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Olá, cara família des(Portista)! Antes de tudo, quero desejar a todos aqueles que acompanham o nosso site um excelente ano 2014, tão bom ou melhor do que aquele que passou! Hoje, pondo de parte o luto que todos os portugueses vivem de momento com a partida de um dos dois melhores jogadores nacionais de sempre, tentarei desenvolver o meu tema de uma forma muito sucinta e clara.

Trago-vos esta semana a minha antevisão do jogo grande da jornada, que opõe dois dos três primeiros classificados do nosso campeonato, com o tónico de estarem em igualdade pontual. Nota ainda para o nível organizativo, com que estou agradavelmente surpreendido: jogo a um domingo (solarengo espera-se) e a uma hora que permite às famílias sentirem aquilo que é a festa do futebol (16h). Vamos, então, comparar as duas equipas.

I) Guarda-Redes: ao que tudo indica, o Benfica voltará a jogar com Artur, relegando Oblak (o melhor guarda-redes da equipa) para o banco de suplentes, ao passo que no Porto Helton voltará a ser dono e senhor do seu templo. Fabiano merecia uma oportunidade? Um dia a baliza será dele, mas não pode ser um grande jogo a fazer sair da baliza aquele que é, de longe, o melhor e mais consistente guarda-redes da Liga (em oito anos ganhou sete campeonatos). Artur é um bom guarda-redes, mas tem o hábito de claudicar em momentos grandes, e para isso nem é preciso um esforço muito grande, basta irmos à época passada… No meio de grandes defesas, ficou ligado a todos os momentos chave do Benfica: empate 2-2 em casa com o Porto (aquele frango, ao dar a bola a Jackson); 2-1 no jogo do ano no Dragão (no primeiro golo, mesmo tendo a bola sofrido um desvio, ele poderia e deveria ter feito mais e no golo de Kelvin não estava bem colocado entre os postes); final Liga Europa (no segundo golo, pese embora a passividade da defesa encarnada, Artur tem de ganhar aquela bola em vez de ficar a meio caminho) e por fim na final da Taça de Portugal com o Vitória, naquele golo do portista Ricardo. Já Helton, embora goste de “inventar” e em todas as épocas dê o seu “franguinho”, mantém-se como um dos esteios do Porto e em momentos chave raramente falha. A experiência é um posto que lhe assegura vantagem sobre Artur.

Helton e Artur deverão ser os eleitos para o jogo da Luz / Fonte: Record
Helton e Artur deverão ser os eleitos para o jogo da Luz / Fonte: Record

II) Defesa: na minha opinião, o Porto tem uma verdadeira defesa, que joga em bloco, ao passo que o Benfica roda demasiados jogadores naquele sector, o que depois denota em campo falta de entrosamento entre eles. Os dragões contam com os dois melhores laterais (de longe!) a actuar em Portugal: Alex Sandro e Danilo. As águias têm aquele que é, para mim, o central mais completo da Liga: Garay. Sem querer ofender os benfiquistas (de todo!) penso que a restante defesa do Benfica é um “furo”. Maxi já não é o que era e, jogo sim, jogo sim, enterra a equipa com sucessivos passes falhados. Luisão é fraco. Pode ser um grande líder mas até no Brasil dizem que foi o pior central que passou na “canarinha” (alguns preferem até Polga, eu não!) e só tenho medo do gigante brasileiro no jogo aéreo… ofensivo! Siqueira, Sílvio e André Almeida são bons mas ao que parece lutam os três por apenas uma vaga. No Porto vemos os dois laterais super envolvidos no jogo ofensivo, permitindo assim que os extremos entrem em zonas interiores para explorar uma possível superioridade numérica nesse espaço, confundindo marcações e abrindo espaços nas defesas opostas. A defender são também muito completos (mais Alex do que Danilo) e, estando em dia sim, são mais as vezes que vemos os extremos adversários a defendê-los que o contrário.

