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Treinador da noite para o dia

Redação BnR · 3 min

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Antes ainda de começar o jogo de apostas sobre quem seria o novo treinador do FCPorto, eis que Pinto da Costa surpreende e marca uma conferência de imprensa de um dia para o outro, anunciando Lopetegui, nome que tinha ecoado no dia anterior na grande maioria dos jornais desportivos portugueses, como treinador principal para a época 2014/2015.

Primeiro que tudo há que aplaudir a rapidez na contratação de um novo treinador. Parece-me evidente que em nada beneficiaria o clube adiar a apresentação de um novo treinador durante muito mais tempo, sendo óbvio que Luís Castro não iria continuar a ter o comando da equipa técnica.

Em segundo lugar é necessário perceber como será encarado o clássico da última jornada após esta mudança. Com a motivação de mostrar ao novo (e merecido) campeão nacional que no Dragão ainda mandam os de azul, e com o Mundial à porta (um grande jogo por parte de alguns jogadores pode dar uma passagem para o Brasil), parece-me o jogo perfeito para acabar com uma época desastrosa. Será o último jogo de Luís Castro no banco (sentar já Lopetegui seria um risco demasiado elevado), e mesmo por essa razão pode e deve ser um jogo bastante emotivo para o plantel.

A escolha de Julen Lopetegui é algo estranha. Sempre defendi a contratação de treinadores portugueses ligados ao Porto, que conseguissem transmitir o que é ser Porto aos jogadores azuis brancos. A escolha não era fácil, seguramente, até porque nunca existiu um nome que fosse verdadeiramente provável para treinar a equipa, mas Lopetegui, dada a sua inexperiência como técnico de clubes (e pelo facto de nunca ter saído de Espanha), é um risco que acaba por ser ainda maior do que um Paulo Fonseca. Apesar de ter treinado em 2003/2004 o Rayo Vallecano, naquela que foi a sua primeira experiência como treinador principal de um clube, e ainda o Real Madrid B em 2008/2009, a verdade é que foi com as selecções jovens de Espanha que se notabilizou, vencendo um Campeonato Europeu de Sub-19 e um Campeonato Europeu de Sub-21.

Os 3 anos de contrato mostram a confiança de Pinto da Costa no novo treinador  Fonte: A Bola
Os 3 anos de contrato mostram a confiança de Pinto da Costa no novo treinador
Fonte: A Bola

Neste momento não vale a pena prever tiki-takas nem posses de bola esmagadoras: tudo o que foi conquistado pelo treinador basco foi feito com jogadores da cantera espanhola, que desde há alguns anos para cá tem essa genética incutida na sua forma de jogar. No Porto vai ser diferente. Digo diferente, mas não faço a menor ideia do que será o novo Porto. Qual será o perfil dos novos jogadores do Porto, afinal? Chegará um contentor de jovens jogadores espanhóis ao clube? Haverá uma limpeza no plantel em relação a todos os portugueses medianos que foram comprados nos últimos anos?

Se num artigo meu de há duas semanas falava de possíveis contratações, como Manuel Fernandes, Bruno Alves e até Rafa, hoje esqueci-as. Sejamos sinceros, se estas existirem é porque não foram realizadas pelo treinador mas sim por outras pessoas, porque a Lopetegui é-lhe indiferente ter um português na equipa (seja ele qual for), havendo um espanhol ou outro jogador internacional que já conhece para o seu lugar.

Pessoalmente, realço ainda a inclusão de Rui Barros na equipa técnica do clube, algo que vem de alguma forma dar ao plantel a raça e a paixão portista que um treinador internacional nunca poderia facultar. Esta parece-me até a ser a melhor notícia que advém da apresentação do treinador espanhol.

Numa altura imprevisível surge um treinador surpreendente, com vista a esquecer uma época verdadeiramente falhada. Não é o treinador que eu queria, mas neste momento há que aceitá-lo e dar-lhe as condições para criar a sua equipa. Tempo ele tem e Pinto da Costa, nisso, acertou. Contratar um treinador em inícios de Maio que apenas tem o seu primeiro jogo oficial em Agosto serve para mostrar que não haverá desculpas se tudo falhar.

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