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Top 10: Minuto 92

Bernardo Lobo Xavier · 13 min

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A Nação Portista encontra-se, ainda e inevitavelmente, a sarar as feridas do fatídico golo aos 92 minutos de Lisandro no Estádio do Dragão na passada jornada que permitiu aos encarnados empatarem a uma bola um jogo em que o FC Porto foi claramente superior. Para “tirar a barriga de misérias” decidi proceder à compilação de um Top 10 de golos do FC Porto obtidos nos últimos minutos de partidas para relembrar todos os portistas que, também nós, já sentimos o doce sabor desses momentos. Quero ressalvar que apenas incluí na lista golos aos quais tive a oportunidade e o privilégio de assistir e que, portanto, estarei, por certo, a deixar de fora golos de um passado mais longínquo que os nossos leitores, nomeadamente os mais velhos, se lembrarão e que esperariam que estivessem presentes. Uma nota final, ainda, para dizer que a lista não contempla apenas golos obtidos para lá do minutos 90, mas sim golos saborosos e históricos obtidos nos minutos finais (depois do minuto 80).

André Silva – minuto 92 (Club Brugge, Liga dos Campeões, época 2016/2017)

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

O 10º golo na lista ainda está, ou deve estar, presente na memória de todos. O FC Porto chegava à 3ª jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões com apenas um ponto (fruto de empate caseiro frente ao Copenhaga e derrota em Inglaterra aos pés do Leicester) e via-se obrigado a vencer na Bélgica o Club Brugge sob pena de ficar para trás na liga milionária. Após uma primeira parte apagada o Porto chegou ao intervalo a perder por 1-0, tendo obtido o golo do empate por intermédio de Layun à passagem do minuto 70. Quando todos esperavam que o jogo terminasse empatado, eis que, aos 92 minutos, Corona, após um fantástico drible dentro de área, ganha um penalty que acabaria convertido pelo jovem André Silva e que permitiu aos dragões saírem de terras belgas com os 3 pontos na bagagem.

André Silva – minuto 91 (SC Braga, Final da Taça de Portugal, época 2015/2016)

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Mais um golo do, atual, menino bonito do FC Porto e mais um golo bem presente na memória dos portistas. Último jogo da época e oportunidade para o FC Porto regressar aos títulos que lhe fugiam há quase 3 anos. José Peseiro, à data treinador dos Dragões, aposta no jovem André Silva no 11 inicial. O SC Braga viu cair do céu uma vantagem de dois golos (2-0) após uma sucessão de erros infantis da defesa azul e branca e foi, então, que entrou em cena André Silva. À passagem da hora de jogo o benjamim reduz a vantagem arsenalista num golo na pequena área pleno de oportunidade numa recarga após remate de Brahimi. Aos 91 minutos, o momento da tarde. Numa jogada de insistência após um canto, Herrera cruza para o coração da área e André faz, de pontapé de bicicleta, um dos melhores golos do passado recente do FC Porto e força o prolongamento. O Porto viria, é certo, a perder essa final na lotaria das grandes penalidades mas, para a história, fica esse dado positivo da primeira grande aparição do jovem ponta de lança português e a sua afirmação enquanto homem-golo da equipa.

Jorginho – minuto 85 (Sporting CP, Liga Portuguesa, época 2005/2006)

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

A jornada 30 da Liga Portuguesa (na altura Bwin Liga e disputada, como actualmente, em 34 rondas) da temporada 2005/2006 trouxe jogo grande, clássico entre Sporting (2º classificado) e FC Porto (1º) no Estádio José Alvalade XXI. Os azuis e brancos, orientados pelo holandês Co Adriaanse, chegavam ao “Clássico” com uma ténue vantagem de 2 pontos sobre os leões, que tinham no banco o ex-selecionador nacional, Paulo Bento. Foi um jogo muito disputado mas nem sempre bem jogado que ameaçava terminar como começara: 0-0. Mas, ao minuto 85, já após expulsões de José Bosingwa para o lado do Porto e de Sá Pinto para o lado do Sporting, Helton bate um livre, junto à sua grande área, para o meio campo defensivo do Sporting e a bola cai nos pés de Jorginho. O brasileiro ex-Vitória de Setúbal tabela com o seu compatriota Adriano e isola-se perante Ricardo. À saída do, na altura, guarda-redes da seleção, Jorginho remata forte com a bola a embater no poste antes de balançar as redes do Sporting. Até ao final já não haveria tempo para mais e o resultado de 0-1 permitiu ao FC Porto alargar o fosso entre as duas equipas para 5 pontos e confirmar, duas jornadas depois, o 21º título de campeão nacional da sua história.

