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O defesa da Primeira Liga mais goleador que Coates

Gabriel Henriques Reis · 3 min

Boavista FC Primeira Liga
Foto: Bola na Rede

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Não é segredo para ninguém que o futebol (aqui, a Primeira Liga Portuguesa) gira à volta de golos. Quando marcamos somos bons e, quando não marcamos, somos maus. Já aconteceu, vai acontecer e será sempre assim. À primeira vista, falar em golos é falar em avançados, mas e quando não são eles que marcam e decidem jogos?

Nas últimas semanas, os jogadores em destaque no campeonato português têm sido, por norma, elementos do setor defensivo. Sebastián Coates, defesa-central do Sporting CP, já vestiu pele de herói por diversas vezes e leva quatro tentos no campeonato. Pedro Porro resolveu a final da Taça da Liga frente ao SC Braga e segue como um dos fatores-chave do sucesso leonino.

Contudo, no lote de defesas em destaque na Primeira Liga Portuguesa, surge um outro nome, menos conhecido e mediático: Ricardo Mangas, lateral-esquerdo do Boavista FC. Leva quatro golos, tantos como Coates, tendo ainda menos minutos jogados que este.

Sendo o Boavista FC uma equipa menos concretizadora do que desejariam, o lateral tem sido importante na manobra ofensiva, até ao momento, marcando 21% dos golos da equipa na Primeira Liga. Destaque evidente para os dois últimos golos de Ricardo Mangas, ambos na sequência de canto e ambos nas últimas duas jornadas.

Ricardo Mangas fez formação no SL Benfica, tendo atuado pela equipa B. Em 2017 transferiu-se para o CD Aves e teve passagem por empréstimo pelo SC Mirandela, do Campeonato de Portugal. Regressou à base e foi peça fundamental do grupo que foi campeão de sub-23 da equipa nortenha. Na época seguinte subiu à primeira equipa e foi um dos destaques da trágica temporada da turma avense na Primeira Liga. Está agora, aos 22 anos de idade, a exibir-se a um bom nível no Boavista FC, confirmando as boas sensações que tinha deixado na temporada anterior.

Na minha ótica, não podemos olhar para Ricardo Mangas como um “lateral moderno”, daqueles que só ataca. As exibições, e também as estatísticas, provam que consegue ter duas caras, mantendo o equilíbrio e assegurando a segurança defensiva. É o jogador do Boavista FC com mais interceções por 90 minutos (2,1) e revela-se também bastante forte nos duelos aéreos, sendo o terceiro melhor jogador do Boavista no que concerne à percentagem de duelos aéreos defensivos ganhos (62%), entre jogadores com mais de dois duelos por jogo.

Ainda assim, este está longe de ser um lateral maioritariamente vocacionado para a defesa. Tenta manter um certo equilíbrio e, além da finalização, conta com uma percentagem de dribles eficazes a rondar os 45%. Regista ainda uma média de 2,66 cruzamentos com bola corrida por jogo, revelando facilidade em subir pelo corredor e participar em ataques ou contra-ataques, quando solicitado por colegas. Prova disso, o segundo golo do Boavista FC no Estádio do Dragão: boa combinação no ataque com Angel Gomes e assistência para golo de Alberth Elis, que se desmarcava ao segundo poste.

Desde o jogo com o FC Porto, tem feito exibições bastante convincentes. Marcou nas últimas duas jornadas de forma consecutiva e procura manter a boa forma no futuro. Com Jesualdo Ferreira, pode encontrar o espaço, tempo e ambiente de que necessita para elevar ainda mais o seu jogo.

É um jogador jovem, tal como outros que figuram no plantel boavisteiro. Tem todas as condições para se superar e acabar por eventualmente “dar o salto”. Com o Campeonato da Europa de sub-21 aí “à porta”, e respetiva convocatória a ser anunciada na próxima terça-feira, pelo selecionador Rui Jorge, Mangas pode ser uma das opções. Apesar da concorrência de Nuno Mendes, Rúben Vinagre ou Nuno Tavares para a lateral esquerda, a boa temporada de Ricardo Mangas faz com que se torne certamente num nome a ter em conta.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Gabriel Henriques Reis

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