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Os planteis do FC Porto, sobretudo na “Era Pinto da Costa”, têm primado pela qualidade dos pontas de lança que os integram. Selecionar os 10 melhores pontas de lança do FC Porto na “Era Pinto da Costa”, entenda-se, entre 1982 e 2016, não é seguramente uma tarefa fácil, mas não deixa de ser um exercício curioso que permite recordar momentos e golos verdadeiramente inesquecíveis para os mais fervorosos adeptos do clube.
Para que fosse possível definir a ordenação deste “Top 10” foram utilizados, por ordem de relevância, os seguintes critérios:
1) Preferência por pontas de lança de origem em detrimento de futebolistas que pudessem partir das faixas para o meio ou que tendessem a atuar como segundo ponta de lança;
2) Análise ponderada da “veia goleadora” dos futebolistas e das suas capacidades técnico-táticas globais, com maior ênfase colocado no segundo fator.
Adicionalmente, definiu-se que neste “Top 10” apenas seriam incluídos jogadores que, independentemente da sua qualidade futebolística, tenham completado no mínimo uma época desportiva integrados no plantel principal do FC Porto.
10º-Juary

Juary é um ex-futebolista brasileiro que se apresenta, neste “Top 10”, quase como se de um outsider se tratasse. Jogador rápido e de baixa estatura (1,69m), Juary podia jogar ao lado do ponta de lança ou sozinho na frente de ataque mas, qualquer que fosse o seu papel, tinha uma tendência quase inata a procurar a profundidade como forma de potenciar as suas principais caraterísticas futebolísticas.
Na sua passagem de três épocas pelo FC Porto Juary disputou 60 jogos e marcou 19 golos. Porém, nunca foi um titular indiscutível de uma equipa que contava na frente de ataque com Paulo Futre, Rabah Madjer, e Fernando Gomes. Assim sendo, a inclusão de Juary nesta lista prende-se, sobretudo, com a vertente emocional de quem pensa no ex-futebolista brasileiro e recorda para sempre que foi este quem, em 1986/87, colocou o FC Porto na meia final da Taça dos Campeões Europeus (ao marcar nos quartos de final o golo do empate que conduziu o clube à fase seguinte da competição, na Dinamarca, frente ao Brøndby IF), e quem marcou o golo da vitória na final dessa mesma competição, em Viena, frente ao FC Bayern München.
9º-Derlei

Vanderlei Fernandes Silva, ex-futebolista brasileiro (posteriormente naturalizado português) conhecido no mundo do futebol como Derlei, esteve durante cerca de três épocas ao serviço do FC Porto. Durante esse período realizou 92 jogos e marcou 39 golos.
Derlei esteve ligado a momentos de glória do FC Porto, entre os quais se contam a conquista da Taça UEFA em 2002/03, da Liga dos Campeões em 2003/04, e da Taça Intercontinental em 2004. Foi na final da Taça UEFA que Derlei mais brilhou ao apontar dois do três golos com que o FC Porto bateu o Celtic FC, tendo mesmo um desses golos selado a vitória do clube na competição.
A parte final da carreira de Derlei foi marcada por diversas lesões que acabariam por vir a condicionar o seu sucesso desportivo na passagem por clubes como, por exemplo, o SL Benfica. Porém, quando em condições físicas aceitáveis, Derlei caraterizava-se pela entrega, disponibilidade física, inteligência e querer, caraterísticas assentes num enorme profissionalismo. Apesar de não ter sido um ponta de lança de origem, mas antes um segundo ponta de lança ou um futebolista que fletia da ala para o centro do ataque, Derlei nunca poderia deixar de ser referido numa lista onde constam os melhores pontas de lança do passado recente do FC Porto.
8º-Emil Kostadinov