Mariano González – minuto 89 (Manchester United, Liga dos Campeões, época 2008/2009)

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

Corria a época de 2008/2009 e a Liga Portuguesa estava a ser um passeio para o FC Porto e, por isso, as baterias estavam todas apontadas para a campanha na Liga dos Campeões. Depois de uma meritória passagem aos oitavos-de-final da competição o Porto eliminou o Clube Atlético de Madrid, beneficiando da regra dos golos fora (2-2 no Estádio Vicente Calderón e 0- 0 no Estádio do Dragão). Nos quartos-de-final o sorteio ditou eliminatória frente ao Manchester United, sendo que a 1ª mão se disputaria no mítico Old Traford. No dia 7 de Abril de 2009 o FC Porto apresentou-se em Manchester personalizado, tendo feito uma exibição de gala e surpreendido toda a Europa. Os comandados do Professor Jesualdo Ferreira inauguraram o marcador logo aos 4 minutos através de um belo golo do uruguaio Cristian Rodriguez. O empate dos ingleses surgiu à passagem do quarto de hora por intermédio de Wayne Rooney ao aproveitar um mau atraso de Bruno Alves para Helton. Aos 85, saído do banco, Carlos Tévez confirmou a reviravolta, injusta diga-se, do United e parecia ter resolvido o jogo. Mas a 1 minuto dos 90, cruzamento para a área e Mariano Gonzalez restabeleceu a igualdade à saída de Van der Saar. Golo justíssimo a coroar talvez a melhor exibição europeia do FC Porto pós-Mourinho que, no entanto, não foi suficiente para eliminar o gigante inglês que dias depois venceu no Dragão por 0-1 com um grande golo de Cristiano Ronaldo, num jogo marcado pela lesão (cedo na partida) de Lucho González.

Ricardo Quaresma – minuto 92 (Besiktas, Liga dos Campeões, época 2007/2008)

Fonte: Porto Canal
Fonte: Porto Canal

Em Agosto de 2007, o sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões da época que estava prestes a começar ditou que o FC Porto iria ficar inserido no grupo A, juntamente com os ingleses do Liverpool, os franceses do Marselha e os turcos do Besiktas. Era, portanto, um grupo difícil que os dragões, treinados por Jesualdo Ferreira, ultrapassaram com mestria, tendo ficado na 1ª posição com 11 pontos. Na 2ª jornada do grupo, em meados de Outubro de 2007, o Porto deslocava-se à Turquia para defrontar o Besiktas (Na 1ª jornada havia empatado em casa 1-1 com o Liverpool). O jogo foi intenso e o ambiente nas bancadas estava (como é costume com os clubes turcos) frenético. Mas, subitamente, aos 92 minutos, o Estádio Inonu silenciou-se. Leandro Lima meteu a bola na área em balão, Lucho colocou Quaresma (futuro ídolo dos adeptos locais) na cara do guarda-redes turco e este meteu-lhe a bola por baixo do corpo e estabeleceu o resultado final de 0-1 a favor dos azuis e brancos. Estava dado o mote para uma boa campanha na liga milionária, que poderia ter sido uma realidade, não tivesse Manuel Neuer (na altura representava o Schalke 04) escolhido os oitavos-de-final dessa edição da prova para se mostrar ao mundo, colocando, quase sozinho, o FC Porto fora da competição.

Lucho González – minuto 92 (Dínamo Kiev, Liga dos Campeões, época 2008/2009)

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

O 7º golo desta lista esteve em vias de não acontecer. Na mesma época (2008/2009) o Porto sentiu dificuldades para ultrapassar a 1ª fase (fase de grupos). Após um bom começo, com uma vitória por 3-1 sobre os turcos do Fenerbache no Estádio do Dragão, o Porto foi cilindrado na casa do Arsenal de Londres por 4-0 e, na 3ª ronda, foi derrotado em casa pelos ucranianos do Dínamo de Kiev por 0-1, golo marcado de livre direto por Aliyev. Na 4ª jornada o Porto foi, portanto, jogar o tudo ou nada na Ucrânia. As coisas não começaram bem, com o Dínamo a adiantar-se no marcador por Milevskiy aos 21 minutos, sendo que o 1-0 se manteve até ao intervalo. No reatar da partida o Porto entrou pressionante mas a igualdade tardava em chegar e apenas a 20 minutos do final, numa bola parada, o central Rolando fez, de cabeça, o empate. No entanto, o empate não chegava e era preciso ir em busca da vitória. E, na compensação, chegou o tão desejado golo. Lisandro López cruza da direita e Lucho Gnzález, mais rápido do que os centrais ucranianos empurra para o fundo da baliza à guarda de Stanislav Bogush. Depois disso, Lucho tira a camisola e é expulso por acumulação de amarelos mas o importante estava feito, o FC Porto reentrava na corrida pelos oitavos-de-final, tendo acabado por ir até aos quartos,caindo aos pés do Manchester United.

