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Que FC Porto no pós-clássico?

Ricardo Anselmo · 3 min

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É mais ou menos consensual, para a generalidade da crítica, que o FC Porto foi superior ao Sporting (como já o havia sido para o campeonato, diante de ambos os rivais) no jogo da última quarta-feira. Essa superioridade, no entanto, não foi tão evidente quanto havia sido nos dois clássicos anteriores e, por isso, o empate não escandaliza. Jorge Jesus, no seu estilo habitual, “culpou” Rui Patrício por desequilibrar uma balança que, na opinião do ‘mestre’, sempre se manteve equilibrada. Nada mais errado. Nem o guardião leonino fez a diferença (apesar de todo o mérito) nem o equilíbrio foi a nota dominante (apesar do resultado).

O que fica é, mais uma vez, a incapacidade do FC Porto transformar em golo as inúmeras oportunidades de que dispõe, destacando-se neste particular Moussa Marega. O maliano evolui a olhos vistos, fez mais um grande jogo e impulsionou grande parte das jogadas de maior perigo da equipa. Porém, continua a pecar copiosamente na finalização e isso (também) tem impedido os portistas de se superiorizarem aos rivais no confronto direto.

Marega produz muito (e bem), mas desperdiça na igual medida Fonte: FC Porto
Marega produz muito (e bem), mas desperdiça na igual medida
Fonte: FC Porto

Tempos houve em que se colava ao FC Porto o rótulo de implacável nos momentos decisivos, algo que poderá demorar a ser reconquistado, essencialmente graças à descaracterização do clube ao longo dos últimos anos e da ausência de mentalidade vencedora que só agora se vai impondo, aos poucos. Assim, falhado que está o primeiro grande objetivo da época, o jogo da próxima terça-feira, em Moreira de Cónegos, torna-se vital para se perceber em que ponto está a força mental de uma equipa que não pode dar-se ao luxo de desperdiçar não só a vantagem pontual que leva no campeonato, como também a obrigatoriedade de conquistar a Taça de Portugal. No decorrer da época, a resposta a resultados negativos (essencialmente pós-champions) foi sempre positivo e, por isso, exige-se uma reação forte e assertiva.

Outro ponto que vai gerando alguma apreensão prende-se com a lesão de Danilo e os prejuízos que isso pode trazer à equipa. O comendador é, neste momento, pedra fundamental do onze e há claramente um FC Porto com e sem o internacional português. No clássico, o recuo de Herrera funcionou bem, sobretudo (parece-me) pelo facto do mexicano ter sido poucas vezes posto verdadeiramente à prova. Isto claro, falando no momento defensivo, onde Danilo se revela uma verdadeira parede, ocupando um raio de ação e desempenhando funções (defensivas) para as quais ainda não vimos Herrera mostrar credenciais. O mexicano distingue-se mais pelo transporte de bola e pela pressão alta.

A lesão de Danilo é um duro golpe para o FC Porto Fonte: FC Porto
A lesão de Danilo é um duro golpe para o FC Porto
Fonte: FC Porto

Por fim, chegamos à estreia de Majeed Waris, que jogando pouco acabou por demonstrar alguns pormenores técnicos interessantes. A frieza, confiança e classe com que bateu Patrício nas grandes penalidades podem indiciar que estamos perante o fator que tem faltado ao FC Porto no momento de decidir jogos grandes (ou de maior dificuldade): classe no momento de decisão. Os movimentos sem bola e a antecipação das jogadas – essencialmente a inteligência para conseguir cabecear entre dois gigantes como Coates e Mathieu como sucedeu em duas ocasiões – são algumas das novidades que poderão estar reservadas para o que resta da época.

A força mental que se exige, a busca por opções que façam “esquecer” Danilo e a curiosidade pela confirmação de credenciais evidenciadas pela(s) nova(s) arma(s), poderão ser a linha que separa uma época de sucesso do fracasso total.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Ricardo Anselmo

Redação Bola na Rede · ver artigos