Emil Kostadinov, ex-futebolista búlgaro, era acima de tudo um avançado móvel que formou, ao lado de Domingos Paciência, uma das mais temíveis duplas de ataque da década de 1990 no panorama do futebol nacional. Durante as cinco épocas que passou de dragão ao peito Kostadinov realizou 168 jogos e marcou 61 golos.
Kostadinov era, acima de tudo, um jogador que se destacava nos momentos de transição ofensiva. A velocidade que imprimia nesse momento do jogo era absolutamente estonteante e, não raras vezes, impossível de suster pelas equipas adversárias. Era ainda um futebolista com uma excelente qualidade técnica e com uma espontaneidade de remate, frequentemente forte e colocado, que fazia dele um atleta com grande apetência para o golo.
Apesar de Kostadinov ter sido, sem qualquer dúvida, um dos melhores futebolistas estrangeiros que atuou no FC Porto ao longo de toda a história do clube, o seu sucesso a solo na frente de ataque nunca foi comparável com aquele que apresentou em parceria com Domingos Paciência. Este trata-se de um facto que se foi repetindo ao longo da carreira do ex-futebolista, tanto no PFC CSKA Sófia (onde fez parceria com Hristo Stoichkov) como no FC Bayern München (onde jogou lado a lado com Jürgen Klinsmann).
7º-Lisandro López

Lisandro López, futebolista argentino atualmente com 33 anos de idade, esteve ao serviço do FC Porto entre 2005 e 2009. Nos 150 jogos realizados de dragão ao peito Lisandro López marcou 63 golos e destacou-se, acima de tudo, pela sua capacidade de ocupação de espaços e de tomada de decisão.
No início da sua passagem por Portugal Lisandro López atuou, mormente, como extremo esquerdo. Porém, foi na posição de avançado centro que o futebolista se destacou, não só pelos golos marcados como também pela sua capacidade de jogar (bem) de costas para a baliza. Jogadores sublimes em termos táticos, muito bons em termos técnicos e com atributos físicos interessantíssimos, “Licha” e Lucho González constituíam a “núcleo duro” do futebol ofensivo do FC Porto.
Não sendo um ponta de lança de origem, Lisandro López é acima de tudo um futebolista cuja passagem pelo FC Porto ficará para sempre marcada pela sua entrega ao jogo e pelo ênfase que este colocava na dinâmica coletiva da equipa, muitas vezes em detrimento das suas estatísticas individuais. Para todos os portistas há uma frase de “Licha” que poderá sempre ser considerada como o espelho daquilo que o futebolista era dentro das quatro linhas: “Posso marcar ou não, mas vou sempre matar-me por esta camisola.”
6º-Domingos Paciência

Domingos Paciência, ex-futebolista português, esteve ao serviço do FC Porto durante 12 épocas (com um interregno de duas épocas nas quais o ponta de lança representou o CD Tenerife), tendo realizado 379 jogos e apontado 142 golos. Estreou-se na equipa principal com apenas 18 anos de idade e, durante os seus primeiros anos enquanto sénior, foi sendo alternativa a Fernando Gomes e, posteriormente, a Rui Águas.
Domingos Paciência era um futebolista franzino e dotado de uma qualidade técnica ao nível do drible acima da média para a posição que ocupava em campo. Terceiro melhor marcador de sempre na história do FC Porto, formou com Emil Kostadinov, na década de 1990, uma dupla de ataque temível na qual Domingos assumia, sobretudo, o papel de principal finalizador das jogadas de ataque da equipa. Porém, e tal como também se verificou com o ex-futebolista búlgaro, o desempenho de Domingos tendia a ser significativamente superior quando este formava dupla de ataque com outro companheiro de equipa, tendo menor propensão para atuar sozinho na frente de ataque.
Ao serviço da Seleção Nacional de futebol o desempenho de Domingos foi sempre mais modesto, tendo participado em 34 jogos e marcado “apenas” nove golos. A sua carreira acabou por ficar marcada por lesões graves que lhe retiraram minutos de jogo e, sobretudo, por ter integrado planteis onde pontificavam pontas de lança como Fernando Gomes e Mário Jardel.
5º-Benni McCarthy

