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Vincent Aboubakar – uma história de persistência

Tiago Moura · 3 min

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Se questionassem aos adeptos portistas quem seria merecedor do Dragão de Ouro nesta semana, talvez o detentor do prémio fosse outro, de seu nome – Vincent Aboubakar. Quando o onze inicial do FC Porto, no jogo frente ao BSC Young Boys, fora lançado, grande parte dos apoiantes da equipa azul e branca rapidamente se questionaram se Aboubakar estaria apto para ser titular.

Não entraria na imaginação dos adeptos, mesmo sabendo da qualidade que este tinha antes das lesões, que este viria a ser o herói da partida e dar a vitória aos dragões. Foram dois golos em três minutos que colocaram a turma de Sérgio Conceição na rota do apuramento para os 16 avos de final. Aboubakar fez história na Suíça, mas é a sua história que faz dele o herói desta semana.

Todos os que são de boa memória com toda a certeza que conseguem relembrar o episódio em que Aboubakar declarou que não queria voltar ao FC Porto, aquando do seu empréstimo ao Besiktas JK. O empréstimo sucedeu-se duas épocas após chegar aos dragões, em 2016/2017, quando Nuno Espírito Santo liderava a equipa portista. As palavras caíram mal nos adeptos portistas, mas o que é certo é que Aboubakar voltou na época seguinte e fez o seu melhor registo pessoal.

Contribuiu com 15 golos e quatro assistências para a conquista do campeonato nacional e na Liga dos Campeões foram cinco golos e duas assistências em seis jogos. No total foram 26 golos e sete assistências, a melhor e maior marca da sua carreira. Claramente, Aboubakar perdoou o FC Porto, deixando de lado as suas desavenças com o clube, e os adeptos abraçaram, de novo, o camaronês.

Aboubakar já não era titular pela equipa principal desde 28 de setembro de 2018
Fonte: FC Porto

Porém, o episódio mais triste desta história estaria para chegar. O ponta-de-lança de 27 anos fez um grande arranque de temporada, com quatro golos e duas assistências em oito jogos. Até que na partida frente ao CD Tondela, uma rotura de ligamentos cruzados sentenciou a época e, quem sabe, a carreira do jogador. Foram 198 dias de lesão e 41 jogos perdidos, jogos estes onde muitos golos poderiam ter surgido pelo protagonista deste artigo e, consequentemente, ter mudado o rumo da sua carreira e do FC Porto. Voltara a competir a 4 de maio de 2019, como suplente utilizado, frente ao CD Aves. No entanto, o seu fado trouxe de novo os fantasmas do passado. Lesionou-se, mais uma vez, antes da final da Taça de Portugal e acabaria assim a sua época desportiva.

O regresso aos relvados ficava só para a pré-época de 2019/2020, que aconteceu sem qualquer percalço e, inclusive, com um golo marcado. Oficialmente, voltou contra o FK Krasnodar, jogo que o FC Porto acabou por perder. A sua história passa ainda pela Segunda Liga Portuguesa, chegando este a jogar pela equipa B portista contra o Varzim SC. O jogador desceu à segunda equipa para ganhar ritmo e esta foi mais uma prova da persistência do camaronês e do período conturbado pelo qual teve que passar. Na equipa principal, voltou a somar minutos frente ao SC Coimbrões para a Taça de Portugal e contra o Vitória FC, também para a Taça de Portugal.

Foi num jogo da Liga Europa, jogo esse onde a vitória era fulcral para o FC Porto passar à próxima ronda, que Aboubakar, para surpresa de muitos, conquistou a titularidade. Sérgio Conceição deu a oportunidade ao ponta-de-lança e este não desiludiu. O FC Porto estava a perder e a cerca de 15 minutos do fim, Aboubakar empatava o jogo. Três minutos depois, mais uma vez, bis do camaronês. Houve uma explosão de alegria, não só pelo golo, mas sim por ter sido o final de um pesadelo e, esperemos, o início de um sonho feliz.

Esta é uma história que pode servir de exemplo a todos aqueles que estão a passar por um mau período. Uma história de persistência, de luta e de paixão pelo futebol. Os triunfos acabarão por chegar, mesmo que demorem algum tempo, mas só aqueles que não deixam de lutar é que saberão saboreá-los.

Foto de Capa: FC Porto

Tiago Moura

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