Publicidade

GD Estoril-Praia 0-6 SC Braga: Meia dúzia nunca é demais

Marta Reis · 7 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

O Estoril-Praia recebeu na Amoreira o outro grande do Norte, o Sporting de Braga, num jogo em que era muito importante pontuar para se manter longe da linha de água. Já a equipa bracarense vinha de três vitórias (apesar de uma ditar o afastamento das competições europeias) e numa fase ascendente de forma.

Num jogo em que o principal adepto foi a chuva intensa que se fez sentir todo o dia, foi a equipa dos gverreiros a impregnar o ritmo do jogo. Primeiro com um lance rápido pelo lado esquerdo, em que Paulinho remata isolado para a baliza de Renan, mas a bola passa ao lado. Contudo, logo depois teve a oportunidade de gritar golo: Ricardo Horta cruza do lado direito e Wilson Eduardo cabeceia de cima para baixo e marca o primeiro golo, numa fase madrugadora do jogo.

O Estoril-Praia não se conteve com o resultado. Depois de alguma insistência nos ataques, protagonizados pelo motor da equipa, Lucas Evangelista, os estorilistas conseguiram chegar ao golo. Victor Andrade cruza do lado esquerdo para Kléber, a grande novidade do onze, cabeceia para dentro das redes de Matheus. O golo acabou por ser analisado por auxílio do vídeo-árbitro, sendo considerado um fora-de-jogo de Victor Andrade.

Depois de ambos os golos, o jogo acabou por amenizar, tanto porque as equipas não chegavam com qualidade à baliza adversária, bem como porque Luís Godinho fazia paragens demasiado longas, deixando os adeptos da casa bastante nervosos.

O Estoril voltou a atacar a baliza bracarense através de nova arrancada de Victor Andrade, que remata ainda fora de área, em que Matheus socou para canto. Pouco depois, numa jogada de grande entendimento, novamente pelo lado direito, Victor Andrade ultrapassa os adversários, consegue passar para Kléber que, entre dois adversários, descobre Lucas Evangelista à entrada da área e assiste o mesmo, que leva muito perigo à baliza dos gverreiros do Minho, porém sem sucesso.

Wilson Eduardo abriu o (longo) marcador
Fonte: SC Braga

O Estoril mostrava cada vez mais querer algo deste jogo e encostou o Braga ao seu meio-campo na segunda metade do jogo, com Goiano e Jefferson a serem muitas vezes ultrapassados pela velocidade de Lucas Evangelista e Victor Andrade.

Apesar disto, o Braga conseguiu mesmo chegar ao segundo e terceiro golos mesmo antes do apito para o intervalo. Depois de livre batido por Ricardo Esgaio, Paulinho eleva-se mais alto e cabeceia para a baliza de Renan. Luís Godinho ainda apita fora-de-jogo mas, após análise do VAR, acaba por dar o golo à equipa bracarense.

O terceiro golo apareceu depois de um lance rápido por parte de Jefferson na linha, em que cruza para Ricardo Horta e este apenas remata rasteiro para dentro da baliza de Renan, aproveitando um momento de desconcentração da equipa canarinha, que ainda não se tinha recomposto do tento anterior.

O jogo foi para intervalo sob uma grande onda de descontentamento, devido aos lances analisados pelo VAR. O que é certo é que o resultado não refletia o desempenho em campo, onde seria merecido um empate a uma bola.

A segunda parte começou com o Estoril-Praia a correr atrás do prejuízo. O Braga entrou com a linha defensiva mais organizada mas, mesmo assim, ia permitindo investidas de Victor Andrade, que só eram travadas no último terço do campo.

O primeiro remate de perigo da segunda parte veio por intermédio de Ricardo Horta, que rematou às malhas laterais.

Numa altura em que os estorilistas estavam novamente acampados no meio-campo bracarense, Ricardo Horta, numa autoestrada amarela aberta para a baliza, conduziu a bola até perto da grande área do Estoril, passa para Paulinho que, num toque de classe, faz o quarto tento, segundo na sua conta pessoal.

O Braga, se com quatro golos já mantinha uma margem confortável e já controlava o jogo a seu bel-prazer, não desperdiçava oportunidades de golo. Desta vez, foi Fábio Martins a não desperdiçar. Na sequência de um contra-ataque, o português recebe a bola, tenta fintar o guarda-redes, que não segura a bola, e remata novamente à baliza, fazendo assim a mão cheia para a equipa de Braga.

Os estorilistas ainda inserem a bola na baliza por Ewandro, porém anulado por fora-de-jogo do mesmo. Assinala-se ainda a única grande defesa de Matheus durante o jogo, que desviou a bola para o seu poste direito.

O jogo não podia acabar sem um último golo do Braga, marcado por Ricardo Horta, que aproveitou um mau alívio por parte da defensiva estorilista.

Os bracarenses saíram, então, com uma vitória choruda, cimentando assim o seu posto, aproveitando a derrota do Sporting para se aproximar do terceiro lugar. Já o Estoril, com uma quebra de rendimento enorme desde o jogo com os leões, começam a ver as contas da manutenção mais apertadas.


A FIGURA:

Fonte: SC Braga

Ricardo Horta – O mais velho dos irmãos Horta contribuiu – e de que forma! – para as contas deste jogo: fez a assistência para o primeiro golo, marcou o terceiro, assistiu o quarto e marcou o sexto, sendo assim um dos destaques tanto desta equipa como também da liga portuguesa.

O FORA DE JOGO:

Fonte: GD Estoril-Praia

Equipa do Estoril-Praia: A quebra da equipa do Estoril fez notar-se. Este jogo pareceu um passeio, algo deprimente, à chuva. Parecem perdidos e precisarão de papel e caneta para começar a fazer as contas à manutenção.

