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O “top 4” da Primeira Liga Portuguesa não tem muita tendência para variações. Nos últimos dez anos, só três equipas se conseguiram intrometer entre SL Benfica, FC Porto, Sporting CP e SC Braga. Em sentido contrário, o quinto lugar tem sido um dos mais concorridos, com oito clubes diferentes, na última década, a terminar nessa posição.
O equilíbrio do nosso campeonato tem-se feito a meio da tabela, e esta época não é exceção. Com 19 jornadas cumpridas, seis pontos separam cinco equipas que, na segunda volta, vão estar a competir por um único lugar.
A quinta posição dá acesso à Europa e há, pelo menos, uma mão cheia de candidatos.
GIL VICENTE FC – A SONHAR COM A ESTREIA NA EUROPA

Se no fim do campeonato conseguirem manter o quinto lugar, os gilistas igualam a melhor participação de sempre na Liga (1999/2000) e garantem uma inédita presença nas competições europeias.
Poucos colocariam a equipa de Ricardo Soares na luta pela Europa. Só que tudo mudou nos últimos meses. Seis vitórias nos últimos nove jogos catapultaram o Gil Vicente para o quinto posto e para sonhos mais ambiciosos.
O plantel é sólido e com boas soluções em toda a largura. Começando pelo gigante esloveno, de 1,97m, na baliza. Ziga Frelih foi contratado à última para substituir Kritciuk, e tem feito esquecer o russo. No ataque está um dos melhores marcadores do campeonato: Fran Navarro, com 11 golos em 18 jogos. Pelo meio há Pedrinho (seis assistências) e o vistoso, talvez a estrela da companhia, Samuel Lino (oito golos e três assistências).
Ricardo Soares parece ter descoberto a fórmula perfeita para meter o plantel a carburar e nunca mais olhou para trás. O Gil Vicente versão 21/22 é agradável de ver e eficiente quando é necessário. Equilibrado na defesa e irreverente no ataque.
Apesar do calendário não ser simpático – há visitas a todos os quatro primeiros na segunda volta – o Gil Vicente é mais do que uma mera sensação. É um candidato real a chegar à Liga Conferência.
VITÓRIA SC – GARANTIR OS SERVIÇOS MÍNIMOS

Os vimaranenses são o antónimo quase perfeito do que acontece em Barcelos. Há muito que o clube pede por outros objetivos, o ambiente no estádio faz inveja, a paixão da cidade é inabalável, mas dentro das quatro linhas teimam em ficar aquém das expetativas.
Nos últimos anos, o Vitória parece sempre conseguir formar um bom plantel e tem atraído alguns jovens treinadores de grande potencial. Pepa é a mais recente aposta e no verão parecia haver condições para uma época, finalmente, memorável.
Não tem sido o caso. A equipa já perdeu muitos pontos que, em teoria, estariam no bolso. Escorregadela atrás de escorregadela, o Vitória lá foi ficando para trás e vê-se, mais uma vez, com o quinto lugar como objetivo mais realista. Para já, estão na sexta posição, com 27 pontos.
A boa notícia é que reside no banco um treinador que sabe o que fazer para garantir essa posição e especialista em bons finais de época. Cabe-lhe colocar um plantel talentoso – com vários atletas que seriam titulares em qualquer um dos cinco concorrentes desta lista – a jogar como tal.
ESTORIL PRAIA SAD – REPETIR A SURPRESA DE 2013

