Na semana passada, o FC Porto fez uma grande exibição contra a Juventus FC, e conseguiu uma vitória no maior palco europeu – a Liga dos Campeões. Não são muitos os triunfos que os Dragões e os clubes portugueses em geral têm conseguido contra as grandes equipas na Europa. Os azuis e brancos têm duas no passado próximo, e as ambas em jogos que jogou de olhos nos olhos com o adversário, sempre com uma pressão muito competente.

Há pouco menos de um ano, no primeiro confinamento e em pausa do futebol, escrevi sobre o jogo do FC Porto contra o FC Bayern Munchen de 2015, a contar para a Liga dos Campeões, para a rubrica “O que fazer na quarentena”. E ao ver o jogo da passada quarta-feira não pude deixar de me lembrar desse grande jogo contra os alemães.

Não só porque a vitória é por si só comparável, no Dragão e contra equipas dentro do lote dos favoritos, mas porque o jogo teve também ele algumas similaridades. Tal como em 2015, o FC Porto começou o encontro com uma pressão muito alta, e marcou nos primeiros minutos precisamente numa recuperação aos defesas adversários.

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Mas contrariamente ao que se calhar seria normal, o FC Porto não baixou as linhas em nenhuma das partidas. Continuou a tentar importunar o adversário, sabendo que ambas equipas tinham centrais com dificuldades na construção, e acreditando que essa não só era a melhor forma de defender, como de atacar também.

É certo que nem sempre vai funcionar, e, no estado atual do futebol português comparado com o das outras principais ligas, é sempre preciso que o adversário esteja num dia menos bom. Mas esses dias menos bons também podem ser forçados, e não vai ser com uma exibição “trancada” nos últimos 30 metros que isso vai acontecer.

Se deres a este tipo de equipa muito tempo com a bola, a probabilidade de estes ganharem confiança e começarem a jogar cada vez melhor é muito grande. Agora se os pressionares logo desde o início, estás, no mínimo, a testá-los. A ver se estão preparados para te enfrentar e se te estão a levar a sério.

A última equipa fora das cinco principais ligas a chegar às meias-finais da Liga dos Campeões foi o AFC Ajax, precisamente num ano em que a equipa jogava olhos nos olhos com os adversários, sempre com uma pressão muito alta, e sem nunca ter medo dos grandes nomes que tinha pela frente. É certo que depois também tinham imensa qualidade com a bola nos pés, e era uma geração claramente especial para o clube holandês, mas os princípios de jogo da equipa de Ten Hag foram também fundamentais.

E é isso que se pede ao FC Porto e a Sérgio Conceição para a segunda mão. Porque, infelizmente, também houve outra coisa parecida entre os dois jogos: o golo sofrido. Foi esse golo que deu a crença aos bávaros que conseguiriam dar a volta à eliminatória (isso, e toda a qualidade que tinham), e a Juventus FC irá também sentir-se mais capaz e com um trabalho “mais facilitado” devido ao golo.

O trabalho dos Dragões é tirar essa sensação aos italianos logo desde o início, tal como fez na primeira mão. Deixar a Vecchia Signora desconfortável, e obrigá-la no mínimo a esforçar-se se quiser passar à fase seguinte. Pede-se uma segunda mão com a mesma coragem, ambição e qualidade. Mas claro, é sempre mais fácil dito que feito.

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