Benedict McCarthy, ex-futebolista sul-africano mais conhecido no mundo do futebol por Benni McCarthy, atuou ao serviço do FC Porto durante quase quatro épocas, nas quais disputou 125 jogos e marcou 59 golos. A passagem de Benni McCarthy pelo futebol português é indissociável da conquista pelo FC Porto da Liga dos Campeões na época futebolística 2003/04 e, obviamente, do livre direto marcado em Old Trafford, já perto do final do jogo, que contribuiu para que o FC Porto conseguisse carimbar a passagem para a meia final da competição.
Não foi por acaso que José Mourinho, na época claramente o melhor treinador de futebol do mundo, deixou bem claro que Benni McCarthy era a primeira, a segunda, e a terceira escolha para ocupar a posição de ponta de lança no ataque à conquista da Liga dos Campeões. O futebolista sul-africano era detentor de uma boa técnica de finalização e de remate (incluindo ao nível da marcação de livres diretos), sendo ainda um jogador que apresentava qualidade a jogar de costas para a baliza. A somar a essas caraterísticas era também um futebolista veloz, que criava significativas dificuldades ao nível da marcação aos defesas das equipas adversárias do FC Porto.
A vontade que Benni McCarthy apresentava em representar o RC Celta de Vigo, sobretudo aquando da sua primeira passagem pelo FC Porto, nem sempre foi encarada com compreensão por parte dos adeptos do clube mas, se dúvidas houvesse, recentemente ficou comprovado o forte vínculo que ainda une McCarthy a Portugal. Os adeptos do FC Porto, certamente, também ainda não esqueceram as suas assinaláveis qualidades futebolísticas.
4º-Fernando Gomes

Fernando Gomes foi, provavelmente, o melhor ponta de lança “de área” português de sempre. O “bibota” realizou 451 jogos ao longo de 13 épocas de dragão ao peito, tendo apontado uns impressionantes 355 golos.
Fernando Gomes foi por seis vezes o melhor marcador do Campeonato Nacional de futebol e por duas vezes venceu a “Bota de Ouro” do jornal francês “France Football”, prémio atribuído anualmente ao melhor marcador de todos os campeonatos nacionais que tinham lugar no continente europeu. Note-se que até aos dias de hoje apenas seis futebolistas venceram o troféu por duas vezes. Adicionalmente Fernando Gomes é, ainda hoje, o melhor marcador de sempre na história do Campeonato Nacional de futebol.
É certo que Fernando Gomes atuou num período em que as equipas não eram tão organizadas defensivamente como o são na atualidade, e é também certo que o desempenho do ex-futebolista na Seleção Nacional de futebol (10 golos marcados em 47 jogos) nunca esteve ao nível do apresentado do FC Porto. Porém, nenhum adepto do FC Porto esquecerá o seu bom jogo aéreo, a sua capacidade de posicionamento e movimentação na área, a sua capacidade de tabelar com os colegas de equipa, o seu jogo sem bola que permitia abrir espaços nas defesas adversárias e, sobretudo, a sua tremenda apetência pelo golo e o importante contributo que este deu ao clube para a conquista da Taça dos Campeões Europeus na época futebolística 1986/87.
3º-Mário Jardel

É difícil para alguns adeptos de futebol gostar de pontas de lanças “clássicos” a não ser que estes sejam…Mário Jardel. O ex-futebolista brasileiro passou pelo FC Porto entre 1996 e 2000 e, nessas quatro épocas, marcou uns admiráveis 168 golos em 175 jogos disputados.
Mário Jardel bem poderia ser considerado, em “futebolês”, um “tosco”. É certo que este sempre teve pouca técnica de passe ou de drible, mas uma equipa que tem no seu plantel um futebolista com tanta técnica de finalização tem (quase) tudo. Ao nível da finalização Mário Jardel terá sido, certamente, um dos melhores atletas da história do futebol mundial. A inteligência que apresentava dentro da área era absolutamente impressionante, sobretudo porque este se movimentava sempre bem apesar de não ser um futebolista particularmente rápido. A finalizar ao primeiro toque Mário Jardel terá sido certamente, a par de Filippo Inzaghi, o melhor ponta de lança de sempre.
Jardel sempre foi conhecido, acima de tudo, pelo seu jogo aéreo. Porém, na base do mesmo estava a sua capacidade de se movimentar na área e de se colocar, após a desmarcação, na zona onde a bola viria a cair. Para a história do FC Porto fica aquele que foi um dos mais (senão mesmo o mais) impressionantes “homens-golo” que passou pelo Campeonato Nacional de futebol, o entendimento harmonioso com Ljubinko Drulović e, acima de tudo, a prova de que nem sempre um ponta de lança precisa de ser “completo” para deixar uma marca inapagável na história de um clube.
2º- Radamel Falcão