A recente série de quatro derrotas consecutivas tirou algum alento à época sensacional que os estorilistas estavam a fazer. Recém-regressados ao primeiro escalão, passaram o Natal no quinto lugar, a três pontos do SC Braga. O novo ano não tem sido simpático, com a covid-19 a assolar o plantel e com a saída de Chiquinho para Inglaterra.
Será, por isso, compreensível a atual quebra de rendimento de uma equipa que excedeu todas as expetativas na primeira volta. A capacidade para recuperar desta série negativa vai ditar o que o emblema da Linha pode esperar para o último terço de campeonato.
O plantel é jovem, mas recheado de talento. Muitos dos mais utilizados – o guardião Daniel Figueira, Rosier, André Franco, Bruno Lourenço ou Arthur Gomes – têm menos de 23 anos, e outros – Soria, Lucas Áfrico, Gamboa – não estão muito longe dessa idade. Jogadores como Joãozinho (32), Rui Fonte (31) ou António Xavier (29) acabam por ser os mais experientes.
Bruno Pinheiro tem muita matéria-prima ao seu dispor e tem sabido dar-lhe o melhor uso. A inexperiência poderá, no entanto, dificultar a vida a um plantel que tem de dar a volta à má forma se quiser continuar a sonhar com a passagem da Segunda Liga para a Europa em duas épocas… Tal como fez Marco Silva em 2013. No sétimo lugar, com 25 pontos, há pelo menos uma boa base para o sucesso.
PORTIMONENSE SC – IGUALAR A MELHOR PARTICIPAÇÃO DE SEMPRE

Foram presença habitual na Primeira Liga durante a década de 80 e até chegaram à Taça UEFA em 1985. Só que, depois, os algarvios tiveram muitas dificuldades em regressar ao convívio dos grandes. Em 2010/2011 a passagem foi esporádica, mas a partir de 2017 têm conseguido estabilizar-se.
O Portimonense é o clube português que mais jogadores movimenta, sobretudo a partir do mercado brasileiro, mas também com vários japoneses a chegar ao Algarve. Essa estratégia tem um lado positivo, o do talento que vai surgindo entre as muitas contratações, e um lado negativo, a instabilidade constante de um plantel que a qualquer momento pode ser alterado.
Tal como o Estoril, os alvinegros estiveram grande parte da primeira volta entre os seis primeiros lugares, mas têm vindo a sofrer de uma quebra de forma. No campeonato, estão há cinco jornadas sem vencer e, pelo meio, também houve uma dura eliminação na Taça, aos pés do CD Mafra. Contas feitas, estão no oitavo posto, com 25 pontos.
A grande virtude dos homens de Portimão está na defesa, que é a quarta menos batida de Liga. Por outro lado, os melhores marcadores da equipa têm apenas dois golos marcados… E um deles é Beto, que saiu após a terceira jornada. Paulo Sérgio tem feito um bom trabalho, mas a falta de um substituto à altura do avançado português pode vir a comprometer as aspirações europeias do clube.
CS MARÍTIMO – O REGRESSO DA MADEIRA AO FUTEBOL EUROPEU?

Há não muitos anos, tornou-se comum ver Marítimo e CD Nacional, pelo menos, nas pré-eliminatórias das competições europeias. No entanto, o Futebol madeirense tem perdido algum do seu esplendor. Os rivais da Choupana são, neste momento, um clube “ioiô” entre Primeira e Segunda e os maritimistas têm andado na segunda metade da tabela.
Esta temporada, o início desastroso parecia antever mais uma época sem grandes motivos para festejar, mas tudo mudou quando Vasco Seabra chegou ao banco à 12.ª jornada. Desde então, somaram cinco vitórias, dois empates e apenas uma derrota e passaram do fundo da tabela para a luta europeia.
Em termos individuais, o Marítimo não tem tantos argumentos como alguns dos concorrentes, mas compensa com a experiência de elementos como Zainadine, Edgar Costa ou Joel e com vários elementos-chave que jogam juntos há algumas épocas. Mais importante, o novo técnico parece ter encaixado que nem uma luva no plantel.
O Marítimo não disputa provas europeias desde 2017/2018 e só chegou ao quinto lugar duas vezes, nos últimos dez anos. Por esta altura no nono lugar, com 26 pontos, estão a seis do Gil Vicente, mas apenas oito acima da linha de água. Ainda assim, a julgar pelas últimas semanas, há condições para olhar para cima
Artigo revisto por Joana Mendes














