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Gil Vicente FC 1-1 SC Braga: Fortaleza do galo não olha a estatutos

Ricardo Anselmo · 5 min

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Primeiro o FC Porto, agora o SC Braga. Para já, ninguém passa em Barcelos. Depois de uma primeira parte apagada, o Gil transfigurou-se no segundo tempo e dominou por completo um SC Braga completamente diferente daquele que alinhou no último jogo.

Sá Pinto mudou toda a equipa e quase tinha um dissabor maior, apesar de as coisas terem começado de feição para os Guerreiros. Pelo meio, o jogo esteve parado durante cerca de meia hora por falta de luz. Gilistas e arsenalistas seguem empatados na classificação, com quatro pontos.

Foram onze (!) as peças que Sá Pinto mudou em relação ao confronto europeu com o Spartak três dias antes do compromisso com os galos. Tantas mudanças de uma assentada poderiam, como é normal, ter impacto na dinâmica de jogo da equipa, em virtude de uma mais do que previsível dificuldade em articular o seu futebol. Não foi assim e a entrada dos Guerreiros em jogo diz muito da capacidade e da qualidade das opções que Sá Pinto tem neste momento.

Rui Fonte e Galeno, os últimos jogadores a chegarem a Braga tiveram entrada direta no onze (o brasileiro já havia feito alguns minutos com o Sporting CP) e acabaram por ser eles a cozinhar o primeiro momento de festa no Estádio Cidade de Barcelos. O ex-Fulham solicitou a arrancada do ex-FC Porto/Rio Ave através do espaço disponível entre o lateral esquerdo e o central gilistas e este, ainda que com pouco ângulo, rematou forte e rasteiro para golo, com Denis a não ficar bem na fotografia.

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À imagem do que já se vira na última jornada, em Moreira de Cónegos, este Gil tem ainda um problema sério para resolver. Jogando com a linha defensiva mais subida no terreno, os galos vêem-se expostos na retaguarda, essencialmente contra equipas do calibre do SC Braga, que sabe explorar bem essa lacuna, essencialmente com duas setas como Galeno e Murilo.

Ainda assim, a pouco e pouco, os gilistas, que abanaram com o murro no estômago bem cedo no encontro, foram-se equilibrando defensivamente e, no plano ofensivo, ainda que de forma pouco acutilante, ia colocando o SC Braga em sentido. Eduardo, contudo, só teve de sujar o equipamento para segurar ou afastar os muitos cruzamentos que o Gil ia tirando.

No início do segundo tempo, o jogo esteve interrompido cerca de meia hora por causa de uma falha de energia
Fonte: SC Braga
No segundo tempo, tudo (literalmente) mudou. Inclusive, uma peripécia que fez o jogo prolongar-se cerca de meia hora para lá do que era esperado. Esta foi uma noite bastante chuvosa em Barcelos, com muita trovoada à mistura, o que levou a uma falha de energia que deixou tudo e todos às escuras.

No reatamento, um novo Gil se ergueu, em contraste com um SC Braga a acusar aquilo de que falava e se suspeitava no início. Sem ideias e sem organização, fruto do desconhecimento que a maior parte dos jogadores tinha uns dos outros. O primeiro aviso a sério veio dos pés do recém entrado Lino (que substituíra ao intervalo o lateral Edwin e transformara o Gil numa equipa bem mais ofensiva), que fugiu da direita para o centro e atirou com estrondo ao poste de Eduardo.

Galvanizados, os galos apontaram os canhões à baliza arsenalista e o guardião bracarense teve de fazer uso da sua capacidade e experiência para travar com enorme mestria os remates com selo de golo de Lourency, João Afonso e Kraev. Sá Pinto percebeu que a equipa vinha fraquejando (quem não percebia?) e lançou de uma assentada Fransérgio e Trincão e mais tarde Esgaio, para emprestar maior capacidade de controlo e segurança nas saídas para o ataque.

Isso, contudo, não foi suficiente, pois o balanceamento gilista era tal que o justo golo do empate seria questão de minutos. Assim foi. Lançado por Soares, Alex Pinto correu até à linha de fundo onde sacou um cruzamento muito tenso mesmo sobre a linha de golo para Sandro Lima encostar ao segundo poste.

Não havia capacidade de resposta por parte do SC Braga, que apareceu sempre muito errático no momento de idealizar os seus ataques. Hassan pareceu sempre muito distante dos colegas e sem oportunidades para alvejar a baliza. O Gil, agora com menos coração e mais cabeça, não enjeitou a possibilidade de completar a reviravolta, mas as pernas também não chegam para tudo e, no final, todos pareciam relativamente contentes. Uns porque conseguiram chegar ao empate depois de quase terem descido ao inferno no primeiro tempo. Outros porque viram-se livres de um mal pior, pois arriscaram e muito sair de Barcelos com a bagageira vazia de pontos.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Gil Vicente FC: Denis, Alex Pinto, Rodrigo, Rúben Fernandes, Edwin (Samuel Lino, 46’), Soares, João Afonso, Kraev, Arthur, Lourency (Leonardo, 90+35’) e Naidji (Sandro Lima, 90+9’).

SC Braga: Eduardo, Diogo Viana, Tormena, Lucas, Cajú (Ricardo Esgaio, 90+10’), Claudemir, João Novais, Murilo, Galeno (Trincão, 87’), Rui Fonte (Fransérgio, 87’) e Hassan.


A FIGURA

Fonte: SC Braga

Eduardo – É a ele que o conjunto arsenalista pode agradecer o facto de apenas por uma vez a bola ter beijado as redes da baliza do SC Braga. O experientíssimo guardião internacional português assinou três defesas portentosas, de enorme categoria, a negar golos quase feitos a Lourency, João Afonso e Kraev. Após o empate gilista, foi ainda determinante ao emprestar toda a sua experiência e garantir que pelo menos um ponto seguiria viagem com a comitiva no regresso a Braga.

Do lado do Gil nota para o habitual espaço de elogio a Lourency, que esteve uma vez mais uns furos acima do ponto de vista técnico, ainda que em menor evidência em relação a desafios anteriores. Kraev e Lino também fizeram gato sapato da defesa do SC Braga (pouco articulada, naturalmente), sempre salvaguardado por um ‘polvo’, chamado Soares.

Referência ainda para Galeno, que se estreou a titular e assinou um golo depois de uma bela arrancada.

O FORA DE JOGO

Fonte: SC Braga

Ricardo Sá Pinto – É certo que o SC Braga chegou a Barcelos a meio de uma difícil eliminatória europeia, mas mudar onze jogadores em relação ao último jogo tinha tudo para dar… errado. As coisas até começaram bem, com a equipa a mostrar boa dinâmica, mas assim que o Gil pegou no jogo fez o que quis dos bracarenses. Mesmo vendo a sua equipa completamente anárquica, Sá Pinto não foi capaz de emendar as coisas a partir do banco. Valeu o ponto.

Foto de Capa: SC Braga

artigo revisto por: Ana Ferreira

Ricardo Anselmo

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