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Rio Ave FC 2–0 Boavista FC: Guedes abriu o caminho e Yuri percorreu a passadeira

Pedro Paupério · 7 min

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Cabeçalho Futebol NacionalO Rio Ave recebeu e venceu o Boavista na 19ª jornada do campeonato e está agora a sete pontos do quarto lugar. Guedes abriu o marcador ainda no primeiro quarto de hora e Yuri Ribeiro fechou o resultado final já nos descontos com um golo para relembrar.

O Boavista viajou até Vila do Conde para defrontar o Rio Ave, num encontro a contar para a 19ª jornada da Primeira Liga. Separados por apenas seis pontos, os dois conjuntos entraram em campo à procura dar seguimento às boas temporadas, com o Rio Ave a ocupar o quinto lugar e o Boavista no oitavo posto da tabela.

Para os alinhamentos iniciais, os dois treinadores optaram por fazer apenas uma alteração cada em relação ao último jogo. Jorge Simão fez entrar o capitão Nuno Henrique e, do lado do Rio Ave, Miguel Cardoso fez Nélson Monte regressa à equipa, por troca com Marcelo.

O jogo começou aberto e bem disputado, com o Boavista a assumir uma postura atrevida e a chegar por várias vezes às redondezas da área adversária. A equipa de Jorge Simão conseguiu mesmo desenhar boas jogadas de ataque, mas decidiu mal em vários lances e não conseguiu criar verdadeiramente perigo.

A equipa do Rio Ave sentiu o alerta e criou a primeira situação de golo perto dos dez minutos, por João Novais. Lance bem trabalhado pelo corredor direito, excelente cruzamento de Lionn a encontrar o médio entre os centrais adversários e o camisola 17 a cabecear à figura de Vagner, que respondeu com uma defesa por instinto.

Mas o golo acabou por surgir mesmo aos 14 minutos. Cruzamento largo do mesmo João Novais na esquerda, Robson aborda mal o lance e Guedes aparece nas costas da defesa para finalizar. O remate ainda bate no ferro e Vagner ainda chega a defender para longe, mas a bola já tinha ultrapassado totalmente a linha de golo. Nos festejos, o avançado do Rio Ave colocou a máscara do homem-aranha, num momento caricato que acabou por lhe valer o cartão amarelo.

A resposta do Boavista esteve perto pouco depois, ao minuto 18. Grande passe de David Simão em busca da profundidade e Leonardo Ruiz, sozinho com Rui Vieira, a atirar ao lado.

O jogo arrefeceu desde então, com o Rio Ave a procurar congelar a bola e gerir a partida e a vantagem, com os remates de meia distância de João Novais e Francisco Geraldes, que Vagner encaixou sem problemas, a serem os únicos destaques até ao intervalo.

A segunda parte começou sob um intenso nevoeiro, que surgiu no Estádio dos Arcos durante o intervalo. O Boavista começou melhor e podia ter chegado ao golo logo no primeiro minuto, mas Mateus não deu o melhor seguimento a uma boa jogada da turma de Jorge Simão e rematou ao lado em boa posição.

Pouco depois o Rio Ave ficou momentaneamente restrito a dez unidades, depois de Lionn abandonar o relvado para assistência na sequência de um choque de cabeça com Talocha. Com dez unidades, a equipa do Rio Ave procurou explorar as transições e testou Vagner num remate de meia distância de Francisco Geraldes.

O lateral do Rio Ave regressou ao encontro pouco depois, mas acabou por ter de abandonar de novo a partida devido aos ferimentos na cabeça. O brasileiro saiu mesmo de ambulância do Estádio dos Arcos, de onde foi levado para o hospital. Miguel Cardoso fez assim entrar Marcão e deslocou Nélson Monte para o corredor direito.

À passagem do minuto 66, Fábio Espinho apareceu nas costas da defesa da equipa da casa e obrigou Rui Vieira a sair da área para cortar a bola, com o avançado do Boavista a cair e os adeptos visitantes a pedirem falta e a expulsão do guarda-redes da equipa da casa. Hélder Malheiro, contudo, nada assinalou e admoestou mesmo o avançado do Boavista com o cartão amarelo por simulação.

Os axadrezados contaram com muito apoio em Vila do Conde Fonte: Boavista FC
Os axadrezados contaram com muito apoio em Vila do Conde
Fonte: Boavista FC

Pouco depois o Boavista ficou novamente perto do golo, mas nem Kuca nem Mateus conseguiram chegar a tempo de desviar o cruzamento rasteiro de Talocha.

Na resposta, já com Nuno Santos no lugar de Barreto, foi Marcelo a ficar perto do golo na sequência de um canto, mas o cabeceamento do defesa central saiu ligeiramente por cima da baliza de Vagner.

Jorge Simão estava insatisfeito com o resultado e também mexeu na equipa para procurar chegar ao golo. Kuca deu lugar a Rochinha e, pouco depois, foi Fábio Espinho a sair para a entrada de Rui Pedro.

