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O SC Braga entrou em campo no seu habitual 4-4-2, com uma frente de ataque móvel na qual Abel Ferreira optou por juntar Xadas a Hassan. Os pacenses, treinados por Petit, entraram em campo com igual estrutura tática e apostaram também numa dupla rápida no ataque (Mabil / Welthon). Ainda que com 22 jogadores em campo, o grande destaque da primeira parte acabaria por recair no árbitro, Rui Oliveira. Assim, aos 17 minutos, Bruno Xadas contemporizou para a entrada de Esgaio; este serviu Hassan que, de calcanhar, atirou a contar. Golo do SC Braga, porém, anulado com recurso ao vídeo-árbitro! A partir daí, na noite fria de Braga, o ambiente aqueceu e muito, com uma marcada contestação dos adeptos locais ao árbitro da partida.
Numa primeira parte com poucas ocasiões de golo, acabaria mesmo por ser o FC Paços de Ferreira, que pouco mais fez do que limitar-se a defender e a procurar o contra-ataque, a ter a melhor oportunidade para marcar. Aos 40 minutos, na sequência de um canto apontado a partir da direita, Miguel Vieira apareceu ao primeiro poste para cabecear à barra da baliza à guarda de Matheus. Chegado o tempo de intervalo num encontro bem mais quente nas bancadas do que dentro das quatro linhas, merece nota de destaque, nesse período, a luminosa homenagem ao “homem do leme”, Zé Pedro, guitarrista do Xutos & Pontapés, em decurso do seu falecimento.

Fonte: Facebook do Sporting Clube de Braga
As equipas regressaram para a segunda parte sem qualquer alteração de parte a parte e, igualmente, sem alterações na toada do encontro. Aos 49 minutos Welthon cabeceou pouco ao lado da baliza do SC Braga e, aos 61, Xadas rematou pouco por cima da baliza do FC Paços de Ferreira. Fora isso, o jogo foi uma verdadeira apatia até aos 65 minutos. Aí, Rui Oliveira voltou a ser protagonista; em 10 minutos mostrou dois cartões amarelos a Mateus Silva e deixou os “castores” com apenas 10 jogadores em campo. Daí em diante, o SC Braga cresceu no jogo e foi encostando o FC Paços de Ferreira às cordas.
A mudança na toada do encontro começou a traduzir-se em golos logo aos 70 minutos, com os braguistas a adiantarem-se no marcador na sequência de um canto. Após cruzar vários jogadores a bola caiu nos pés de Bruno Viana que, quase involuntariamente, a colocou no fundo das redes à guarda de Mário Felgueiras (a bola ainda desviou em Bruno Santos antes de entrar). Pouco depois, e já após Fábio Martins (entrado para o lugar de João Carlos Teixeira) ter ameaçado com um remate pouco ao lado da baliza, o mesmo futebolista deixou a bola em Ricardo Horta (entrado em campo sete minutos antes para o lugar de Bruno Xadas) para o avançado português, aos 80 minutos, rematar colocado, ainda fora da área, para o segundo golo da equipa da casa. 2-0 no marcador. Aos 87 minutos, após novo canto apontado a partir da esquerda, Dyego Sousa (entrado pouco tempo antes na partida) surgiu isolado na pequena área e desviou para o fundo das redes do FC Paços de Ferreira. Estava feito o resultado final!
Num jogo com um resultado algo enganador, o SC Braga só começou verdadeiramente a dominar após o FC Paços de Ferreira se ter visto reduzido a 10 jogadores. Até lá, os pacenses foram conseguindo organizar-se bem na defesa, pese embora correndo sempre poucos riscos no momento ofensivo. Os “gverreiros do Minho” estiveram tendencialmente pouco inspirados, sobretudo após o golo anulado ainda na primeira parte, mas acabaram por conseguir sair do Estádio Municipal de Braga com três pontos importantes que colocam a equipa a apenas dois pontos do terceiro lugar da tabela classificativa. O FC Paços de Ferreira, com este resultado, soma um total de cinco derrotas nos últimos seis encontros disputados.
A FIGURA:

Organização Defensiva do FC Paços de Ferreira – A lógica do “autocarro” esteve presente no Estádio Municipal de Braga, porém, este foi um “autocarro” bem organizado. O FC Paços de Ferreira mostrou sempre rigor nos posicionamentos defensivos, pese embora correndo poucos riscos no ataque, e não fosse a expulsão de Mateus Silva, aos 65 minutos, bem poderia ter saído de Braga com o tão desejado “pontinho”.
O FORA-DE-JOGO:

João Carlos Teixeira – O futebolista português é tecnicamente muito evoluído mas, por vezes, precisa de reconhecer melhor os momentos em que deve arriscar no lance individual e aqueles em que deve procurar combinações com os colegas de equipa. Pelas dificuldades mostradas ao nível da tomada de decisão, João Carlos Teixeira acabou por bloquear mais a equipa do SC Braga do que ajuda-la a aproximar-se do golo.
CONFERÊNCIA BnR
SC Braga
BnR: Abel, o SC Braga acabou por vencer mas, após o golo anulado, a equipa caiu francamente de rendimento. Como comenta o lance e o seu impacto na equipa?
Abel Ferreira: De facto é verdade o que está a dizer. Antes desse momento a equipa apresentou uma boa dinâmica, circulação de bola, obrigamos o adversário a abrir espaços. Sabíamos que o golo podia aparecer a qualquer momento e acabou por aparecer nesse lance. Toda a jogada foi fantástica, bem pensada, bem executada, dentro daquilo que são os princípios da nossa organização ofensiva. Nas bancadas toda a gente festejou e depois…foi como tirar um rebuçado a um miúdo. O impacto na equipa existiu, efetivamente, e fez-se sentir mais pelo lado mental. No intervalo disse aos jogadores que tínhamos que puxar a fita atrás, ver o que tínhamos feito bem antes do golo anulado e voltar a esse ponto. Hoje tínhamos muito público nas bancadas e, por isso, também tínhamos essa obrigação para com ele. A verdade é que depois do golo anulado fomos mais precipitados, mas depois do intervalo mostramos a força física, anímica e mental desta equipa e os próprios dados estatísticos comprovam que esta equipa, nos últimos 15 minutos de jogo, é tremenda.
FC Paços de Ferreira
BnR: Petit, a equipa do FC Paços de Ferreira organizou-se bem defensivamente mas não arriscou muito no ataque. Porquê a adoção de uma postura tão conservadora?
Petit: Arriscou quando tinha que arriscar! Sabíamos que o SC Braga é uma equipa que tem muita posse de bola e até tivemos, na primeira parte e no início da segunda, os dois lances de maior perigo. O jogo acabou por ser decidido pela expulsão do Mateus; logo depois o SC Braga marcou, mas com alguma sorte à mistura. Tínhamos uma estratégia montada para o jogo, tal como o SC Braga, e sabíamos bem o que tínhamos que fazer. Na primeira parte, por exemplo, houve poucas oportunidades para ambas as equipas. Sabíamos que o SC Braga defendia com três jogadores atrás que dificultam as transições ofensivas do adversário e que isso seria uma dificuldade para nós. Mas repito, houve dualidade de critérios, muitos cartões amarelos em poucos minutos mostrados aos jogadores do FC Paços de Ferreira, e acabou por ser a expulsão do Mateus a decidir o jogo.
Foto de Capa: Bola na Rede