Radamel Falcão, futebolista colombiano atualmente ao serviço do AS Monaco FC, foi sem qualquer dúvida um dos mais extraordinários pontas de lança que algumas vez passou pelo Campeonato Nacional de futebol. Nas duas épocas desportivas em que esteve ao serviço do FC Porto, Falcão disputou 87 jogos nos quais marcou 72 golos.
Aquando da sua chegada a Portugal rapidamente se percebeu que Radamel Falcão se tratava de um finalizador notável, sobretudo pelo facto de ser incrivelmente ágil e um exímio cabeceador. Apesar dos bons traços visíveis desde cedo, o colombiano evoluiu significativamente entre a sua primeira e a segunda época em Portugal. Com André Villas-Boas ao comando da equipa, Falcão tornou-se igualmente um jogador soberbo nas desmarcações de rutura e um atleta muito interessante nas movimentações de apoio. Aumentou a sua produtividade em situações importantes como sendo aquelas que passam pela capacidade de segurar a bola e, portanto, tornou-se num jogador mais completo.
Da passagem de Radamel Falcão pelo FC Porto destaca-se ainda, para além das suas qualidades futebolísticas e dos diversos golos que marcou, o papel importante (senão mesmo fundamental) que este teve na conquista da Liga Europa pelo clube na época desportiva 2010/11. Nessa mesma competição o FC Porto venceu na final o SC Braga pela margem mínima tendo o golo da vitória sido apontado, precisamente, por Radamel Falcão, no decurso de uma movimentação dentro da área e de um gesto técnico de cabeceamento que poderiam ser considerados como imagem de marca do fabuloso futebolista colombiano.
1º-Jackson Martínez

Jackson Martínez, futebolista colombiano atualmente ao serviço do Guangzhou Evergrande FC, foi seguramente um dos melhores pontas de lança que alguma vez atuou no Campeonato Nacional de futebol. Em três épocas de dragão ao peito, Jackson Martínez disputou 136 jogos nos quais marcou 79 golos.
Chegado à Europa já com 26 anos de idade, as qualidades de Jackson Martínez enquanto finalizador ficaram claras desde bem cedo. O colombiano sempre se destacou por uma tremenda agressividade, não só no ataque às zonas de finalização como também em todas as suas ações dentro do terreno de jogo. Apresentando muitas semelhanças com Falcão em vários momentos do jogo, Jackson Martínez caraterizava-se pelas variadas formas com que conseguia chegar ao golo. Quer fosse com o pé direito ou com o esquerdo, com a parte interior ou exterior do pé, por via do jogo aéreo ou com a bola no chão, certo é que Jackson sempre foi sinónimo de golos. Ao longo do tempo, “Cha Cha Cha” começou a participar cada vez mais no processo de criação de jogo da equipa e acabou por se transformar, provavelmente, no avançado mais completo que alguma vez atuou no FC Porto, um avançado capaz de explorar a profundidade com enorme qualidade mas que também sabia jogar dentro do bloco adversário mesmo quando os espaços eram quase inexistentes.
Jackson Martínez não foi certamente o melhor ponta de lança da história do FC Porto ao nível da técnica de finalização, da técnica de drible, ou da técnica de cabeceamento. Porém, foi sem dúvida alguma o jogador que melhor soube potenciar as suas capacidades individuais ao coloca-las ao serviço da dinâmica coletiva da equipa, quer nos momentos ofensivos quer no momento de transição defensiva.