Conferência BnR

BnR: Muitos dos ataques do Estoril, na primeira parte, entraram pelo lado direito da defesa do Braga. Foi um dos aspetos que tentou corrigir para o segundo tempo?

Abel Ferreira: Sim, é verdade. Eu falei aqui há pouco que nós delimitámos uma linha de pressão na primeira fase dos nossos avançados. A verdade é que eles estavam a sair depois da linha de quatro médios e quatro defesas que estavam a ficar um bocadinho mais atrás e com a qualidade que os jogadores do Estoril têm, nós não estávamos a conseguir lidar muito bem com a primeira fase de construção do Estoril, porque umas vezes o Pepê baixava até ao meio dos centrais e outras vezes jogava nas costas dos nossos avançados e não conseguimos lidar muito bem com isso. Esse foi um dos ajustes que fizemos porque era a partir daí que o nosso adversário entrava e acelerava mais pelo corredor. Fizemos esses ajustes, encurtámos o bloco e aumentámos a nossa intensidade nos encurtamentos, mas mesmo assim tenho que referir que o Estoril tem grande qualidade individual, o suficiente para criar as oportunidades que criou na primeira parte e também, como já disse, se tivesse feito um ou dois golos mereceria por tudo aquilo que produziu.

 

BnR: Tenho duas perguntas para si: o Estoril, depois de uma fase bastante positiva, acabou de consumar a quarta derrota consecutiva. Consegue arranjar alguma razão para tal? Em segundo lugar, queria perguntar-lhe se a polémica em torno do nome do Estoril-Praia afectou a motivação dos jogadores de alguma forma.

Ivo Vieira: Não, eu já disse isto na flash: quando morrer, eu vou ser enterrado de pé. Vou manter a minha dignidade, o meu princípio até ao fim. Não senti que a equipa ficasse afectada nesse aspecto, nós trabalhámos de forma concentrada naquilo que era a nossa tarefa, o jogo do Braga. Montámos a estratégia, não surtiu efeito porque não conseguimos vencer, mas se isso acontecesse, também admitia aqui e dizia muito frontalmente se afectou ou deixou de afectar. Não sinto isso na equipa e são situações alheias ao que é o desempenho dos jogadores em campo. Deixo para os outros e que vão falando, que digam o que quiserem. O importante é aquilo que somos, pensamos, queremos e os nossos comportamentos e não acredito que isso afectasse e não o senti na equipa. Os jogadores trabalharam, tivemos muita posse, não conseguimos finalizar. O Braga foi mais forte, mais eficaz e nesse sentido o jogo regulou-se por aí. Estar a associar isso ao facto de os jogadores sentirem isso não é de bom tom e não foi isso que aconteceu.

Em relação à fase menos boa da equipa, é verdade que tivemos um período bom, mas isso já vai longe. Estamos a atravessar um período menos conseguido e temos que trabalhar sempre e a mensagem que eu quero passar é que temos que acreditar que é possível. Não dependemos de terceiros nem de quartos nesta fase do campeonato. Dependemos muito daquilo que conseguimos fazer e temos que acreditar que é possível, lutar por aquilo que é o nosso objectivo, empenhados e concentrados. Obviamente que percebendo que isto é uma fase menos boa, mas se não acreditarmos no nosso objectivo, no que é o nosso carácter e o nosso profissionalismo, não estaríamos aqui a fazer nada. Tivemos aqui hoje um exemplo de uma equipa que tem um resultado menos conseguido e bastante pesado; sinto um élan que não é positivo pela vitória mas é um élan em acreditar que as coisas se conseguem e vamos lutar, temos que inverter esta situação. O mais fácil é atirar a toalha ao chão e desistir; mas nós não vamos desistir, não vamos largar. Estamos aqui para nos agarrarmos àquilo que são os nossos problemas, temos que inverter a situação e lutar pela soma de pontos que temos de conseguir.

 Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Marta Reis

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Europa League

Resistir e Sonhar | Ferencváros x Torreense

Depois dos baldes de água fria frente a Tondela e sobretudo Sunderland, o Torreense vê nova oportunidade de espantar a Europa a ser providenciada por um dos mais rodados adversários que lhe calhou em sorteio. O histórico Ferencváros participa em fases de grupos ou liga europeias consecutivamente desde 2020 e ganhou a liga húngara sete vezes seguidas, até se deixar surpreender a época passada pelo Györ – ora, como grande dominador daquele futebol, restava apenas ao Ferencváros dar uma de Bayern, absorvendo o talento que se atreveu a meter em causa a hegemonia. E assim substituiu o lendário Robbie Keane por Balász Borbély, o eslovaco de 47 que cometeu a proeza (regressando assim a casa, ele que já tinha treinado juniores e equipa secundária do Ferencváros entre 2019 e 2022).  Antecipava-se, por isso, conto de fadas. Que Borbély conseguisse imprimir o registo dominador de outrora em contexto nacional e manter o sucesso recente fora-de-portas, conciliando harmoniosamente os índices competitivos. Enquanto se tem conseguido cumprir com a segunda expectativa (veja-se o percurso dos húngaros, que ultrapassaram todas as rondas de qualificação), as coisas não vão de feição na Liga, com cinco empates em nove jornadas. «Nem tudo correu como planeado nesta temporada», explicou assim na antevisão ao encontro desta quinta-feira. «Os resultados na Liga Europa são bons, mas não acho que exista uma grande diferença na forma como jogamos para as duas competições».

Pedro Cantoneiro · 5 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.