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Que a ganância não nos vença

Nuno Ribeiro Margarido · 2 min

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Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e… Invicta. Gosto de pensar que a cultura do norte é diferente. Gosto de pensar que os gentios do norte são mais agressivos (no bom sentido), mais aguerridos, não dão uma luta por perdida. E que berram e reclamam quando as coisas não correm bem.

Gosto de pensar que os jogadores do norte suam sangue, morrem em campo, dão-se ao clube por amor à camisola. E que isso não chega para vencer mas já é o suficiente para assustar o adversário. Gosto ainda de pensar que o habitat natural de um dragão é um temido covil e que nem a princesa, que neste caso é redonda, vale o inglório esforço de quem a tenta raptar.

Na vida desportiva todos ganham e todos perdem. A perfeição não existe e estaria a ser demasiado injusto se não compreendesse a dificuldade que é jogar com obrigação de vencer. Não há como roubar títulos à cidade mas que ela sirva de inspiração por bons e largos anos. Cem, se puder ser.

Quero “fechar” a época desportiva com esta crónica. E pedir ao Futebol Clube do Porto que procure ser invicto. Invicto na vida, na sociedade, no contexto onde está inserido. Que não se cinja apenas à nomenclatura de “máquina de fazer dinheiro” mas que procure recordar-se de que, acima de tudo, é um clube de futebol. E um clube de futebol é composto pela SAD, pelo treinador, pelos jogadores… e pelos adeptos.

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Pedroto e Pinto da Costa: uma dupla imbatível
Fonte: fcporto.pt

O Futebol Clube do Porto, como o próprio nome indica, é um clube desportivo. Um clube do povo e para o povo, impulsionador de uma rivalidade história. Porquê? Porque foi competente. Porque foi rigoroso. Porque ambicionou voar mais alto e, acima de tudo, foi um apaixonado. Apaixonou-se pelos títulos, pelo Olimpo do futebol. Conheceu os deuses e com eles travou amizade.

Assim, quero hoje pedir que o dinheiro que se encaixou na Liga dos Campeões não seja motivo de satisfação. É fundamental para um alívio económico e nada mais. O Futebol Clube do Porto tem de ser capaz de mais, muito mais. Não pode ser apenas uma “máquina de fazer dinheiro”. Não pode ser burguês. Não pode defender-se com os títulos do passado.

No fundo… tem de se manter invicto a vícios do presente. E que a ganância não nos vença.

Foto de capa: fcporto.pt

Nuno Ribeiro Margarido

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