Bruno Moraes – minuto 92 (SL Benfica, Liga Portuguesa, época 2006/2007)

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Época 2006/2007, a primeira de Jesualdo Ferreira ao leme do FC Porto. Na jornada 8 da Liga Portuguesa o SL Benfica de Fernando Santos vinha jogar ao Estádio do Dragão. O Porto entrava no “Clássico” como campeão nacional e em 1º lugar do Campeonato com 16 pontos e o Benfica chagava à cidade invicta com 13 pontos mas menos um jogo. Era, portanto, um clássico que pouco decidia mas com todos os condimentos para um jogo de emoções fortes. Os Dragões entraram a mandar no jogo e cedo se adiantaram no marcador pelo argentino Lisandro López, que desviou um remate de Hélder Postiga. À passagem do minuto 21, aquele que teria sido o momento da noite, não estivessem reservados para o fim momentos de tamanha euforia para uns e depressão para outros. Ricardo Quaresma (havia tentado um golo semelhante momentos antes) quebra os rins a Nélson, defesa direito dos encarnados, e no bico da área desfere um remate colocado no poste contrário que Quim (guarda-redes do Benfica) apenas teve a oportunidade de acompanhar com o olhar. Lance de génio do Harry Potter do Dragão. Mas, acomodado na vantagem de 2-0, o Porto foi adormecendo e, na segunda parte, permitiu que o Benfica chegasse ao empate, com golos de Katsoranis, a desviar de cabeça um canto de Simão, e de Nuno Gomes, numa bela jogada colectiva das águias. O jogo aparentava não ter nada mais a oferecer mas, aos 92 minutos, lançamento para Fucile do lado direito do ataque azul e branco, este coloca a bola na área e, após uma série de ressaltos, o brasileiro Bruno Moraes empurra de cabeça para o fundo da baliza, levando o Estádio do Dragão à loucura. O Porto levava, então, de vencido um clássico que ficou, ainda, marcado pela lesão de Anderson na primeira parte, após entrada “assassina” de Katsoranis. No fim da época o Porto festejou o seu 22º título de campeão.

Maicon – minuto 87 (SL Benfica, Liga Portuguesa, época 2011/2012)

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Depois de uma época de sonho (2010/2011), o FC Porto viu o seu timoneiro, André Villas Boas, rumar a terras de Sua Majestade para treinar o Chelsea FC e o seu homem-golo, Radamel Falcao, seguir-lhe as pisadas e rumar ao futebol espanhol para representar o Clube Atlético de Madrid. Vítor Pereira, adjunto de Villas Boas, assumiu os comandos da equipa principal do FC Porto e demorou algum tempo a tê-la na mão. A duas jornadas do Clássico do Estádio da Luz frente ao Benfica, na ronda 21, o Porto tinha 5 pontos de atraso mas, nessas duas jornadas, os encarnados, comandados por Jorge Jesus, deixaram-se apanhar e as equipas chegavam a esse jogo, de carácter decisivo, em igualdade pontual. E que grande jogo de futebol assistimos. O Porto abriu o marcador à lei da bomba, com Hulk a disparar sobre a meia direita fora do alcance de Artur (guarda-redes do Benfica), fazendo, dessa forma, um grande golo. Depois, o Benfica subiu no terreno e deu a volta ao jogo. Oscar Cardozo, por duas vezes (aos 42 e 47 minutos), virou o resultado a favor das Águias. Aos 58 minutos, Vítor Pereira lança o colombiano James Rodriguez na partida e tudo muda. Os Dragões passam para o comando das operações e James faz o empate 6 minutos depois de ter entrado, numa lição de bem contra-atacar. O jogo seguia equilibrado mas a expulsão de Emerson, defesa do Benfica, aos 77 minutos voltou a desequilibrar e o Porto e o foi à procura da vitória nos últimos 10 minutos. O golo acabaria mesmo por surgir pelo defesa central, Maicon, a corresponder de cabeça (posição irregular que passou despercebida ao fiscal de linha de Pedro Proença) a um livre cobrado por James do lado direito do ataque portista. O FC Porto conseguia, assim, materializar e reviravolta e abria caminho para mais um título de campeão, o 26º da sua história.

