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Uma prenda de Quique

Francisco Sebe · 2 min

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Já vai longínqua a época em que Quique Flores liderava o banco do Benfica. O espanhol chegou à Luz em 2008/2009 e, no final dessa mesma época, abandonou o cargo de treinador das águias. Numa altura em que o Benfica não oferecia a luta a que nos habituou nos últimos anos, o FC Porto reinava em Portugal como dono e senhor dos domínios futebolísticos.

Sete anos passaram, muito (ou quase tudo) mudou. O FC Porto não vence um campeonato há duas épocas e o Benfica é bicampeão em título. O Sporting ressuscitou a valer e lidera a presente edição da Liga portuguesa. Jogadores entraram e saíram. Centenas deles. Muitos por valores avultados. E, antes desta estação futebolística começar, os cofres do dragão viram-se recheados por mais um (muito) significativo encaixe financeiro, derivado da venda de ativos.

Danilo saiu, como há muito era anunciado, a troco de 31,5 milhões de euros. Maxi Pereira chegou para o seu lugar, numa movimentação que muitos desconfiavam ser possível, mas poucos acreditavam que se concretizasse.

Alex Sandro, por outro lado, foi mais inesperado. A sua saída era tida como uma possibilidade real, mas só no último dia aconteceu. Seguiu para a Juventus por 26 milhões e, dadas as pressões naturais do último dia de mercado, a lateral-esquerda do Porto parecia destinada a ficar entregue a um Aly Cissokho envolto em dúvidas e declaradamente longe dos tempos da sua primeira passagem pela Invicta (curiosamente, também em 2008/2009).

Alex Sandro saiu para a Juventus em cima do fecho da janela de transferências Fonte: FC Porto
Alex Sandro saiu para a Juventus em cima do fecho da janela de transferências
Fonte: FC Porto

No entanto, eis que surgiu uma incursão mercantil de última hora: o FC Porto ia buscar o relativamente desconhecido mexicano Miguel Layún ao Watford, por empréstimo com opção de compra de seis milhões de euros. A desconfiança também pareceu rodear Layún. Um destro sem créditos firmados para substituir o melhor lateral esquerdo que o Dragão viu em dez anos?

E, volvidos alguns meses, estão os portistas a aclamar o lateral. Layún provou-se uma aquisição de valor acrescentado. Ataca com a mesma certeza com que defende e usa ambos os pés com semelhante eficácia e desenvoltura. É o assistente número um de Aboubakar e, nos tempos mais recentes, assumiu o papel de goleador com dois tentos de belo efeito. Uma locomotiva, epíteto que tantas vezes se aplica despropositadamente a laterais.

Porquê uma prenda de Quique? Porque, passadas sete temporadas da estadia de Quique Flores do Benfica, o mesmo Quique Flores não contou com Layún no Watford, que treina agora na Premier League. Quem diria, não é? Um jogador que não serve para um “modesto” clube do futebol inglês é a nova coqueluche do FC Porto de Lopetegui… Numa altura em que tanto se fala de prendas, esta veio mesmo a calhar, não foi, Quique?

Fonte: FC Porto

Francisco Sebe

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