cabeçalho fc porto

À excepção da goleada de ontem diante do União da Madeira, culminada com 3 golos em cerca de 10 minutos frenéticos e outro já no período de descontos e de bola parada, a rotação excessiva de Lopetegui tem voltado a custar pontos (e talvez milhões no caso da champions) e parece que estamos a voltar aos mesmos erros que o mesmo cometia e parecia, neste início de época, que tinha aprendido… Ora vejamos:

Porto vs Dinamo Kiev: a jogar em casa e, precisando apenas de 1 ponto para garantir a passagem à próxima fase da liga milionária, o técnico espanhol amedrontou-se e “espetou”  3 médios de características pouco ofensivas (Neves, Danilo e Imbula), numa clara estratégia de contenção, a fazer lembrar Jorge Jesus quando ia jogar ao Dragão para não perder e geralmente… Perdia. Com o 0-1 ao intervalo e a equipa a precisar de mais fulgor ofensivo, o que faz o treinador? Tira um jogador que dá imensa profundidade ao plantel (Maxi), mexe em toda a estrutura defensiva e passa Indi para a lateral esquerda, move Layun para o lado oposto e recua Danilo para… Central! Ou seja, toda a defesa e médio mais defensivo mudaram as posições menos… Marcano (que ainda assim passou de defesa centra direito para defesa central esquerdo… Um mal menor). Aí o jogo é dado como perdido por parte dos próprios adeptos, e nem a entrada de quem nunca devia ter saído (André) animou as hostes azuis-e-brancas. Perdemos, fomos altamente assobiados em pleno Dragão e a passagem à próxima eliminatória avizinha-se quase impossível, pois ganhar em Inglaterra é sempre uma tarefa muito complicada. Por isso, muitos milhões em causa graças às “manias” eternas do Sr. Julen;

Tondela vs Porto: depois da péssima imagem deixada no jogo da champions, os adeptos exigiam uma exibição de gala, e nada melhor que um clube com as características do Tondela (sem menosprezo!) para vermos uma avalanche ofensiva dos Dragões. E até começou bem, com Bueno a entrar directamente para o onze (embora para uma posição que não rende, quando já se viu que a jogar como falso 9 é sinónimo de golos) e Herrera, que aos poucos vai ganhando ritmo para voltar a ser o que foi: o motor do meio campo. Surpresa: saltou de titular para não convocado o sr. “20 Milhões” Imbula, que demora a demonstrar aquilo que é: o melhor médio de transições de Portugal. Até estava tudo a correr bem, com Brahimi a presentear os adeptos com um dos golos da época e uma primeira parte dominada pelos azuis-e-brancos, que só pecou pelos escassos números. Na segunda parte… Voltaram as invenções! Se a saída de Bueno para dar lugar a Tello pode ser considerada normal, já as restantes foram apenas para dar razão a assobios dos adeptos! Ao minuto 68, Lopetegui retira de campo o grande esteio defensivo da equipa (Marcano) para fazer entrar o jovem Rúben Neves, recuando Danilo para… Defesa central! A equipa ficou muito frágil e o Tondela começou a “sair da casca” e foram precisos 11 minutos para o treinador fazer entrar um defesa central (Maicon) para retirar… Brahimi.

E aí ficamos a jogar com a equipa num sistema que dá resultado na champions (1-4-3-3), com André André numa linha, mas que com uma equipa destas características pode ser suicídio. E quase era, se não fosse “san Iker”, que, redimindo-se do erro cometido ante o Dínamo, defendeu um penalti de forma fantástica. Mais um vez, acaba o jogo, 3 pontinhos no bolso, mas uma exibição que valeu mais assobios. Nota ainda que, em caso de dúvida, já se viu que este ano é para prejudicar o Porto. Um penalti extremamente duvidoso, mas prontamente assinalado, como a expulsão de Osvaldo ontem ou os já vários penaltis por marcar a favor dos Dragões, que são facilmente assinalados “noutros” campos;

A Champions em risco?  Fonte: Facebook Oficial de Julen Lopetegui
A Champions em risco?
Fonte: Facebook Oficial de Julen Lopetegui

União da Madeira vs Porto: Mais um jogo, mais uma invenção. Continua de fora Imbula, salta de titular para a bancada Bueno e Osvaldo assume o ataque (que mais à frente seria, como já disse, injustamente expulso). Não fossem aqueles 10 minutos de alta eficácia de Herrera, Brahimi e Corona, corríamos o risco de ter outros jogo como o anterior: Porto sempre em cima mas pouco eficaz, pouco rematador, sequer. Corona demonstra que deve e tem de ser titular; Brahimi é Brahimi e faz sempre a diferença e Osvaldo não é o homem golo que muitos pensaram ao início. Salvou-se o avolumado resultado (talvez excessivo para a equipa da casa) num jogo que não me encheu o olho, ao contrário das exibições de início da temporada.

Infelizmente, Osvaldo não consegue afirmar-se e, a bem de Bueno e André Silva, espero que volte para o clube onde admite sentir-se feliz: Boca Juniors. Aliás, nem percebo como pode sequer fazer parte das escolhas do técnico quando é público que o clube argentino e o próprio jogador querem a “repescagem” do avançado. Ainda assim, se o jogador sair e o “milagre” champions for concretizado, a busca por um matador no mercado será inevitável. Aboubakar é sinónimo de trabalho mas não de golos, como Falcao ou Jackson, é um bom jogador mas que por uma proposta de 30 milhões era “pegar ou largar!”, visto que não vejo o avançado evoluir muito mais. É muito bom, mas não passará ao patamar de topo como os anteriores nomes que disse; Bueno é o tal jogador que nunca vi como ponta-de-lança e referi-o na minha análise aos reforços na pré-época. E a equipa não pode apenas depender da imensa já apresentada qualidade de André Silva. Caso a equipa seja renegada para a “segunda liga” Europeia, penso que o actual plantel chega e sobra e, se acontecer mesmo, é bom que seja para ganhar!

Não pense o leitor que tive um “volte-face” na minha opinião e agora odeio Lopetegui, não! Continuo a achá-lo um treinador incompreendido e que consegue meter equipas a jogar um grande futebol… “Apenas” as suas teimosias podem levar a que saia antes do seu tempo, como foi com Co Andriaanse. E nisto, o meu sonho de poder ver Villas-Boas voltar ao Dragão no final da época sobrepõe-se a tudo mais… Lembrem-se de que o jovem técnico já comunicou que será obrigado a abandonar os russos do Zenit por imposição das novas regras federativas, onde só são permitidos técnicos naturais daquele país (exceptuando o seleccionador).

Passo a passo, ponto por ponto… Acredito na equipa, nos treinadores (quando não inventam…) e, acima de tudo, no meu presidente, que continua a depositar toda a confiança em Lopetegui! Mas, caso isso mude, pense nestes dois nomes para substituir: Villas-Boas e Vitor Pereira!

Ao meu actual treinador, apenas peço que largue essas teorias da rotação “Lopeteguiana” e se concentre em fazer a equipa voltar a jogar e a encantar!

Foto de capa: Futebol Clube do Porto

Comentários