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Rio Ave FC e Vitória FC entraram em campo na fria noite de sábado no Estádio dos Arcos, em Vila do Conde. O jogo era referente à oitava jornada da Liga Portuguesa e ambas as equipas entraram em campo em busca dos três pontos. O Rio Ave FC começou muito bem a competição com três vitórias nas três primeiras jornadas. Porém, a equipa vilacondense caiu de produção e somou apenas dois pontos nas últimas quatro jornadas. Já a equipa de Setúbal entrou na partida ocupando apenas a 13ª posição na Liga.
O jogo começou bem equilibrado e com as duas equipas respeitando muito uma a outra. O primeiro grande lance de perigo ocorreu aos 25 minutos. O lateral Bruno Teles, do Rio Ave FC, fez grande jogada pela esquerda e cruzou rasteiro para a área. Mas a defesa do Vitória estava atenta e tirou a bola da zona de perigo. Nesse momento de jogo, os donos da casa tinham 70% de posse de bola.
Aos 29 minutos, o Rio Ave FC insistia no ataque e, numa ótima jogada, o lateral Lionn rematou com força para a baliza. A bola passou perto das redes de Trigueira. Aos 33 minutos, Bruno Teles apareceu bem no apoio ofensivo e cruzou em direção a área. O guarda-redes de Setúbal saiu da baliza de maneira providencial. Aos 37 minutos, Rúben Ribeiro recebeu um belo passe da sua defesa, dominou a bola, fintou o seu marcador e rematou com perigo à baliza. A bola passou à esquerda da baliza.
O Rio Ave FC dominava completamente o jogo, mas não conseguia traduzir essa superioridade em golos. O Vitória de Setúbal pouco ficava com a bola e assim pouco criava. Nos últimos cinco minutos da primeira parte, o lateral Arnold, do Vitória, teve duas oportunidades de colocar a bola na área adversária. Mas nas duas chances cruzou muito mal e a bola perdeu-se pela linha de fundo.
A primeira parte terminou com amplo domínio da equipa visitada. O Rio Ave FC procurou com mais intensidade o ataque que o seu adversário. As jogadas pelo lado esquerdo foi a arma mais perigosa da equipa. Já o Vitória de Setúbal parecia jogar pelo empate. Pouco criava e parecia contentar-se a defender.
O treinador Miguel Cardoso realizou uma substituição no intervalo. Saiu Barreto para a entrada de Nuno Santos. O início da segunda parte começou como terminou a primeira. O Rio Ave foi para cima do adversário e, logo aos 48 minutos, o médio Tarantini desviou de cabeça um cruzamento vindo de uma bola parada e obrigou o guarda-redes Trigueira a realizar uma grande defesa. O Vitória pecava sempre no momento do último passe, principalmente quando se tratava de bolas lançadas para a área.
Aos 56 minutos, o Rio Ave começou uma sucessão de ataques perigosos todos pelo lado esquerdo ofensivo. A equipa vilacondense voltava a usar a sua principal arma e o entrosamento do lateral Bruno Teles e dos médios Rúben Ribeiro e Francisco Geraldes aparecia no jogo. Aos 61 minutos, outro ataque perigoso do Rio Ave. Nuno Santos recebeu bom passe pelo meio e com mestria tocou de calcanhar para Rúben Ribeiro. O médio finalizou fraco à baliza. Nuno Santos, em quinze minutos em campo, justificou a sua entrada no jogo. O jogador deu mais mobilidade ao ataque vilacondense.
Aos 65 minutos foi a vez da equipa visitante ameaçar o adversário. O avançado Paciência deu um bom passe para o médio Costinha que apareceu como elemento surpresa dentro da área do Rio Ave. O jogador caiu na área e reclamou ter sofrido falta. O juiz não marcou nada e seguiu com o jogo. Aos 71 minutos, Miguel Cardoso realizou a sua segunda substituição na equipa. Saiu de campo o ponta-de-lança Karamanos e entrou Guedes.
Aos 73 minutos, Nuno Santos rematou com perigo pela direita, o guarda-redes defendeu mas soltou a bola e depois da confusão na área, a bola sobrou para Rúben Ribeiro que fintou o seu marcador e sofreu falta perigosa para a baliza do Vitória. Na cobrança de falta ensaiada, Francisco Geraldes deu uma bela assistência a Rúben Ribeiro que finalizou sem chances para Trigueira. Rio Ave 1-0 Vitória.