O avançado emprestado pelo FC Porto dispôs mesmo de uma boa oportunidade para empatar, quando surgiu solto na área adversária, mas permitiu a defesa de Rui Vieira com um remate cruzado. Na recarga, Mateus ficou novamente perto de marcar, mas Marcão surgiu bem no caminho da bola.

Até ao final o Boavista tentou carregar, mas foram do Rio Ave as melhores oportunidades, com a equipa da casa a conseguir mesmo ampliar. Já depois de Geraldes ter obrigado Vagner a fazer uma defesa apertada, depois de um bom passe de João Novais, Yuri Ribeiro fez o golo da tranquilidade num lance para recordar. O lateral emprestado pelo Benfica arranca ainda a meio do campo, mas ultrapassa as linhas do Boavista, contorna Robson com um grande gesto técnico e não perdoa no frente a frente com Vagner.

A FIGURA:

Fonte: Facebook Oficial de João Novais
Fonte: Facebook Oficial de João Novais

João Novais – É a figura do momento da equipa de Vila do Conde. O médio até começou a época como suplente, mas impôs-se no onze de Miguel Cardoso e desde então tem deslumbrado. Hoje, desbloqueou o encontro ao servir Guedes com um excelente cruzamento e foi o principal criador da equipa da casa.

O FORA-DE-JOGO:

Fonte: Facebook Oficial de Óscar Barreto
Fonte: Facebook Oficial de Óscar Barreto

Óscar Barreto – O extremo, que tem tido nova oportunidade no onze inicial desde a saída de Rúben Ribeiro, voltou a ser a unidade menos em campo e, à exceção da alteração forçada de Lionn, foi novamente o primeiro a ser substituído no conjunto de Miguel Cardoso, tendo sido visível a diferença de rendimento para Nuno Santos, depois da entrada do número 20.

 

CONFERÊNCIA BnR:

 

Rio Ave FC
Bola na Rede:
Referiu há pouco que hoje o Rio Ave foi, por vezes, obrigado a sair de forma diferente daquilo que é o habitual, é justo dizer que foi o Boavista que obrigou o Rio Ave a adaptar-se ao contexto do jogo pela sua qualidade?

Miguel Cardoso: Não, de todo. O Rio Ave, segundo as estatísticas que eu vi, acabou o jogo com 57% de posse de bola, 57% é considerável. Aquilo que é importante perceber é que há muitas formas de atingir objetivos. E nós temos que perceber aquilo que o adversário nos faz, e em função daquilo que o adversário nos faz nós temos que encontrar soluções para os contrariar. Uma coisa é ser consistente outra coisa é ser coerente, e a consistência por vezes pode ser burrice ou estupidez. Coerência é adaptarmo-nos àquilo que o contexto pede. Foi isso que nós fizemos, percebemos que havia uma pressão excessiva da equipa do Boavista e explorámos as costas da equipa. Agora independentemente do que eu estou a dizer, parece-me que em muitos momentos conseguimos ligar o jogo e sair a jogar e atrair o adversário. Porque o facto de nós sairmos curto obriga os adversários a jogarem subidos no campo, e é muito raro neste nível equipas que joguem mais subidas, e assim obrigamos o adversário a ter os problemas que nós temos, que são as preocupações com as costas. É óbvio que os adversários se vão preparar para nos contrariar, cada vez mais, e é importante nós percebermos que há um modelo e havia um plano, e durante o jogo nem sempre fomos capazes de o seguir, mas tentámos sempre procurá-lo, e quando lá estivemos controlámos muito mais as coisas e acabámos por ganhar de forma justa.

 

Boavista FC
Bola na Rede:
A sua equipa teve uma boa entrada na partida, conseguiu até algum domínio territorial e aproximou-se várias vezes da equipa do Rio Ave, no entanto acabou por não conseguir criar perigo e baixou um pouco no terreno de jogo depois do primeiro golo do Rio Ave. Sente que a sua equipa acusou em demasia o golo sofrido?

Jorge Simão: Não. E permita-me que discorde, mas nós conseguimos criar muito perigo. É evidente que o jogo passa por diferentes fases, por diferentes momentos, mas às vezes uma sequência de bolas paradas, um canto, que depois dá um lançamento, que depois dá uma bola à entrada da área que leva o jogo para uma tendência que nós, como é óbvio, temos de saber ultrapassar. Agora, nós fomos sempre uma equipa que, no decurso do jogo, sem grandes espaços temporais que intervalassem uma ou outra situação fomos criando perigo real. Lembro-me de, na segunda parte, termos bolas de golo limpas que não conseguimos finalizar. O Rio Ave teve uma que, como digo, não há ninguém que garanta que a bola entra, e teve uma outra situação onde fez o jogo numa jogada absolutamente brilhante. Mas é como digo, criámos aqui muitas situações que nos podiam ter permitido sair daqui com outro resultado.

Foto de Capa: Agostinho Santos/Rio Ave FC

Pedro Paupério

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