Publicidade

Vacas Sagradas

Bernardo Lobo Xavier · 2 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google


Hoje, em Itália, apontam Gianluigi Buffon à baliza do FC Porto. Embora não acredite que seja um negócio com pernas para andar, importa deixar aqui um breve comentário acerca do assunto, não vá a SAD portista trocar-me as voltas.

Ainda estão por quantificar os reais benefícios que o FC Porto recolheu com a contratação e avultado investimento de Iker Casillas. A qualidade do jogador é inegável e os seus bons desempenhos, salvo algumas exceções, são praticamente inatacáveis. A questão que se coloca é: valeu a pena o esforço financeiro?

Na minha modesta opinião, a resposta é clara: não. Não está aqui em questão o inatacável comportamento de Casillas desde que chegou ao clube, a incontestável boa relação que criou com o Porto e os portuenses ou a sua qualidade enquanto guarda-redes. O que me parece é que nenhum clube português se pode dar ao luxo de gastar tanto dinheiro num só jogador, muito menos para a posição de guarda-redes. Para além disso, sem poder recorrer a números que suportem esta afirmação, não me parece que o retorno comercial da contratação de um dos jogadores mais titulados a nível mundial tenha servido para compensar o investimento.

Gianluigi Buffon passou a última época em Paris
Fonte: Paris Saint-Germain

No caso de Buffon, acresce que chegaria ao FC Porto na casa dos 40 anos de idade (Casillas chegou com 34), sem grande ritmo competitivo e sem grande utilidade futura.
Num plantel com tantas carências e perante a debandada geral que se avizinha não é, portanto, aconselhável que se cometa o mesmo erro. A prioridade deve ser dotar o plantel de maior qualidade nos vários setores e os jogadores contratados deverão ter uma perspetiva futura de geração de mais valias desportivas, mas, também, financeiras. Foi sob estes alicerces que se construíram as melhores equipas do FC Porto e deve ser, de novo, essa a estratégia. A juntar a isto tudo, exige-se uma aposta consistente na formação, sem a qual, dificilmente os clubes portugueses conseguirão continuar a ser competitivos.

Em suma, o futebol português não pode e não tem a capacidade para ser um espaço de pré-reforma para vacas sagradas. Não está em questão a qualidades dessas lendas do futebol mas sim o comprometer de uma estratégia que tem dado frutos. Tanto para a posição de guarda-redes como para todas as outras a aposta deve ser feita em jogadores relativamente jovens e com margem de progressão que possam gerar, a médio prazo, permitir encaixes financeiros (já depois de recolhidos os benefícios desportivos). Assim, perante o provável pendurar das luvas de Iker Casillas, acredito que a melhor solução para o problema será Diogo Costa. Irá cometer erros, é certo, mas lembro que Vítor Baía, Rui Patrício, Jan Oblak ou Ederson também os cometeram.

Foto de Capa: Paris Saint-Germain

Bernardo Lobo Xavier

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Quatro pontos de distância, muito mais em jogo | Braga x Sporting

O Estádio Municipal de Braga recebe, esta sexta-feira, 9 de outubro, às 20h15, um dos encontros mais aguardados da oitava jornada da Primeira Liga portuguesa 26/27. Braga e Sporting estão separados por quatro pontos, num duelo que pode ter consequências importantes nas ambições das duas equipas. Os leões ocupam o terceiro lugar, com 15 pontos, ainda sem derrotas, mas já a seis do líder FC Porto. Os arsenalistas seguem na sexta posição, com 11 pontos e um jogo em atraso, procurando aproveitar o fator casa para se aproximar dos lugares cimeiros. A equipa de Carlos Vicens chega ao encontro depois de um empate sem golos diante do Santa Clara, numa temporada em que tem revelado consistência defensiva, mas também algumas dificuldades na concretização. Com apenas sete golos marcados em seis jornadas, o Braga apresenta números ofensivos modestos para as suas ambições. Do outro lado, o Sporting de Rui Borges continua invicto, mas os empates consecutivos frente a Famalicão e Arouca impediram os leões de acompanhar o ritmo do FC Porto. A formação leonina soma 17 golos em sete partidas, mas já consentiu oito, um indicador das dificuldades que tem sentido para controlar determinados momentos dos encontros.

Tiago Campos · 4 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.