Costinha – minuto 90 (Manchester United, Liga dos Campeões, época 2003/2004)

Fonte: Daily
Fonte: Daily Mail

A época de 2002/2003 tinha sido de sonho. O FC Porto aliou à conquista das duas provas nacionais (Campeonato e Taça) uma prova europeia (Taça Uefa), conquistada com enorme brilhantismo. Para a época seguinte levantava-se a seguinte questão: Será possível fazer melhor? Pinto da Costa acreditava que sim e, como tal, reuniu esforços para manter a espinha dorsal da equipa e o seu líder, José Mourinho. O objetivo era claro: Trazer para o Porto a “orelhuda”. Por outras palavras: conquistar a Liga dos Campeões. Sempre com este objetivo em mente, o FC Porto passou em 2º lugar e com 11 pontos o seu grupo, atrás do colosso Real Madrid, num grupo que era ainda composto pelos franceses do Marselha e os sérvios do Partizan. Nos oitavos-de-final, a primeira grande batalha rumo ao título era frente ao Manchester United. Na 1ª mão, num Estádio do Dragão com meses de vida, os Dragões deram a sua primeira demonstração de força, ao vencerem os ingleses por 2-1, dando a volta ao resultado com dois belos golos do sul-africano Benni McCarthy. Vantagem preciosa mas perigosa. Em Old Traford, no Teatro dos Sonhos, o Manchester adiantou-se no marcador aos 32 minutos por intermédio de Paul Scholes, que viu, ainda, um golo ser-lhe mal invalidado. O Porto estava com um pé fora da competição quando, no minuto 90, o árbitro assinala falta sobre Deco à entrada da área do United. É McCarthy quem avança para a cobrança. Livre batido com força para o lado do guarda-redes, Tim Howard, que deixa a bola escapar e permite a recarga a Costinha que faz o golo que provocou a sobejamente conhecida corrida de Mourinho do banco até à bandeira de canto. O Porto estava nos quartos-de-final e o resto da história é conhecida. Lyon de França e Deportivo da Corunha de Espanha foram eliminados com mestria e o Mónaco foi despachado na final (3-0). A “orelhuda” voltava para o Porto depois da conquista de Viena em 1987.

Kelvin – minuto 92 (SL Benfica, Liga Portuguesa, época 2012/2013)

Fonte: FC Porto
Fonte: FC Porto

Não seria, de todo, difícil de adivinhar quem e que golo encerraria este top 10. Época de 2012/2013: A época do tudo que acabou por ser nada para o SL Benfica e a época do nada que acabou por ser de 27º título de campeão nacional para o FC Porto. A umas escassas 3 jornadas do final do Campeonato e depois de uma pré-festa no Funchal (ronda 27), o Benfica seguia com 4 pontos de vantagem e a única coisa que tinha que fazer para chegar ao título era ganhar os dois jogos em casa que lhe faltavam até final (Estoril e Moreirense). Pois bem, foi o Estoril que conseguiu empatar na Luz (1-1) e abriu uma janela de oportunidade para tudo o que se passou a seguir. Sábado, 11 de Maio de 2013, Estádio do Dragão. Jogo do título. Para o FC Porto só havia um caminho: ganhar. O Benfica jogava com dois resultados, sendo que em caso de vitória se sagrava campeão em plena casa do rival (como o Porto fizera 2 anos antes). O jogo começa mal para os Dragões, que viram o Benfica chegar ao golo aos 19 minutos pelo brasileiro Lima. O Porto reagiu e apenas 7 minutos volvidos chegava ao empate através de um auto-golo de Maxi Pereira (atualmente no FC Porto) a desviar para a sua baliza um cruzamento de Varela. Daí para a frente, não fosse a importância do jogo e podia muito bem tratar-se de uma história para adormecer, de tão poucas que foram as oportunidades tanto numa baliza como na outra. Aos 85, James atira ao poste e dá o 1º sinal de que algo estava para acontecer. Já depois do minuto 90, o momento que ficará para a eternidade e que deu nome a um espaço no museu do FC Porto. Foi o momento K. A bola vem da defesa do Porto até ao meio campo do Benfica, a bola veio da direita até à esquerda até que, por decisão divina, chega aos pés de Kelvin. O jovem brasileiro tabela com o proscrito Liedson e entra na área pressionado por Roderick. Depois, esperou que os astros se alinhassem e disparou. A bola passou rente à luva do guarda-redes Artur e entrou rente ao poste. Ali, naquele momento, Jorge Jesus ajoelhou e o Dragão explodiu. O FC Porto (ainda era preciso ganhar em Paços de Ferreira), era tricampeão nacional.

Bernardo Lobo Xavier

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