral do FC Porto se encontra a ter um bom desempenho na competição. Por outro lado, Héctor Herrera é o futebolista com mais minutos somados na seleção mexicana. Até ao momento foram 225 minutos de tudo aquilo que dele já é conhecido: muita entrega ao jogo, muita luta, mas com uma qualidade técnica e de tomada de decisão que nem sempre acompanham o seu espírito de sacrifício. O médio do FC Porto teve o “azar” de estar ligado ao segundo golo de Portugal frente à seleção mexicana, mas nem por isso deixa de estar a atuar a um nível regular na Taça das Confederações. Finalmente, Diego Reyes tem-se exibido a um bom nível e parece até tratar-se de uma aposta interessante como opção alternativa do FC Porto para o centro da defesa. Reyes tem mostrado bom sentido posicional e boa capacidade de antecipação, embora fisicamente tenha alguma dificuldade em ganhar duelos “no choque”. A sua grande lacuna parece ser algo essencial num defesa central moderno: o jogo de pés, nomeadamente a capacidade de sair a jogar com bola. Fica sempre a ideia que, se pressionado, Diego Reyes pode errar e comprometer a equipa a qualquer momento.

Fonte: CAF
Fonte: CAF

Na seleção dos Camarões Aboubakar tem tido um desempenho, bem se pode dizer, dentro da “normalidade”. O futebolista camaronês é possante fisicamente e ataca bem a profundidade. Contudo, peca no capítulo da finalização, algo tão importante para um jogador que atua na posição de ponta de lança. Nos 180 minutos que já esteve em campo Aboubakar não marcou qualquer golo e, pode dizer-se, caso não tivesse sido tão perdulário no jogo frente à Austrália, a situação da seleção camaronesa no Grupo B poderia ser bem diferente.

Finalmente, na seleção portuguesa de sub-21 Fernando Fonseca e Francisco Ramos não somaram qualquer minuto de jogo. Já Rúben Neves foi “totalista” tendo estado em campo 270 minutos nos três encontros que Portugal disputou no Campeonato da Europa de Sub-21. Em Rúben Neves é notória alguma falta de ritmo competitivo, algo que se compreende num jogador que, nas últimas duas épocas, não tem somado tantos minutos quanto aqueles que seriam desejáveis em alguém na sua fase de desenvolvimento futebolístico. Por outro lado, Rúben Neves mantém intactas as qualidades que sempre lhe foram reconhecidas: decide rápido e tendencialmente bem e, pela sua técnica de passe, é capaz de ligar as fases de construção e de criação com qualidade. Falta ainda ao futebolista do FC Porto melhorar o seu posicionamento defensivo já que, não sendo forte nos duelos individuais, essa será a única via através da qual poderá ser capaz de controlar o jogo defensivamente.

Em suma, das competições de seleções Sérgio Conceição não conseguirá, por ora, retirar ilações significativas para a próxima época. Nenhum futebolista se tem destacado particularmente pela positiva (acabando por ser Diego Reyes, provavelmente, aquele que mais se tem aproximado disso) sendo que, no sentido oposto, apenas Aboubakar parece confirmar a sua inconsistência ao nível da finalização que, aliás, é confirmatória dos (apenas) 12 golos apontados em 27 jogos disputados ao longo da última temporada, na Liga Turca, ao serviço do Besiktas JK.

Foto de Capa: Fifa

artigo revisto por: Ana Ferreira

Francisco Sampaio

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