Aos 83 minutos, o lance mais polémico da partida. Nuno Pinto cruzou pela esquerda e, sozinho na área, o avançado João Amaral cabeceou à baliza marcando o golo do empate. O lance gerou dúvida e o arbitro solicitou o auxílio do VAR. Após a consulta ao VAR, o golo foi validado para delírio dos adeptos do Vitória presentes em Vila do Conde. Rio Ave 1-1 Vitória.
O jogo ficou tenso e o golo sofrido de forma inesperada fez com que o Rio Ave fosse todo ao ataque. Tanta intensidade foi recompensada. Aos 89 minutos, o bom lateral Bruno Teles aproveitou uma sobra de bola na intermediária ofensiva e rematou com violência à baliza. A bola fuzilou as redes de Trigueira que ainda se fez à bola, mas sem hipóteses de lá chegar. Rio Ave 2-1 Vitória.
Nos minutos finais o Rio Ave apenas fez o tempo passar para confirmar a primeira conquista após quatro jornadas na Liga. Vitória merecida da equipa que teve 59% de posse de bola e rematou mais que o dobro do seu adversário: o Rio Ave (13 contra 6). Já o Vitória não demonstrou para que veio ao jogo e contentou-se apenas em defender. Nem o recurso do contra-ataque foi tão utilizado como poderia ter sido. A luta contra a descida parece ser a realidade da equipa.
A FIGURA

Bruno Teles – Este Rio Ave tem uma mentalidade muito ofensiva e o lateral esquerdo é o espelho da equipa. Quase sempre no meio-campo adversário, Bruno Teles foi importantíssimo a dar largura, permitindo que Rúben Ribeiro ocupasse terrenos mais interiores, sem nunca deixar de ser competente a defender. Quando o empate parecia já consumado, fechou uma grande exibição com um golaço do meio da rua que deu a vitória à equipa da casa.
O FORA DE JOGO

Arnold – É verdade que as grandes figuras do Rio Ave atacaram pelo seu lado (Rúben Ribeiro e Bruno Teles tiveram uma grande noite) mas o lateral do Vitória de Setúbal não se pode desculpar de uma exibição tão negativa. A defender, foi quase sempre ultrapassado e nunca foi capaz de apoiar o ataque, tendo executado sempre muito mal nas poucas vezes em que apareceu para cruzar.
CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
BnR: Após o primeiro golo do Rio Ave fez entrar Podstawski, pretendia que o Vitória de Setúbal conseguisse ter mais bola?
José Couceiro: O Podstawski já ia entrar de qualquer forma. A alteração já tinha sido indicada, só que houve um lance de bola parada defensiva e ele acabou por só entrar depois. Mas sim, claro que pretendíamos ter mais bola, não perdendo também o corredor, passando para o 4-3-3. No final, trocámos os avançados para refrescar e fizemos entrar o André Sousa para o lugar do Gonçalo.
BnR: Como considera a entrada do Nuno Santos no jogo uma vez que a apresentação ofensiva da equipa melhorou bastante?
Miguel Cardoso: Não me parece que as coisas possam ser tratadas de forma tão isolada. O Nuno é um jogador que tem valias, como têm outros, aquilo que é importante é perceber os contextos. Havia um contexto claro que pedia a entrada do Nuno e ele deu uma excelente resposta.
BnR: Com a já referida entrada de Nuno Santos na segunda parte, o lateral do mesmo lado, Lionn, passou a integrar-se mais no ataque, como o lateral do outro lado, Bruno Teles, já vinha fazendo. Era também isso que pretendia com a alteração?
Miguel Cardoso: Nós sabíamos que era preciso dar um caráter diferente até para desadaptar o adversário ao nosso jogo. É quase como calçar um sapato, quando mudamos para sapatilha sentimos o pé mais confortável, e quando trocamos causa-nos desconforto. A nossa tentativa foi calçar o sapato no pé do adversário para lhe causar desconforto. Às vezes não é fácil ter profundidade.
Foto de Capa: uefa.com
Rescaldo de César César Mayrinck e Pedro Paupério