Garay e Mangala, os dois melhores centrais da Liga / Fonte: Mirror
Garay e Mangala, os dois melhores centrais da Liga / Fonte: Mirror

III) Meio-campo: É no meio-campo que surgem as maiores dúvidas quanto a ambas as equipas: jogará o porto de forma mais defensiva com Defour no lugar de Carlos Eduardo? Jogará o Benfica com Enzo mais encostado numa linha e Matic e Fejsa no corredor central? Ou ambos os treinadores serão coerentes com os seus discursos e entrarão com as suas melhores peças no xadrez? O meio-campo benfiquista tem vantagem naquilo que é a coesão que existe entre Matic-Enzo – são um complemento muito bom um do outro, funcionam como “pêndulo-único” num meio-campo que já joga junto desde a época passada. Do lado dos portistas, a vantagem é que jogam com mais um elemento no centro do terreno e daí podem tirar partido. Temos também o melhor trinco da Liga (Fernando), mas isso não tira o “incómodo” que tem causado nos portistas o facto de Moutinho ainda não ter substituto: podemos defender muito bem mas falta-nos a peça que faz as transições rápidas, que espero ser Carlos Eduardo! Já no Benfica, para combater o elemento extra do Porto, não me admirava a inclusão de Ruben Amorim no onze, tal como sucedeu na Luz com o Sporting.

O meio-campo é o sector onde há maior equilíbrio entre os rivais / Fonte: Sapo
O meio-campo é o sector onde há maior equilíbrio entre os rivais / Fonte: Sapo

IV) Ataque: é neste sector que acho que, a nível do “11 base”, o Benfica tem grande vantagem sob o Porto. Os encarnados têm 3/4 extremos de enorme qualidade, sendo que o Porto tem apenas um jogador que é extremo de raiz: Varela! Sim, é verdade que com Quaresma passamos a ter mais um e não tenho dúvidas de que terá uns minutos no clássico, mas ainda é cedo para falar sobre o nosso Harry Potter. Também na frente de ataque, o Benfica tem 3 avançados muito bons (Cardozo, Lima e Rodrigo), enquanto o clube militante no Dragão tem “apenas” um excepcional ponta-de-lança (Jackson), pois Ghilas, talvez por falta de oportunidades, ainda não justificou os milhões gastos na sua contratação.

Cardozo e Jackson são os matadores de Benfica e FC Porto, respectivamente / Fonte: TVI
Cardozo e Jackson são os matadores de Benfica e FC Porto, respectivamente / Fonte: TVI

Se analisarmos tudo o que disse anteriormente, percebemos que, do meu ponto de vista, o Porto tem mais equipa do que o Benfica. Sobre isso não existem dúvidas! Mas o clube da 2ª Circular tem mais opções! E isso pode ser o suficiente para decidir um campeonato. Se Varela se lesiona, quem joga? Não temos ninguém com as suas características. Salvio lesionou-se… jogam Ola John, Cavaleiro, Markovic, Sulejmani, etc. Se Alex se lesiona? Vai o adaptado Mangala. O Benfica tem opções como Sílvio, Siqueira, André Almeida ou até mesmo o flop Cortez. Não falo de qualidade, falo de opções! Se jogassem 11 contra 11, com os mesmos do início ao fim, e não existissem lesões (sim, no mundo da fantasia.), em cada 10 jogos o Porto ganhava 8. É mais consistente, tem mais fio de jogo a partir de trás, não vive tanto da inspiração individual como o Benfica (até porque não tinha jogadores para isso, tem agora Carlos Eduardo e Quaresma), procura sempre ter um triângulo de jogadores sob o portador da bola, desdobra-se muito mais facilmente nas acções ofensivas, etc…

Sabemos que a consistência do Porto tem dado campeonatos e a (falta) de explosividade do Benfica nas rectas finais os tem feito perder. Mas num jogo tudo pode acontecer… Espero um clássico muito disputado, sem casos de maior e que no final ganhe o Porto e nos dê mais uma alegria!

Para finalizar, deixo uma nota de apelo a quem se deslocar ao estádio: respeitem a memória de Eusébio e aplaudam o “minuto de silêncio” do King, que foi tanto para nós portugueses! Perdemos uma Lenda. Relembro o que uma outra lenda, José Mourinho, disse: “Pelo que fez, Eusébio nunca morrerá”. E é mesmo isso que penso. Nunca o vi jogar mas o seu palmarés diz tudo. Ajudou o Benfica a ser o que é e cativou meio mundo com as suas delícias futebolísticas. “Ninguém parte inteiramente”, já dizia Manuel Cruz, dos Ornatos Violeta. Um voto de grande pesar da minha parte a todos os que sentem a perda deste senhor, em particular à família benfiquista. R.I.P. KING.

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